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Victor Serge: rumo à liberdade

Convertido do anarquismo ao bolchevismo ainda em 1917, Serge jamais renunciou à crítica permanente, motivo pelo qual foi perseguido até o fim da vida por Stalin.

André Breton, Victor Serge, Elsie Houston e Benjamin Péret em 1939.
André Breton, Victor Serge, Elsie Houston e Benjamin Péret em 1939.

“Quem foi Victor Serge?”, pergunta Susan Weismann no começo de sua fascinante exploração sobre a sua vida e seu pensamento, Victor Serge: A Course Set on Hope (re-editado em 2013 como Victor Serge: A Political Biography). Sua resposta é adequadamente de tirar o fôlego:

“Um trabalhador, um militante, um intelectual, um internacionalista por experiência e convicção, um otimista inveterado e sempre pobre, Victor Serge [um pseudônimo para Victor Lvovich Kibalchich] viveu de 1890 a 1947. Participou de três revoluções, gastou uma década em cativeiro, publicou mais de 30 livros e deixou para trás milhares de páginas de manuscritos, publicações e artigos não publicados. Ele nasceu em um exílio político, morreu em outro e foi politicamente ativo em sete países. Sua vida passou em permanente oposição política. Serge opôs-se ao capitalismo – primeiro como anarquista, depois como bolchevique. Ele se opôs às práticas antidemocráticas do bolchevismo e depois se opôs a Stalin como opositor de esquerda. Ele discutiu com Trotsky dentro da esquerda antiestalinista; e ele se opôs ao fascismo e à Guerra Fria do capitalismo como marxista revolucionário impenitente “.

E ele era outra coisa também: ele era um democrata radical, um humanista convicto, de fato um pensador e ativista que preservava e cultivava elementos do marxismo largamente submersos sob o peso morto do stalinismo.

Para Weissman, professora de política no Saint Mary’s College of California, a vida e o trabalho de Serge têm sido uma inspiração desde então. Como graduanda na Universidade de Glasgow em meados da década de 1970, fez uma longa viagem de trem imersa nas seminais Memoirs of Revotionaty: 1901-1941. Suas paixões intelectuais e políticas despertaram e ela começou a pesquisar o trabalho de Serge, mergulhando nas resmas de material inédito e não traduzido, e até conhecendo seus filhos, Vlady e Jeannine Kibalchich, além de alguns dos amigos e associados sobreviventes de Serge. Tudo isso proporcionou a Weissman uma visão inigualável sobre o trabalho de Serge e talvez até sobre o mundo dele.

A Spiked Review conversou com Weismann sobre Serge e seu relação com o evento que iria definir a sua vida – a Revolução Russa. Aqui está o que ela tem a nos dizer:

Deixando o anarquismo para trás

Serge veio de uma família de emigrantes anti-czaristas que residiam em Bruxelas. Logo, não surpreendentemente, a fase inicial de sua vida foi passada em um ambiente dominado por socialistas e anarquistas. Ele saiu de Bruxelas em 1909, mudou-se para Paris, mas continuou a frequentar círculos anarquistas. É em 1913 que suas lealdades começam a mudar, depois que ele foi preso e nomeado como o líder (que de fato não era) do Bonnot Gang, um grupo de anarquistas franceses que usavam carros e rifles de repetição para realizar vários assaltos a bancos de alta classe em Paris e seus arredores. Ele não só recebeu uma pena de prisão de cinco anos como foi colocado em isolamento durante vários meses. E ele chegou à conclusão de que, embora simpatizasse com os objetivos da Bonnot Gang, não aprovava seus meios, criticando especialmente o uso da violência. No entanto, ele pagou o preço de sua associação com uma acusação falsa. Do Bonnot Gang, Serge lembrou-se de forma memorável que queriam ser revolucionários, mas eram apenas rebeldes.

