Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

O que está debaixo do tapete do “escola sem partido”?

Debaixo do tapete da “Escola Sem Partido”, está uma lista de retirada de direitos, de medidas impopulares, da precarização das condições de vida da população.

O ex-deputado federal Eduardo Cunha se reúne com lideranças do MBL - Reprodução
O ex-deputado federal Eduardo Cunha se reúne com lideranças do MBL - Reprodução

Ontem (7), todos acompanharam a derrota do MBL na Câmara de São Paulo. O projeto “Escola Sem Partido”, posto em pauta pelo vereador Fernando Holiday (DEM), foi barrado graças à atuação da vereadora Sâmia Bomfim, do PSOL. Revoltado, Holiday esbravejou ao microfone e arremessou o mesmo contra o chão, causando dano a um patrimônio público da Câmara Municipal.

O que poucos sabem é que o “Escola Sem Partido” não foi pautado somente na capital paulista. Em muitas cidades do interior do estado, bem como em outras capitais do país, o mesmo projeto foi levado à votação por exigência de parlamentares influenciados pelo grupo ou por similares da extrema-direita.

Mas por que uma ação orquestrada?

Os novos grupos reacionários como o MBL, que até pouco tempo pensavam enganar os brasileiros, atuam nacionalmente a serviço da pauta dos governos e dos megaempresários.Em São Paulo, não é segredo para ninguém que possuem cargos na prefeitura de João Doria. Em Brasília, dão apoio a todas as medidas anti-povo de Michel Temer, enquanto fazem vistas grossas aos escândalos de corrupção. Na época do impeachment, eram inclusive amigos próximos de Eduardo Cunha.

Pois bem. Todos sabemos que, nesses dias, está em pauta no Congresso Nacional a nefasta reforma da previdência, que ameaça acabar com a aposentadoria dos brasileiros. E então podemos nos perguntar: o MBL é contra ou a favor desta reforma? A favor! Nesta sexta-feira (8), Temer promete encaminhar à Câmara proposta de privatização da Eletrobras, uma das mais importantes empresas estatais do país. O MBL… é a favor! Todo o país está em choque com os efeitos iniciais (pois ainda vai piorar muito) das novas regras trabalhistas, que o MBL… apoia!

Em São Paulo, na Câmara, está em apreciação o orçamento para 2018, no qual Doria promove cortes drásticos nos investimentos de saúde, educação, zeladoria urbana e cultura. O MBL não apenas apoia, como tem cargos na prefeitura! Holiday, seu representante na Câmara, vota sempre a favor de Doria e de suas privatizações.

Aí é que está o segredo. Em todo o Brasil, o MBL atua orquestradamente para fazer de projetos polêmicos, como o “Escola Sem Partido”, uma nuvem de fumaça no sentido deesconder as medidas nefastas que os governos tomam contra o povo, e que eles apoiam. Assim, embora digam o contrário, atuam a serviço dos interesses dos corruptos.

Debaixo do tapete da “Escola Sem Partido”, está uma lista de retirada de direitos, de medidas impopulares, da precarização das condições de vida da população, que o MBL não apenas apoia, como busca deixar mais fácil a aprovação Brasil afora.

Felizmente, as brasileiras e os brasileiros não são ingênuos. Todos já estão percebendo o que, de fato, a “nova direita” representa. E por isso estamos determinados a barrar, de conjunto, a agenda dos grandes políticos e de seus financiadores: o “Escola Sem Partido”, a reforma da previdência, a corrupção de Temer, as privatizações de Doria e muitas outras.

Só assim iremos construir uma cidade e um país melhor a todas e todos.

8 de dezembro de 2017

Artigo originalmente publicado em samiabomfim.com.br

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Neste mês de março, preparamos uma nova edição da Revista Movimento, dedicada especialmente para a reflexão e elaboração política sobre a luta das mulheres. Selecionamos um conjunto de materiais - artigos teóricos, textos políticos, documentos e uma especial entrevista - com o intuito de aprofundar o esforço consciente demonstrado por nossa organização nos últimos anos em avançar na compreensão sobre o tipo de feminismo que defendemos, bem como sobre o papel essencial e a importância estratégica que a luta feminista tem para a construção de um projeto anticapitalista. Um desafio exigido pela atual conjuntura, marcada pela ascensão de governos de extrema-direita no mundo, na qual o movimento feminista tem se apresentado como contraponto e trincheira de resistência fundamental. Por isso, esta edição pretende, antes de mais nada, auxiliar e fortalecer nossas intervenções feministas nesse momento, a começar por duas datas muito significativas que inauguram este mês: o 8 e o 14 de março, dia em que se completará um ano do brutal assassinato de nossa companheira Marielle Franco. Esperamos que seja proveitoso e sirva como instrumento para as nossas batalhas. Boa leitura!

Solzinho

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