Nossa marcha

Dando sequência ao nosso especial sobre o centenário da Revolução de Outubro, publicamos poema escrito em 1917 pelo poeta russo.

Vladimir Maiakovski 11 out 2017, 18:04

Nossa marcha

Troa na praça o tumulto!
Altivos píncaros – testas!
Águas de um novo dilúvio
lavando os confins da terra.

Touro mouro dos meus dias.
Lenta carreta dos anos.
Deus? Adeus. Uma corrida.
Coração? Tambor rufando.

Que metal será mais santo?
Balas-vespas nos atingem?
Nosso arsenal é o canto.
Metal? São timbres que tinem.

Desdobra o lençol dos dias
cama verde, campo escampo.
Arco-íris arcoirisa
o corcel veloz do tempo.

O céu tem tédio de estrelas!
Sem ele, tecemos hinos.
Ursa-Maior, anda, ordena,
para nós um céu de vivos.

Beba e celebre! Desata
nas veias a primavera!
Coração, bate e combate!
O peito – bronze de guerra.

(Tradução de Haroldo de Campos)


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

   

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