Ele foi expulso da França após sua saída da prisão em 1917 e dirigiu-se para a Espanha, onde passou de uma sensibilidade anarco-individualista a uma anarco-sindicalista. Mas ele ainda não se convenceu pelo anarquismo. No verão de 1917, ele estava envolvido em uma revolta na Espanha que poderia muito bem ter sido uma revolução, mas ele encontrou os anarquistas, como ele disse, “manifestamente despreparados” para assumir o poder. Serge disse que os custos de não estarem preparados eram muito altos, e era um custo medido em sangue. Ao mesmo tempo em que viu as fraquezas dos anarcossindicalistas, de sua incapacidade de tomar controle, ele também estava em posição de ver os pontos fortes dos revolucionários russos que se organizavam com sucesso e democraticamente, de baixo para cima. Logo, enquanto os anarquistas espanhóis não estavam preparados, os bolcheviques estavam definitivamente preparados.

Primeiras impressões da revolução

A maioria das pessoas pensa que Serge estava lá durante a revolução, mas esse não era o caso. Ele tentou chegar à Rússia através da França em 1917, mas, tendo violado as condições de sua ordem de expulsão ao retornar à França, foi levado novamente à prisão, apenas para ser solto no final de 1918. É isso que torna seu livro maravilhoso Year One tão único na obra de Serge – é o seu único livro que ele escreveu não como testemunha, mas mais como repórter, historiador, erudito.

Ele finalmente chegou à Rússia em fevereiro de 1919, que foi, efetivamente, o ano dois da revolução, 15 meses depois da revolução bolchevique. A realidade que ele encontrou não era o que esperava. Ele ficou impressionado com o frio que fazia – tudo estava congelando. Ele esperava ter encontrado na Rússia revolucionária um fermento de ideias, de discussão, mas, como disse, ele encontrou um “mundo congelado até a morte, uma metrópole de frio, de fome, de ódio, de resistência”. Talvez ele não devesse estão tão chocado quanto estava, tendo chegado durante a guerra civil, mas, ainda assim, sua decepção foi notável. Ele esperava encontrar algo muito animado, vivaz, mas chegou quando a revolução estava sendo atacada.

No entanto, Serge era o tipo de pessoa que vivia de forma concreta. Ele nunca tentou idealizar as condições objetivas. Ele as entendeu, e trabalhou com elas, avançando a partir daí. Não tinha que renunciar à revolução apenas porque ele havia encontrado tantos com fome e frio em sua chegada. Ele costumava dizer que, mesmo que as condições fossem terríveis, as pessoas que conhecia ainda lhe perguntavam: “Você acabou de vir da França – o que os trabalhadores franceses esperam? Quando eles vão tomar o poder?”. Logo, sua energia e convicção foram suficientes para mantê-lo em curso.

Sobre Lenin

O filho de Serge, Vlady, frequentemente era perguntado o que a família pensava sobre Lenin. E ele dizia, dependendo da plateia, “Eu fiz xixi nele” ou “Eu fiz cocô nele”.

A esposa de Serge, Liuba, vejam você, era a estenógrafa de Lenin. Este ia à casa dos Serges, e ela tomva o ditado de Lenin, enquanto o pequeno Vlady, com mais ou menos um ano de idade, aprendia a rastejar e caminhar pelo apartamento sem fraldas (os Serges provavelmente não podiam pagar por elas ). E uma vez Lenin o pegou, apesar de Serge pedir-lhe que não, gritando ‘não, não, não’. Mas era tarde demais – Vlady passou a fazer xixi em Lenin.

Portanto, Victor e Liuba conheciam bem Lenin. Serge estava imensamente impressionado com ele – especialmente a sua humildade e honestidade, seu personagem de homem-do-povo. Ele não usava palavras floridas; ele falava clara e concretamente, e sempre remetia às condições. Serge até escreveu uma biografia de Lenin, que ainda não foi traduzida para o inglês. Esta obra foi escrita durante o período em que Serge estava mais envolvido com o partido, logo está cheia do louvor ligeiramente excessivo ao partido, conforme esperado. Mas o aspecto mais importante de Lenin que Serge observa, e que viu nos bolcheviques em geral, era a sua unidade entre palavras e ações.

Até esse momento, os revolucionários sempre falavam sobre o que iriam fazer no futuro: os social-democratas aprovavam resoluções; e os anarquistas falavam sobre o poder. Mas nenhum deles realmente tentou implementar, ou foi capaz de implementar o que foi prometido quanto ao futuro, ou seja, realizar e criar um programa e depois agir sobre isso. Então, o fato de os bolcheviques terem unido, dialeticamente, pensamento e a ação, a palavra e a atitude, foi tremendamente importante para Serge.

