Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Contra o aumento da tarifa: terceiro ato

Relato do último ato realizado em São Paulo contra o aumento das tarifas do transporte público na capital paulista.

Polícia reprime manifestantes em ato contra aumento tarifa em São Paulo - Reprodução
Polícia reprime manifestantes em ato contra aumento tarifa em São Paulo - Reprodução

O terceiro ato contra o aumento da tarifa nesta terça (23) mal começou sua concentração no cruzamento da Av. Ipiranga com Av. São João e já foi completamente cercado, intimidado, teve quatro jovens detidos e, depois de um longo impasse, foi reprimido pelo aparato militar do Estado, ferindo assim o direito constitucional de manifestação.

O Movimento Passe Livre (MPL) estendia uma faixa escrita “4 reais nunca!” e carregava uma catraca para ser simbolicamente pulada pelos manifestantes. Mas a imposição de mais este aumento abusivo, que impede o acesso da população ao transporte, enchendo o bolso da máfia e perpetuando o caos diário na cidade, não foram os únicos ataques na última semana: o governo Alckmin também leiloou as linhas 5-Lilás e 17-Ouro do metrô (que custaram 7 bilhões para os cofres públicos). A empreitera CCR, vencedora do leilão, integra o escândalo do cartel nas obras do metrô e trem de São Paulo.

Para coibir qualquer contestação a farra com o dinheiro público, os governos Alckmin e Dória enviaram, mais uma vez, uma quantidade desproporcional e desnecessária de PM e GCM. Se aproveitando do número menor de manifestantes, bloquearam as duas vias da São João e uma das vias da Ipiranga, cercando e impedindo que se caminhassem. Pelo menos quatro jovens foram presos sem justificativa e outros tantos foram enquadrados, sofreram ameaças e tiveram suas mochilas revistadas. Dezenas abandonaram o protesto nesse momento, enquanto a outra parte ficou lá, presa, cercada de policiais armados até os dentes (muitos encapuzados), tendo que escolher se abandonavam seu direito constitucional de protestar ou tentavam marchar para assim serem trucidados pelos brutamontes do governo.

Quando anoiteceu, o MPL encerrou o ato, mas as forças policiais seguiram os manifestantes na dispersão e, no meio do caminho, começaram a reprimi-los com bombas e balas de borracha. Nessa hora vieram até tanques blindados. Ficou escancarado tamanho medo que o governo tem de qualquer protesto que ameace o lucro de seus amigos, só legitimando ainda mais a nossa luta pelo direito ao transporte e a cidade! Amanhã vai ser maior!

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Neste mês de março, preparamos uma nova edição da Revista Movimento, dedicada especialmente para a reflexão e elaboração política sobre a luta das mulheres. Selecionamos um conjunto de materiais - artigos teóricos, textos políticos, documentos e uma especial entrevista - com o intuito de aprofundar o esforço consciente demonstrado por nossa organização nos últimos anos em avançar na compreensão sobre o tipo de feminismo que defendemos, bem como sobre o papel essencial e a importância estratégica que a luta feminista tem para a construção de um projeto anticapitalista. Um desafio exigido pela atual conjuntura, marcada pela ascensão de governos de extrema-direita no mundo, na qual o movimento feminista tem se apresentado como contraponto e trincheira de resistência fundamental. Por isso, esta edição pretende, antes de mais nada, auxiliar e fortalecer nossas intervenções feministas nesse momento, a começar por duas datas muito significativas que inauguram este mês: o 8 e o 14 de março, dia em que se completará um ano do brutal assassinato de nossa companheira Marielle Franco. Esperamos que seja proveitoso e sirva como instrumento para as nossas batalhas. Boa leitura!

Solzinho

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