Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Carta à direção do PSOL por uma pré-candidatura presidencial urgente

Carta de Luciana Genro à direção do PSOL estimulando o partido a postular-se como alternativa tanto à direita e seu programa de ajustes antipopulares como ao lulismo.

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Contra Temer e contra o PSDB, o PSOL precisa afirmar que luta e se postula nas ruas, defendendo a greve geral, mas também nas urnas.

Mas não é apenas contra a burguesia tradicional que o PSOL deve se armar. A burocracia corrupta que aceitou ser agente dos interesses burgueses também é inimiga das necessidades do povo. A liderança de Lula não representa a esquerda – e isso deve ser dito em alto e bom som. Eu estava, assim como minha corrente, preocupada com o risco de o PSOL não lutar também contra essa falsa alternativa. Por isso os camaradas da Direção do MES lançaram uma carta. Como fundadores, era nossa obrigação alertar o partido sobre os riscos de não definir uma candidatura própria. Caso contrário pareceria, como já precipitadamente acusavam alguns, que o PSOL aceitaria fazer o jogo do lulismo. Mas não. O PSOL nasceu contra a traição da cúpula do PT. O fato de o governo Temer ser ilegítimo e de ser o pior governo da história da corrupta democracia brasileira não isenta a liderança de Lula desta responsabilidade. Assim, cabe ao PSOL se apresentar para a disputa em todos os terrenos e também na disputa presidencial.

Com este objetivo, sugerimos o nome de Marcelo Freixo. Explicamos por que Freixo deveria assumir esta responsabilidade. Basicamente é o nome mais forte do PSOL, poderia atrair muita juventude e até setores petistas cansados das práticas de sua cúpula, setores intelectuais e artistas, em especial do Rio de Janeiro, que lhe apoiaram na campanha da Prefeitura.

Nos tranquilizamos que a Executiva Nacional votou por unanimidade, no último final de semana, como resposta à discussão suscitada por nosso texto, que o partido terá candidato próprio. A necessidade de ter um candidato e de que todas as lideranças públicas do partido assumam esta responsabilidade nos levou também a apresentar meu nome, caso Freixo recusasse a proposta, como já havia manifestado.

Posso disputar qualquer cargo eleitoral, mas me dispus a assumir novamente a batalha presidencial, mesmo com a lei Cunha e as grandes limitações que ela impõe. Apesar disso, confio que ganharíamos força. Tenho disposição de sobra para enfrentar os políticos burgueses. Disposição de sobra para reivindicar a primavera feminista. Diante da recusa reiterada de Freixo, meus camaradas do MES colocaram a necessidade de lutar pelo meu nome. Mas sei que meu nome não é consenso.

No partido tivemos uma importante corrente de opinião que se recusou a defender eleições gerais como alternativa ao impeachment e se limitou a ter como política o Fica Dilma. Uma parte destes setores partidários, neste caso menos expressiva, se recusou a defender eleições diretas mesmo depois de consumado o afastamento de Dilma, só aceitando esta bandeira depois que o PT a adotou. Sou consciente também que uma parcela importante de dirigentes do partido mais atacaram a Lava Jato do que a defenderam. Como regra, diziam que ela só atacava o PT. Eu defendi muito mais a Lava Jato do que apontei seus limites e problemas, mesmo sabendo que eles existem e que são parte dos problemas globais do nosso sistema penal. Junto com minha corrente, sempre defendi que a Lava Jato estava cumprindo um papel positivo ao enfraquecer um sistema político corrupto e burguês. As prisões da cúpula do PMDB do Rio falam por si só – o que a cara de Aécio na Veja mostra também. Apesar disso, este é um tema que o PSOL não tem resolvido. Não há consenso e minha posição não é a de todos. Ao contrário, creio que o partido perdeu uma imensa chance ao não defender de maneira resoluta esta causa justa apoiada pelo povo.

Diante das divergências é preciso escolher. Creio que o mais urgente é ter um nome do PSOL que faça o partido presente na disputa com a burguesia e o lulismo, para isso sugeri que o MES busque uma solução de compromisso. Como sei que Marcelo Freixo e outras lideranças querem Chico Alencar como candidato, sou da opinião de que este nome pode indicar um caminho de unidade. Somos sinceros em dizer que para nós o nome ideal é o de Marcelo Freixo, por sua representatividade social. Mas em política nem sempre o ideal é possível. E o mais grave é não ter candidatura já. Isso mataria o PSOL.

Além disso, é preciso ser dito: respeitamos muito o nosso Deputado Chico Alencar. Ele tem uma posição sobre a Lava Jato muito próxima da minha. Tem uma trajetória de respeitabilidade, a qual tem como principal marca o compromisso ético e a recusa à lógica dominante da política de toma lá, dá cá. Por isso, foi escolhido diversas vezes como um dos melhores deputados federais. Teve papel muito importante contra Eduardo Cunha (PMDB-RJ), um dos maiores corruptos do país, e nesta luta fortaleceu o PSOL. E sempre esteve entre os mais votados do partido no Rio.

Por isso, com suas ideias corretas sobre questões fundamentais, entre elas o apoio à Lava Jato, ele pode fazer do PSOL um polo de luta e reconstrução da esquerda. O importante é que comece já. Então, para evitar que essa decisão só seja tomada após uma longa disputa congressual é muito melhor já se cerrar fileiras com o nome de Chico Alencar.

Neste sentido, com a concordância do Secretariado Nacional do MES, retiro o meu nome da discussão para presidência da República e apoio o nome do companheiro Chico como candidato de consenso, a ser apresentado publicamente de forma imediata para que possamos dialogar com as forças políticas que estão dispostas a construir uma frente de esquerda contra a burguesia e o lulismo.

Saudações, Luciana Genro.

Este artigo integra a 4ª edição da Revista Movimento, de jan/mar 2017. Confira todos os artigos dessa edição!

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Apresentação

Esta é uma edição especial de nossa Revista Movimento. Como forma de contribuir para os debates que ocorrerão na VI Conferência Nacional de nossa corrente, o Movimento Esquerda Socialista, este volume reúne dois números da revista (7 e 8). Dessa forma, pretendemos oferecer à militância e a nossos aliados e leitores documentos que constam do temário oficial do evento, bem como materiais que possam subsidiar as discussões que se realizarão. Na expectativa de uma VI Conferência de debates proveitosos para nossa corrente, desejamos a todas e todos uma boa leitura deste volume!

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