Foi também a primeira vez que Serge viu um partido revolucionário, que se comprometia, em primeira instância, com a democracia a partir de baixo, embora tenha sido organizado centralmente, tendo em conta as condições prevalecentes na época. E foi um partido que tinha uma teoria – a do marxismo revolucionário – a qual impressionou muito Serge no seu rigor e perspicácia.

Sobre o relacionamento entre Bolchevismo e Stalinismo

Serge viu o stalinismo como uma completa reviravolta do marxismo. Era uma traição de tudo o que o marxismo representava. Mas ele também sabia que o stalinismo não poderia ser desprezivelmente descartado dessa maneira, como simplesmente não-marxista. Ao contrário, havia conexões a serem exploradas. Como ele disse: “A centralização autoritária do partido continha as sementes do stalinismo como um todo, mas a revolução e o bolchevismo também continham outras sementes – notadamente, a de uma nova democracia que Lenin e outros tentaram estabelecer com boa vontade e paixão em 1917/18.”

Eu acho que isso é realmente importante. A análise de Serge e a crítica do stalinismo são o núcleo de sua vida, e é a razão pela qual eu escrevi Victor Serge: A Course Set on Hope. Eu queria entender como essa experiência maravilhosa poderia estar tão errada, e alguém como Stalin poderia acabar por cima e, literalmente, exterminar a geração revolucionária. E era o que Serge estava tentando descobrir também.

Serge não se embarcou em uma crítica ahistórica. Ele rooteou tudo nas condições concretas que, passo a passo, os bolcheviques encontraram. E ele mostrou, ao mesmo tempo, o que poderia ter sido feito em vez disso. Tome o estabelecimento da Cheka (a força policial secreta que se tornaria a KGB) em dezembro de 1917, que Serge chamou de “um dos erros mais graves e imperceptíveis” feitos pelos líderes bolcheviques. Ele disse que a “revolução morreu uma morte auto-infligida” com a criação da Cheka, chamando-a de “inquisição”. Mas então ele também tentou explicar por que aconteceu também. A própria palavra “Cheka” – que designou uma “comissão extraordinária” – mostra que era uma comissão temporária, estabelecida nas condições extraordinárias da guerra civil para combater o Terror Branco e que nunca pretendia durar além da guerra civil. Mas isso não aconteceu. Além disso, a primeira coisa que o Cheka começou a fazer de errado foi prender e executar pessoas em segredo, quando, como argumentou Serge, os julgamentos públicos eram a única garantia possível contra ações arbitrárias e corruptas.

Serge não embarcou em uma crítica a-histórica. Ele enrzaizou tudo nas condições concretas que, passo a passo, os bolcheviques encontraram. E ele mostrou, ao mesmo tempo, o que poderia ter sido feito em vez disso. Tome o estabelecimento da Cheka (a força policial secreta que se tornaria a KGB) em dezembro de 1917, que Serge chamou de “um dos erros mais graves e imperceptíveis” feitos pelos líderes bolcheviques. Ele disse que a “revolução morreu por uma morte auto-infligida” com a criação da Cheka, chamando-a de “inquisição”. Portanto, ele também tentou explicar por que isso aconteceu. A própria palavra “Cheka” – que designava uma “comissão extraordinária” – mostra que era uma comissão temporária, estabelecida nas condições extraordinárias da guerra civil para combater o Terror Branco e que nunca pretendia durar além da guerra civil. Mas isso não aconteceu. Além disso, a primeira coisa que o Cheka começou a fazer de errado foi prender e executar pessoas em segredo, quando, como argumentou Serge, os julgamentos públicos eram a única garantia possível contra ações arbitrárias e corrompidas.

Se a Cheka foi a primeiro aspecto negativo contra a revolução, a segunda foi o ataque aos sovietes durante a guerra civil. (Lembre-se de que “soviete” é simplesmente a palavra russa para conselho, e os sovietes neste caso eram conselhos de comunismo. Para Serge, o sinal de uma revolução saudável era se você tinha ou não esses autênticos órgãos de controle democrático de baixo funcionando).

