Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Nossa solidariedade ao povo sírio – abaixo os bombardeios e a intervenção dos imperialismos

Não há o menor indício de que a ofensiva sobre Damasco abra uma via de solução para a guerra civil na Síria.

Míssil estadunidense cruza o céu de Damasco - Reprodução
Míssil estadunidense cruza o céu de Damasco - Reprodução

Na madrugada deste sábado (14/04), enquanto dormiam as famílias sírias, o mundo assistia às imagens de mísseis aéreos caindo sobre as cidades de Damasco e Homs. Conforme anunciado em seu Twitter durante a semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, juntamente com os governos da França e do Reino Unido, ordenou os bombardeios contra supostos locais de armazenamento de armas químicas do governo de Bashar al-Assad.

Esta nova agressão ao território sírio acontece dias após a morte de ao menos 43 pessoas por um ataque com gás cloro em Duma (região controlada por grupos opositores ao regime de Assad). As circunstâncias desse massacre covarde começariam a ser esclarecidas neste sábado por uma equipe internacional de fiscalização de armas químicas. Como em outras ocasiões, a pretexto de retaliar o governo de Assad, as potências imperialistas ocidentais somaram seus esforços bélicos para incrementar mais violência a um país totalmente arrasado por uma guerra civil que já se arrasta há 7 anos. A sinistra contabilidade de mais 400 mil mortos e quase 12 milhões de deslocados resulta de um conflito internacionalizado, no qual o regime de Assad e os opositores armados medem forças num intricado jogo entre potências militares mundiais, como EUA e Rússia, e potências regionais, como Arábia Saudita, Turquia, Israel e Irã. Enquanto estes estados tramam suas intervenções com base nos frios cálculos geopolíticos e econômicos, o maior êxodo da história recente segue batendo todos os recordes.

É nosso dever repudiar esta agressão, que afronta não somente as principais normativas e instâncias da ONU, mas também aos parlamentos dos EUA, França e Reino Unido que sequer foram consultados acerca da pertinência desta decisão, numa mostra flagrante de que o intervencionismo externo e o autoritarismo interno caminham lado a lado. Além disso, não há o menor indício de que a ofensiva sobre Damasco abra uma via de solução para a guerra civil na Síria. Ao contrário, a escalada militar protagonizada por Trump, May, Macron, Putin, etc, deixa a comunidade internacional cada vez mais apreensiva e desconfiada quanto à eficácia dos dispositivos diplomáticos para se alcançar a paz.

Missão cumprida?

A definição de Trump no twitter, seu principal meio de comunicação, de que a “missão foi cumprida” lembra outras investidas do imperialismo norte-americano, como nas suas ocupações do Iraque e do Afeganistão. O que Trump quer na verdade é exercer uma ameaça e um controle maior no Oriente Médio, varrendo para debaixo do tapete a enorme crise política e comercial da qual não pode sair os EUA.

A linha de intervenção bélica serve também aos governos como May e Macron- esse íntimo do ditador da Arabia Saudita- para tergiversar sobre seus próprios conflitos internos. No caso de Trump, há um amplo movimento contra o uso de armas que sacode a sociedade estadunidense, além da crise causada pelas Fakenews, no escandalo do Cambbride Analitca. Macron vive uma onda de greves e lutas. Neste sábado, saíram mais de cem mil franceses em Marselha com a consigna ‘Stop Macron”

Trump se esforça para cumprir o papel de gendarme mundial, apesar de sempre ter manifestado simpatias pela ditadura de al-Assad antes de residir na Casa Branca.

Não há paz com a ditadura Assad

Temos total concordância com o que pontou a declaração do NPA francês neste sábado:

“ Desde março de 2011, com o evante democrático contra o tirano Bachar al-Assad, a população síria sofre uma feroz repressão do ditador e de seus aliados, na qual, na primeira fila estão a Rússia de Putin e o Irã dos aiatolás. As dificuldades encontradas pelo levante, a militarização imposta pelo regime e as ingerências interessadas das monarquias do Golfo favoreceram, o desenvolvimento de forças integristas e Jihadistas, enquanto as forças democráticas estavam muito solitárias diante de Assad e das forças e contrarrevolucionárias.

Chamamos a rechaçar a sórdida campanha que tem por objetivo duvidar o enésimo ataque químico criminoso do regime contra civis, homens, mulheres, crianças em Duma, testemunhada por tantas informações provenientes de cidadãos e serviços médicos sobre a área. Porém, condenamos sem nenhuma ambiguidade a nova aventura militar dirigida por Trump na Síria, e a participação francês nessa campanha de bombardeios que quer dar uma ilusão de que o povo sírio vai estar agora melhor protegido. Tal ação não pode senão acrescentar guerra a guerra, caos aos caos: vítimas civis, recordação de um passado colonial odioso, reforçamento da postura de Assad como muralha frente ao imperialismo ocidental”.

Sempre é válido lutar pela verdadeira narrativa dos fatos: a Primavera Árabe de 2011, empreendida pelos povos do Oriente Médio e do Norte da África contra os regimes ditatoriais da região, encontrou em Bashar al-Assad o seu maior carrasco. Não “apenas” por governar a Síria com mão de ferro desde 2000, herdando o poder e as fortunas de seu pai Hafez. Mas principalmente porque ele é o maior sanguinário do século XXI, responsável pela morte de centenas de milhares de seus compatriotas e pelo reiterado emprego de armas químicas contra a população civil. Graças à sustentação da Rússia, pôde sufocar grande parte da rebelião na Síria. Por sua intransigência, generalizou-se pelo território sírio o caos, do qual souberam se beneficiar os grupos fundamentalistas que a propaganda assadista fez questão de confundir com os opositores laicos.

Entretanto, cabe lembrar também a ferocidade do regime sírio não conseguiu derrotar os curdos que lutam por seu território e por Rojava. Defendemos o direito à auto-determinação do povo sírio, como estamos a fazer com a questão de Rojava e Afrin, acossadas pela aliança entre o também ditador Erdogan e a Rússia.

Às ruas contra os senhores da guerra!

Ao mesmo tempo, prestamos a nossa mais ativa solidariedade ao povo sírio. Chamamos à mobilização de todos os que se comprometem com uma paz justa para os povos e que não estão ao lado da rapinagem e da guerra, características essenciais desta etapa decadente do capitalismo. Assim como fizemos contra a Guerra no Iraque, no Afeganistão, na Palestina, no Curdistão e em defesa dos povos vítimas do militarismo imperialista em outras ocasiões, saberemos dar a resposta nas ruas aos senhores da guerra. A visita do vice-presidente dos EUA, Mike Pence, ao Brasil em 30 de maio oferecerá uma excelente oportunidade para expressarmos a nossa indignação contra o belicismo das principais potências mundiais!

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Esta é uma edição especial de nossa Revista Movimento. Como forma de contribuir para os debates que ocorrerão na VI Conferência Nacional de nossa corrente, o Movimento Esquerda Socialista, este volume reúne dois números da revista (7 e 8). Dessa forma, pretendemos oferecer à militância e a nossos aliados e leitores documentos que constam do temário oficial do evento, bem como materiais que possam subsidiar as discussões que se realizarão. Na expectativa de uma VI Conferência de debates proveitosos para nossa corrente, desejamos a todas e todos uma boa leitura deste volume!

Solzinho

Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky

Leon Trotsky Joseph Stalin

MES: Movimento Esquerda Socialista MES: Movimento Esquerda Socialista