Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Quando a extrema-direita brasileira fugiu…

Em 7 de outubro de 1934 a esquerda expulsava os integralistas da Praça da Sé naquilo que ficaria conhecido como a Revoada dos Galinhas Verdes.

7 de outubro de 1934. Esta data, pouco rememorada nos livros de História tradicionais, constitui um dos feitos mais importantes já produzidos pela unidade de ação entre as esquerdas. E ocorreu no Brasil. Mais precisamente na Praça da Sé, em São Paulo. No auge de Hitler e Mussolini na Europa, a extrema-direita ficou desmoralizada. A ‘Revoada dos Galinhas Verdes’ é o nome com que ficou conhecida a fracassada marcha dos extrema-direita na capital paulistana por conta da resistência antifascista de sindicalistas, anarquistas, trotskistas, stalinistas, tenentistas e nacionalistas. Ao menos seis pessoas morreram – dentre elas o jovem comunista Decio Pinto de Oliveira – e dezenas de outras ficaram feridas. Mas nunca mais, os integralistas puderam sair às ruas com tamanha ousadia.

No segundo aniversário de fundação da Ação Integralista Brasileira (AIB) – movimento brasileiro que mais se aproximou da ideologia de Hitler e Mussolini -, seu líder máximo Plínio Salgado, inspirado na Marcha de Roma dos fascistas em 1922, convocara seus adeptos a fazer um desfile multitudinário em São Paulo, com vistas a mostrar para o regime getulista que constituíam uma força política respeitável. O objetivo não só foi frustrado por causa do comparecimento aquém do esperado (estimativas apontam no máximo 4 mil integralistas presentes na marcha), como os verde-oliva ainda passaram vexame fugindo do confronto com a Frente Única Antifascista (FUA).

A contramanifestação – forjada por cima dos sectarismos e em resposta a uma série de violências cometidas contra militantes de esquerda nos meses anteriores – foi bem retratada pelo ‘Jornal do Povo’, dirigido pelo Barão de Itararé, em 10 de outubro de 1934: ‘Um Integralista não corre, voa…”

 

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Neste mês de março, preparamos uma nova edição da Revista Movimento, dedicada especialmente para a reflexão e elaboração política sobre a luta das mulheres. Selecionamos um conjunto de materiais - artigos teóricos, textos políticos, documentos e uma especial entrevista - com o intuito de aprofundar o esforço consciente demonstrado por nossa organização nos últimos anos em avançar na compreensão sobre o tipo de feminismo que defendemos, bem como sobre o papel essencial e a importância estratégica que a luta feminista tem para a construção de um projeto anticapitalista. Um desafio exigido pela atual conjuntura, marcada pela ascensão de governos de extrema-direita no mundo, na qual o movimento feminista tem se apresentado como contraponto e trincheira de resistência fundamental. Por isso, esta edição pretende, antes de mais nada, auxiliar e fortalecer nossas intervenções feministas nesse momento, a começar por duas datas muito significativas que inauguram este mês: o 8 e o 14 de março, dia em que se completará um ano do brutal assassinato de nossa companheira Marielle Franco. Esperamos que seja proveitoso e sirva como instrumento para as nossas batalhas. Boa leitura!

Solzinho

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