Sobre democracia

Serge viu a Revolução Russa, o surgimento dos sovietes, e com eles o desenvolvimento da democracia, como o ponto alto do desenvolvimento humano. Você percebe a esperança que Serge investiu na revolução, a alegria moral que inspirou, na parte inicia de Memoirs of a Revolutionary:

“Deixando o vazio e entrando no reino da vontade … onde a vida começa de novo, onde a vontade consciente, a inteligência e um amor inexorável da humanidade estão em ação. Atrás de nós, toda a Europa está em chamas, engolfando quase a morte no neblina de seus próprios massacres. A chama de Barcelona está funcionando. A Alemanha está em meio à revolução, o Império Austro-Húngaro está se dividindo em nações livres. Bandeiras vermelhas estão espalhadas pela Itália … Este é apenas o começo.”

No filme Reds sobre o comunista americano John Reed, o diretor (e a estrela) Warren Beatty disse a um rapaz em Nova York: ‘Oh, a Revolução bolchevique! Abaixo o Czar. Dancei pelas ruas de Nova York durante toda a noite.” E acho que Serge está dizendo algo assim, que a revolução atuou como um ímã para aqueles que tinham esperanças radicais. Isso inspirou aqueles que investiram tanto na ideia de socialismo, tendo ocorrido em um dos lugares mais improváveis – a Rússia.

O que impressionou Serge, que estava na prisão e depois em um campo de concentração quando a revolução bolchevique aconteceu, era que ela estava organizada de forma bastante democrática. Ele descobriu, em uma investigação mais aprofundada, que o Partido Bolchevique não era o tipo de corpo centralizado e autoritário que viria a se tornar; todo o gesto de tomar e dar era feito junto junto com os trabalhadores. Na verdade, eram os trabalhadores nos sovietes quem tomavam as decisões, modelando o partido para que este fosse o partido que eles precisavam para avançar.

E Serge reconheceu isso; Trotsky reconheceu isso; e Lenin também o fez, mais ou menos. É realmente interessante, se você olhar alguns dos escritos durante esta fase intensamente democrática, que Serge e Trotsky viram os soviets como o embrião da nova sociedade – da organização do socialismo. E assim os sovietes eram muito mais do que apenas conselhos para Serge e Trotsky.

Lenin disse que os sovietes eram as ferramentas da revolução. Logo, ele estava comprometido com eles, mas não da mesma maneira fundamental em que Serge e Trotsky estavam. Eles viram a democracia no cerne do projeto, e isso é o que pode ser visto na Revolução Russa, em fevereiro, e depois nas Teses de Abril de Lenin e, novamente, na tomada do poder em outubro.

Sobre a liberdade individual

No final de sua vida, Serge escreveu: “O único problema que a Rússia revolucionária, em todos os anos de 1917 a 1923, não considerou por completo foi o problema da liberdade”. Serge sempre reconheceu e enfatizou o que Rosa Luxemburga havia dito; isto é, que a democracia e , de fato, a liberdade só são significativas quando estão reservadas não apenas para eles próprios, mas também para seus inimigos. A dissidência era, e é, o componente crítico em qualquer democracia. Sem dissidência, você não pode realmente ter democracia. E nesse ponto, quando ele estava refletindo sobre o problema da liberdade na Revolução Russa, quando a democracia estava sufocada, ele pensou que estava prestes a desaparecer no gulag e queria que essa ideia fosse preservada nos anais do pensamento revolucionário: que você tem que lutar pela preservação de inquéritos independentes, pensamento independente e crítica independente, e que este é o cerne da ideia de liberdade. É importante enfatizar a importância da liberdade para o pensamento radical e de esquerda, porque, hoje nos EUA, isso tende a ser apropriado pela direita para significar pouco mais do que a livre-iniciativa.

Essa sensação de que a revolução e o socialismo deveriam ser a abertura do pensamento, o florescimento da liberdade, transformou Serge. E, claro, ele culpou o partido e Stalin por sua extinção, mas ele também culpou Lenin. Uma porta tinha sido aberta para a repressão e o esmagamento da liberdade e da democracia, por causa da organização que, de certa forma, havia sido imposta aos bolcheviques na guerra civil.

