Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Temer destrói e apequena o país

Na ONU o presidente apequenou o Brasil subordinando-o às vontades imperialistas dos EUA. Internamente, Temer é o presidente mais impopular da história.

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O papel de Temer na Assembleia da ONU foi de apequenar o Brasil. Trata-se de um governo ilegítimo, que se aferra à cadeira presidencial apesar da reprovação popular histórica e do desgaste trazido pelo envolvimento direto de Temer e seus colaboradores mais próximos em escândalos de corrupção. A subordinação a Trump se verificou no “jantar” na Trump Tower, em que o Brasil apareceu como um verdadeiro “nanico” no debate mundial ao receber e acatar orientações do presidente dos Estados Unidos em conjunto com representantes da Colômbia, Panamá e Argentina.

Em seu discurso, especialmente alinhado com os setores mais neoliberais, Temer gabou-se da reforma trabalhista como uma grande vitória de seu governo, que “moderniza” as relações de trabalho. Com isto, Temer pretende oferecer a desregulamentação do trabalho e a perda de direitos a “parceiros” estrangeiros em busca de maior exploração dos trabalhadores brasileiros. Temer afirmou que também está na ordem do dia a reforma da previdência, como o novo capítulo da ampliação da quebra de direitos sociais para um neoliberalismo de choque. Sua hipocrisia levou-o ainda a falar da Amazônia em meio à grande campanha que está sendo construída na sociedade para defender a floresta dos ataques de um governo totalmente submetido ao lobby da mineração e do agronegócio.

De volta ao Planalto, no entanto, a realidade é mais amarga para Temer. A nova denúncia – que afirma ser Temer o chefe do “quadrilhão” do PMDB, além de acusá-lo de obstrução de Justiça no caso da compra do silêncio de Eduardo Cunha e Lúcio Funaro por Joesley Batista – foi aceita pelo STF e deverá ser submetida ao plenário da Câmara. Ainda que conte com folgada maioria, uma nova investida significará mais uma rodada de negociações entre seus “aliados”, sempre ávidos por cargos e emendas, aproveitando a oportunidade para chantagear o governo e a liderança do PMDB, ambos interessados em fugir das investigações.

Temer apequena o país dentro e fora de suas fronteiras.

Um impasse entre desesperança e resistência

A recente pesquisa de opinião da CNT/MDA indicou que Temer é incapaz de construir para si qualquer credibilidade. Trata-se do presidente mais impopular da história brasileira. Seu apoio, que já era de pífios 10,3% em fevereiro, despencou para apenas 3,4%, enquanto sua reprovação supera os 75% dos entrevistados.

Como é possível que uma figura desmoralizada e rejeitada como esta siga ocupando a cadeira presidencial apesar de tantos ataques contra o povo, acusações, malas de dinheiro e gravações? O desmonte da greve geral do dia 30 de Junho evitou uma ação mais radicalizada do movimento de massas.

O fracasso da greve de 30 de junho dificultou o surgimento de um polo do movimento de massas, que oferecesse uma alternativa à desmoralização e a apatia que tomam conta do país. Diante de um governo odiado que se mantém no poder e de denúncias sem fim, a esquerda socialista precisa construir uma alternativa para enfrentar a hipocrisia da direita corrupta que se reorganiza ao redor de Doria ou Alckmin e o protofascismo de Bolsonaro. A desesperança é um fértil terreno para o crescimento da extrema- direita, como no caso do MBL atacando uma exposição artística em Porto Alegre, ou ainda mais grave, as declarações de militares de alta patente ameaçando “intervenção constitucional”. A crise da segurança pública, onde a Rocinha no Rio é o ponto mais alto, joga fermento nesse caldo perigoso.

De outra parte, há resistência. Na última sexta, as manifestações de LGBTs coloriram as grandes cidades do país contra o obscurantismo da “cura gay”. Também a mobilização de ambientalistas e de artistas em defesa da Amazônia, contra a mineração na RENCA, e a enorme ocupação dos companheiros do MTST em São Bernardo do Campo, enfrentando a pressão dos governos e ataques de reacionários até mesmo com armas de fogo, mostram que há resistência e com ela podemos apontar um caminho para o futuro. Não é hora de desmoralização!

Do lado de cá, unir as lutas e construir uma alternativa pela esquerda

Por isso, é preciso unir as lutas democráticas e de resistência ao ajuste do governo. Unir, por exemplo, a nova primavera LGBT com as lutas salariais. Diversas categorias, como os professores do RS, estão em greve. Em várias cidades, os municipários lutam contra os ataques dos governos, como mostra a ocupação da prefeitura de Palmas.

É preciso enfrentar o debate na opinião pública, explicando o problema da implantação da reforma trabalhista, que em breve entrará em vigor. Aos poucos, os trabalhadores vão tomando conhecimento e se dando conta da escala do ataque que se avizinha. A CSP-Conlutas deve preparar a unificação das campanhas salariais em curso ao redor desse tema. E, no calor dessa luta, devemos seguir a resistência contra o plano Temer de aprovar, ainda este ano, a reforma previdenciária.

Por fim, mais uma vez, afirmamos a necessidade de se construir uma alternativa política – que, está cada vez mais claro, não passa por Lula – para melhor enfrentar Bolsonaro e Doria/Alckmin. De nossa parte, já vínhamos defendendo o nome de Chico Alencar, combinado com a participação do PSOL nos debates organizados junto ao movimento Vamos, desde que sejam capazes de aglutinar importantes setores para construir uma referência de enfrentamento, superando a estratégia da colaboração de classes e reafirmando aspectos programáticos que vêm ganhando força no debate público, como a necessidade de uma revolução tributária no Brasil e da taxação das grandes fortunas, bandeira que levantamos com centralidade na campanha presidencial de Luciana Genro em 2014.

A melhor forma de encarar essa discussão é vinculando a luta contra o ajuste como um todo à luta para derrotar a casta. É preciso remover os entraves constituídos pela atual elite corrupta, que busca destruir nossos direitos e apequenar nosso país para entregar seu patrimônio e suas riquezas.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Esta é uma edição especial de nossa Revista Movimento. Como forma de contribuir para os debates que ocorrerão na VI Conferência Nacional de nossa corrente, o Movimento Esquerda Socialista, este volume reúne dois números da revista (7 e 8). Dessa forma, pretendemos oferecer à militância e a nossos aliados e leitores documentos que constam do temário oficial do evento, bem como materiais que possam subsidiar as discussões que se realizarão. Na expectativa de uma VI Conferência de debates proveitosos para nossa corrente, desejamos a todas e todos uma boa leitura deste volume!

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