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Segundo turno na Colômbia: por que Duque triunfou?

Dirigentes analisam em dois breves textos as condições que possibilitaram a vitória do candidato direitista no pleito presidencial.

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Comentário sobre o segundo turno na Colômbia

Por Israel Dutra

Os colombianos decidiram, em segundo turno, seu futuro presidente. As últimas pesquisas foram confirmadas pelas urnas. Com a menor taxa de abstenção das últimas décadas (47%), o candidato conservador Ivan Duque resultou vencedor, obtendo mais de 10,3 milhões de votos (54%) contra cerca de 8 milhões de votos (42%) de seu oponente Gustavo Petro. Para fins de análise, resgato o artigo que escrevi quando escrutinado o resultado do primeiro turno: Petro no segundo turno: uma batalha inédita para a esquerda colombiana.

Nesses últimos quinze dias, se aprofundou a tendência a “jogar sujo” por parte da grande burguesia, a imprensa e o comando do aparelho estatal. Em um reino de “fake news”, o objetivo era impedir qualquer crescimento de Petro com base em dois argumentos: o terrorismo midiático sobre os supostos crimes da guerrilha e extrair dividendos eleitorais da crise humanitária na Venezuela, associando Gustavo Petro com regime de Caracas.

Apesar do bombardeio de calúnias, a campanha Petro galvanizou importantes setores progressistas, ganhando apoios importantes de políticos da Aliança Verde como como Clara Lopez(que foi candidata a vice presidenta na fórmula do terceiro colocado, Sergio Fajardo) e o popular Antanas Mockus. Outro apoio chave foi da líder dos direitos humanos e ex-refém das FARC, Ingrid Betancourt. A frente política por direitos, pela mudança na matriz econômica e por um processo de paz participativo e inclusivo ganhou posições na batalha da hegemonia da sociedade colombiana.

A vitória de Duque não pode distorcer o avanço histórico de uma esquerda, mesmo moderada, capaz de provocar uma ampliação do debate entre o social e político. A Colômbia transformada num enclave do DEA, porta-aviões sul-americano dos Estados Unidos encontra-se em vias de ser questionada. Um novo governo conservador será obrigado a implantar um plano de guerra contra o povo, ressoando uma maior polarização. Novas lutas sociais se avizinham. Se não hoje, amanhã. Os tempos estão mudando. Em todo continente.

O que explica a vitória de Duque e a derrota de Petro?

Por Pedro Fuentes

Como destacou o artigo de Israel Dutra pela primeira vez na história colombiana uma eleição transcende os marcos dos partidos tradicionais. O candidato da direita uribista, Iván Duque, enfrentou Gustavo Petro, candidato alinhado com a nova onda de processos políticos que está ocorrendo na América Latina, como a Frente Ampla do Chile ou o MNP do Peru.

A derrota de Gustavo Petro pode ser explicada pelo fato que a classe média – que no primeiro turno seguiu o Sergio Fajardo (centro) e Humberto de la Calle (Partido Liberal) – deu um certo giro e inclinou o pêndulo para Duque. Apesar de fazer 65% de votos a mais em relação ao primeiro turno, Petro ficou a 2,3 milhões de distância do novo presidente colombiano.

A decisão da maior parte da classe média colombiana em apoio a Duque tem muito a ver com a Venezuela. O país, hoje governado por Nicolás Maduro (PSUV), está em uma grave crise e sob um regime bonapartista. Ao contrário dos governos de Hugo Chávez, seu modelo já não inspira confiança às massas. A proximidade entre Venezuela e Colômbia é notável não só geograficamente como também politicamente. Cerca de 600 mil venezuelanos residem hoje na Colômbia, fenômeno migratória ocasionado em grande medida pela crise humanitária que atravessa a Venezuela. Neste contexto, enquanto Duque adota um discurso de endurecimento contra a Venezuela, Petro corretamente defendeu a abertura de uma linha de diálogo com seus vizinhos. Esta proposta, distorcida pela grande mídia, assustou a classe média.

Além disso, vale notar que sempre extremamente improvável a esquerda vencer contra a força do aparelho do Estado. Nestas circunstâncias, só se pode ganhar da direita quando há uma enorme mobilização de massas. Infelizmente, não foi o caso das eleições colombianas de 2018. A direita triunfa outra vez na Colômbia, mas dificilmente terá capacidade para frear o processo antineoliberal que se desenvolve em outros países do continente. Agora, o próximo desafio é o México (leia mais sobre as eleições mexicanas em: Por un frente social y polpitico para detener el contrataque de la oligarquía neoliberal y la derecha.

Artigo originalmente publicado no Portal da Esquerda em Movimento.

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Apresentação

Publicamos a décima edição de nossa Revista Movimento. Dessa vez, celebramos os 80 anos de fundação da IV Internacional, comemorados em setembro de 2018, com uma seção especial. Há, também, artigos na seção internacional e de teoria. Fechamos esta edição quando a eleição brasileira se encerrava. Como não poderia deixar de ser, nesta décima edição de Movimento, apresentamos nossas primeiras análises sobre os resultados eleitorais. Sabemos que a vitória de Jair Bolsonaro trará graves ataques à classe trabalhadora e ao povo brasileiro. Estaremos com nosso povo, lutando em defesa das liberdades democráticas e de nossos direitos. Mais uma vez, esperamos que a revista seja uma ferramenta útil de construção e formação para nossos camaradas. Boa leitura!

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