Deve-se dizer novamente que Serge teve muito cuidado para evitar uma espécie de crítica retrospectiva que não levasse em consideração as condições em que os bolcheviques operaram durante a guerra civil. Ele viu a necessidade de não ser tão indulgente com o Exército Branco, dado que os brancos começaram a atirar nos vermelhos. Ele mesmo viu a necessidade de reduzir temporariamente a democracia. Mas o terrível foi o que aconteceu depois. Os hábitos que foram construídos, devido às condições de conflito durante a guerra civil, foram transformados em virtudes e se tornaram a norma. Então, este era um problema crítico, e Serge viu o asfixiamento da democracia como o pior resultado desse período da revolução.

Mais tarde, ele viu outro problema: pessoas que sucumbem ao patriotismo partidário. Havia essa ideia de que o partido sempre estava certo, que era a única coisa que importava. Então, se você criticou o partido, de alguma forma você estava sendo infiel a todo o processo revolucionário. E ele viu isso como um dos principais problemas, e um dos principais motivos pelo qual eles não poderiam organizar-se adequadamente contra o stalinismo.

O otimismo da vontade

Alguns dos escritos de Serge são muito escuros, especialmente o seu último romance, Unforgiving Years. Mas Serge teve essa esperança irreprimível, de fato, essa certeza de que os humanos sempre lutam por algo melhor, e isso faz parte do que significa ser humano. E, eventualmente, seria ganha essa luta para forçar a economia a estar a serviço da comunidade e não a comunidade estar ao serviço da economia. Ele disse que mesmo as mortes dele e de seus antigos camaradas seriam as sementes que gerariam as novas safras de revolução. Então Serge conseguiu manter essa perspectiva, essa visão de que os humanos iriam lutar pela autonomia, pela liberdade e pelo futuro coletivo.

E foi essa visão que o sustentou em meio a dificuldades incríveis. Não era apenas a virada stalinista da revolução que tornava a vida tão obscura. Serge estava com fome. Ele era pobre. No México, sua esposa muito provavelmente fiu infiel, então ele deve ter se sentido incrivelmente sozinho. Mas ele ainda escreveu esses livros que mostraram um incrível otimismo para com o futuro.

Sobre Serge, o homem

Depois de ter passado bastante tempo com o filho e a filha de Serge ao escrever Victor Serge, tenho agora uma ideia de Serge. Eles sempre falavam de sua dignidade. Inclusive quando Serge e sua família foram deportados para Orenburg na década de 1930, um período em que quase não tinham nada, ele sempre se certificava de que estava barbeado e usando uma camisa branca limpa – ele nunca permitiu que sua aparência pessoal refletisse as terríveis condições em que ele e sua família estavam vivendo.

Seus filhos o idolatravam. Como pai, ele educou seus próprios filhos, assegurando-se de que eles passavam uma parte de seu dia lendo literatura e poesia, e outra parte aprendendo a desenhar e a apreciar a música. Sem dúvida, esta era a educação que ele havia recebido de seus pais, porque ele mesmo nunca foi na escola, ou não por muito tempo.

Serge, uma vez, perdeu a paciência com sua filha e lhe deu uma bofetada, acredito eu. E o que sua filha lembra é o arrependimento total depois, e sua promessa de que ele nunca mais perderia a paciência com ela. E como ela mesma admitiu, apesar ser muito difícil, ele manteve essa promessa.

A partir daqueles que o conheciam, você tem uma forte sensação de generosidade de Serge e de sua camaradagem. Como era de se esperar, e isso é revelador, seus amigos foram absolutamente devotos dele.

Artigo originalmente publicado no portal Spiked Online

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

A edição n.6 da Revista Movimento celebra o centenário da Revolução de Outubro com artigo de Kevin Murphy sobre as origens do stalinismo. Luciana Genro discute a continuidade da Operação Lava Jato. Alvaro Bianchi introduz a nossos leitores conceitos de Antonio Gramsci. A revista também apresenta tradução de palestra de Angela Davis. Na seção internacional, publicamos artigo de Perry Anderson sobre a resiliência do centro neoliberal europeu. Edgardo Lander trata da situação venezuelana, Pedro Fuentes e Charles Rosa abordam a questão catalã. Um instigante artigo de Maycon Bezerra sobre Florestan Fernandes, a tese do MES para o Congresso do PSOL e nossa plataforma sindical completam a edição.

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