Com o povo sírio, contra os bombardeios e todas as intervenções imperialistas
Alvo é atingido em Damasco após ação militar estadunidense - DigitalGlobe, via USA TODAY Network

Com o povo sírio, contra os bombardeios e todas as intervenções imperialistas

Partido francês se solidariza aos ataques dos EUA com apoio da França e Reino Unido na Síria.

NPA 17 abr 2018, 20:19

Uma vez mais, o governos dos Estados Unidos, Grã Bretanha e França se arrogam o direito a bombardear o Oriente Médio. Depois de Trump, estes dois países anunciaram na noite de 13 e 14 de abril o lançamento de dezenas de mísseis sobre alvos militares do governo sírio, após os testemunhos que relatavam um novo ataque químico do regime de Assad contra a população da cidade de Duma, próxima a Damasco.

Estes governos afirmam não querer ir mais longe desta advertência, enquanto o governo russo disse que não deixará de responder, ao mesmo tempo em que todos pretendem atuar em favor da paz e contra o terrorismo. Mas o que vemos é um triste jogo entre as potências mundiais e regionais na Síria, entre Estados Unidos, França, Rússia, Arábia Saudita, Irã e Turquia: um jogo cínico que é feito sem e contra a população, cuja trágica sorte somente comove quando se trata de realizar grandes manobras diplomáticas e geoestratégicas.

Desde março de 2011 e o levante democrático contra o tirano Bashar al-Assad, a população síria sofre uma repressão feroz e sangrenta do ditador e de seus aliados, na primeira fileira na que se encontram a Rússia de Putin e o Irã dos aiatolás. As dificuldades encontradas pelo levante, a militarização imposta pelo regime e as ingerências interessadas das monarquias do Golfo favoreceram, além disso, o desenvolvimento de forças integristas e jihadistas, enquanto as forças democráticas estavam muito sozinhas frente a Assad e as correntes contrarrevolucionárias.

Chamamos a rechaçar a sórdida campanha que tem por objetivo duvidar do enésimo ataque químico criminoso do regime contra civis, homens, mulheres, meninos e meninas em Duma, testemunhada por tantas informações provenientes de cidadãos e serviços médicos sobre o terreno. Mas condenamos sem nenhuma ambiguidade a nova aventura militar dirigida por Trump na Síria, e a participação francesa nesta campanha de bombardeios que quer dar a ilusão de que o povo sírio vai estar agora melhor protegido. Isso não senão incrementar guerra à guerra, caos ao caos: vítimas civis, rememoração de um passado colonial odioso, reforço à postura de Assad como muralha frente ao imperialismo ocidental.

O fim da tragédia síria passa, ao contrário, por uma desescalada militar, que implica o final de toda intervenção estrangeira, incluindo a russa e a iraniana, o fim da venda de armas às ditaduras da região uma de cujos principais financiadores é a França (e o Estado espanhol) e a transparência no descarte, para qualquer cenário de futuro, de Assad e dos dirigentes do regime sírio.

Continuaremos apoiando as resistências síria e curda contra seus opressores

Montreuil, 14/04/2018


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
O MES completa 20 anos. A edição n. 14-15 da Revista Movimento é dedicada por completo ao importante evento que marca duas décadas de nossa história. Apesar de jovens, podemos dizer que poucas organizações na história política da esquerda brasileira alcançaram essa marca com tamanho vigor. Longe de autoproclamação, desejamos transformar nossos êxitos em força social e militante para novos e amplos impulsos. Ainda não cumprimos uma maratona, mas nossa história sem dúvida deixou para trás a visão de curto prazo, que alguns adversários nos chegaram a prognosticar. Diante das muitas provas, vitórias e algumas derrotas, podemos celebrar e somar forças para enfrentar as tarefas imediatas: derrotar a tentação autoritária de Bolsonaro e avançar na construção de uma alternativa socialista.