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Que Porto Alegre o prefeito Marchezan está ajudando a construir?

Ao invés de se apoiar nos servidores para enfrentar a crise da cidade, Nelson Marchezan passou o ano atacando os trabalhadores, provocando greves e tentando cortar direitos.

Reprodução Zero Hora
Reprodução Zero Hora

O prefeito Nelson Marchezan está ajudando a criar uma Porto Alegre com mais atritos. Como se não bastasse, tem trazido, no seu primeiro ano de governo, mais preocupação e pobreza para o povo.

Se fosse para provocar conflitos enfrentando os privilégios, os partidos vigaristas e contribuindo para distribuir renda, então estaria desempenhando um papel necessário. Mas não é o caso. Como deputado federal, votou a favor do projeto Temer de congelamento dos investimentos em saúde, educação e segurança pública pelos próximos 20 anos. Seu líder político nacional sempre foi o senador Aécio Neves, defensor do neoliberalismo, agora desmascarado como um dos maiores corruptos do país. Neste ano, como prefeito, Marchezan reduziu os investimentos nos bairros pobres da cidade, terminou de liquidar o DEP e está sucateando a Fasc e o Dmae. Estamos entrando no verão e muitos locais – bem mais do que o normal – vão enfrentar a falta d’água. É a forma de Marchezan preparar a privatização do Dmae. E de fazer sua marca registrada: desqualificar o serviço público.

Ao invés de se apoiar nos servidores para enfrentar a crise da cidade, passou o ano atacando os trabalhadores, provocando greves e tentando cortar direitos. Não quis negociar. Não quis escutar. Tratou de impor. Conseguiu ter o apoio da ampla maioria dos vereadores no primeiro semestre. Perdeu esta maioria no segundo. O autoritarismo não agregou. Marchezan foi além: estimulou grupos locais, como o MBL, financiados pela extrema-direita norte-americana, os amigos de Trump.

Como parte de sua movimentação política para recompor seu governo em crise, o prefeito foi buscar respaldo naqueles a quem ele passou sua carreira prestando apoio: os grandes empresários, os grupos econômicos poderosos da cidade. Com eles, lançou um esforço de convencer os vereadores a aumentar os impostos no apagar das luzes natalinas.

De nossa parte, defendemos que se aumente a receita taxando os muito ricos, não os trabalhadores, os pobres e a classe média. Com essa estratégia, vamos negociar, buscar aliados e unir forças populares. Este é o tipo de governo pelo qual lutamos: um governo que corte todo e qualquer privilégio, que faça sacrifícios, ao invés de obrigar os servidores a se sacrificar sem sequer dar o exemplo. Somente dando o exemplo e enfrentando os donos do poder e do dinheiro se pode defender os interesses do povo e o serviço público.

Artigo publicado originalmente no Zero Hora.

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Apresentação

Neste mês de março, preparamos uma nova edição da Revista Movimento, dedicada especialmente para a reflexão e elaboração política sobre a luta das mulheres. Selecionamos um conjunto de materiais - artigos teóricos, textos políticos, documentos e uma especial entrevista - com o intuito de aprofundar o esforço consciente demonstrado por nossa organização nos últimos anos em avançar na compreensão sobre o tipo de feminismo que defendemos, bem como sobre o papel essencial e a importância estratégica que a luta feminista tem para a construção de um projeto anticapitalista. Um desafio exigido pela atual conjuntura, marcada pela ascensão de governos de extrema-direita no mundo, na qual o movimento feminista tem se apresentado como contraponto e trincheira de resistência fundamental. Por isso, esta edição pretende, antes de mais nada, auxiliar e fortalecer nossas intervenções feministas nesse momento, a começar por duas datas muito significativas que inauguram este mês: o 8 e o 14 de março, dia em que se completará um ano do brutal assassinato de nossa companheira Marielle Franco. Esperamos que seja proveitoso e sirva como instrumento para as nossas batalhas. Boa leitura!

Solzinho

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