Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Escolas municipais de Porto Alegre: um inventário do caos

Visitando todas as 54 escolas da rede, podemos concluir que a administração Marchezan Jr. agravou a crise nas escolas da cidade.

O vereador Alex Fraga -  Guilherme Santos/Sul21
O vereador Alex Fraga - Guilherme Santos/Sul21

Muito tem repercutido, na imprensa e nas redes sociais, o abandono de Porto Alegre pela prefeitura, exemplificado pelos milhares de buracos nas ruas e avenidas da cidade. O que aparece menos, por estar em lugares um pouco mais escondidos, são o gritante abandono e a degradação de outras áreas de responsabilidade do prefeito, em especial a educação. Desde 2 de março, nosso mandato tem visitado, uma a uma, todas as 54 EMEFs (escolas municipais de ensino fundamental) e duas de ensino médio do município e chegamos à reta final do levantamento com um inventário do caos produzido e/ou agravado pela administração Marchezan Jr. na rede.

Uma das queixas recorrentes de direções e professores com quem conversamos, e que ajuda a explicar muitos dos demais problemas, é que a SMED de Marchezan Jr. deu as costas para as escolas e tapou os ouvidos. Não há mais conversa, não há via de diálogo. Eleito com a promessa enganosa de que combateria a burocracia, o que o prefeito fez foi CRIAR burocracia onde não havia. Uma direção de escola não consegue mais telefonar para a secretaria para tratar de um problema; se fizer isso, a resposta será: “abra um chamado no sistema”, “crie um protocolo”, “mande um e-mail”. Problemas que, historicamente, eram resolvidos numa conversa presencial ou por telefone agora se diluem nos impessoais trâmites da burocracia, dificultando o feedback e o funcionamento das escolas e ocupando mais horas das direções com preenchimento de formulários. “Eu estou cada vez mais me afastando da parte pedagógica para cuidar de burocracia”, foi o lamento de um diretor, que define a situação de toda a rede.

O descaso agrava as condições precárias da estrutura física de diversas escolas. Nas visitas, fomos informados de diversos fatores que colocam em risco alunos e trabalhadores, como problemas graves na rede elétrica, falta de capina e manutenção, árvores com risco de queda ou com raízes prejudicando o acesso, infestação de ratos e pombos (que levou a uma ação de pais no Ministério Público devido ao risco de proliferação de doenças), redes de esgoto com vazamentos, iluminação precária, falta de estrutura e de acessibilidade para cadeirantes, insegurança (com falta de alarmes e câmeras e de presença da Guarda Municipal), danos estruturais nos prédios (como buracos no pátio, calhas e canos entupidos, estruturas com risco de desabamento, refeitórios com buracos no piso etc), pracinha destinada a alunos de pré-escola interditada porque o chão estava cedendo, equipamentos novos que não estão sendo utilizados por falta de instalação, problemas de abastecimento de gás nas cozinhas, falta de material escolar básico e uniformes (neste quesito, ocorre um fato curioso: a mesma secretaria que não fornece material às escolas depois manda às direções e-mails pedindo a doação de material para uso no Prefeitura nos Bairros). Todos esses problemas foram relatados à SMED, mas, com a burocratização e impessoalidade do atendimento que são o padrão da administração Marchezan Jr., como saber se haverá retorno?

Outro fator de precarização do ensino na rede é o brutal desrespeito de Marchezan Jr. e de seu secretário de Educação para com as pessoas que trabalham nas escolas. Tomemos o caso dos professores e professoras, que agora são obrigados pela SMED a cumprir as horas de planejamento (às quais têm direito por lei) dentro das dependências da escola. Ora, ou o secretário não conhece as escolas (e, aliás, não conhece mesmo, a julgar pelos relatos de direções que dizem que nunca foram visitadas pela equipe da secretaria desde janeiro de 2017), ou o seu objetivo é que os professores NÃO PLANEJEM mais. Imagine forçar dezenas de professores a planejar em locais onde não há sequer espaço físico para isso, onde não há escrivaninhas, computadores ou sinal de internet disponível. Sem contar a falta de estrutura física para que todos eles façam suas refeições na escola (o que é agravado pela proibição feita pela SMED de que os professores almocem no refeitório e pela falta de restaurantes e de segurança no entorno da maioria dos colégios dos bairros periféricos).

Além desses problemas e do déficit de docentes e servidores, a precarização de Marchezan Jr. também atinge as equipes das empresas terceirizadas que prestam serviço nas escolas. Atrasos salariais e no pagamento do vale-transporte são frequentes, o que impossibilita esses trabalhadores até de chegarem ao local de trabalho. Há relatos de direções sobre funcionários terceirizados que percorrem longos trechos A PÉ para trabalhar nos períodos que ficam sem receber VT, pois não têm dinheiro para o ônibus e têm medo de perder o emprego.

Outro ponto fundamental do atendimento da nossa rede, a merenda escolar, é parte do desmonte empreendido por Marchezan Jr. São gerais as queixas de que piorou a qualidade e a variedade da comida servida na escola. Além disso, houve casos de redução do número de refeições servidas devido ao rearranjo de rotinas imposto pela prefeitura.

Com a conclusão do levantamento em toda a rede e tabulação de todos os dados colhidos, nosso mandato tomará as medidas que estiverem ao nosso alcance para ajudar as escolas a recuperarem o respeito e a atenção que têm sido negados pelo poder público.

Já é lugar-comum dizermos que a educação é o caminho para melhorarmos a cidade e a nação. Na administração de Marchezan Jr., este caminho está esburacado e abandonado. Cabe a todos nós, agentes públicos, educadores, pais e estudantes, cobrar que as melhorias necessárias sejam feitas.

Artigo originalmente publicado no portal Sul21.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Publicamos a décima edição de nossa Revista Movimento. Dessa vez, celebramos os 80 anos de fundação da IV Internacional, comemorados em setembro de 2018, com uma seção especial. Há, também, artigos na seção internacional e de teoria. Fechamos esta edição quando a eleição brasileira se encerrava. Como não poderia deixar de ser, nesta décima edição de Movimento, apresentamos nossas primeiras análises sobre os resultados eleitorais. Sabemos que a vitória de Jair Bolsonaro trará graves ataques à classe trabalhadora e ao povo brasileiro. Estaremos com nosso povo, lutando em defesa das liberdades democráticas e de nossos direitos. Mais uma vez, esperamos que a revista seja uma ferramenta útil de construção e formação para nossos camaradas. Boa leitura!

Solzinho

Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky

Leon Trotsky Joseph Stalin

MES: Movimento Esquerda Socialista MES: Movimento Esquerda Socialista