Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Quarta greve geral da era Macri questiona o ajuste

Movimento sindical e popular avança contra as medidas neoliberais do governo argentino.

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A força da greve geral argentina se notou no Brasil e na região. Com aeroportos fechados e dezenas de voos cancelados, a grande mídia se obrigou a noticiar a contundente paralisação geral no país vizinho. Contudo, não foram apenas os transportes que paralisaram, com alta adesão de trabalhadores da indústria e dos serviços. A terça-feira, dia 25, encontrou as ruas de Buenos Aires vazias. O clima nas principais cidades do pais era o mesmo. A quarta greve geral contra o governo de Mauricio Macri foi precedida de uma manifestação na Praça de Maio, na segunda-feira, com dezenas de milhares de ativistas, convocada pela CTA, por setores dissidentes da CGT e acompanhada pelo sindicalismo combativo.

A jornada de greve geral se inscreve num contexto de lutas contra o selvagem ajuste de Macri, o crescimento da bronca social e a expectativa das negociações de um novo acordo com o FMI. Enquanto os piquetes aconteciam nas grandes avenidas e pontes das concentrações urbanas, Macri estava em Nova York para negociar a nova “ajuda” prometida pelo Fundo Monetário Internacional. Justamente nesse cenário, o presidente do Banco Central, Luis Caputo, a quem Macri e a imprensa se referiam como o “Messi” das finanças, abandona o governo, renunciando após três meses e o protagonismo de ter participado do primeiro acordo com o FMI. Os mercados reagiram com perplexidade a renúncia de Caputo. O maior temor é o retorno da corrida cambial que desvalorizou sumariamente o Peso nos últimos meses, levando o dólar ao custo de 40$.

No terreno da luta social, a paralisação teve grande influência do sindicalismo combativo, que garantiu a maioria dos piquetes em todo pais. A força da esquerda social contrasta com a atitude dos dirigentes das centrais sindicais majoritárias, que atuam para descomprimir a crise, diminuindo o peso das ações da classe trabalhadora para levar o descontentamento social para o plano eleitoral. A ação de contenção dos setores da burocracia sindical não trava o ascenso das lutas. Há várias batalhas e conflitos em curso como a do estaleiro Rio Santiago, o hospital Posadas, a agencia de notícias Telam, os mineiros de Rio Turbio e os professores que seguem peleando por melhores condições de trabalho. O sindicalismo combativo, com a presença de agrupamentos como Ancla, sindicatos como Luz e Força, SUTNA (pneumático), vários regionais de professores, mineiros e um amplo acordo de parceiros, se reuniu em Cordoba para postular uma alternativa unitária e um plano de luta.
Ainda se percebe a força do movimento multitudinário de mulheres, que coloriu de verde o país em Agosto, com a campanha pela legalização do aborto. A derrota do Senado não terminou com o movimento, que deixou marcas estruturais. O movimento estudantil também levantou a cabeça e experimenta uma retomada como há muito não se via.

A luta está aberta. De um lado o governo, apoiado em setores cada vez mais reacionários ( ameaçando ativistas e dando bases para um giro repressivo), de outro a resistência “ por baixo”. A aprovação do orçamento de 2019, feito sob encomenda do FMI, é a prova dos nove. Com o congelamento de gastos, inflação e desemprego, tais medidas arruínam milhões de famílias operárias.

Em artigo próximo vamos desenvolver com mais densidade as contradições que se jogam na Argentina. É fundamental acompanhar a luta do país vizinho, mesmo em meio a nossa disputa eleitoral, para ver de conjunto as determinações do continente. Com uma tradição de lutas enorme, com uma cultura operária arraigada e combativa, a Argentina é sempre um ponto decisivo da América Latina. Cabe à esquerda construir e desenvolver a unidade dos setores sociais e sindicais também no plano político para acabar com o ajuste do governo Macri.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Publicamos a décima edição de nossa Revista Movimento. Dessa vez, celebramos os 80 anos de fundação da IV Internacional, comemorados em setembro de 2018, com uma seção especial. Há, também, artigos na seção internacional e de teoria. Fechamos esta edição quando a eleição brasileira se encerrava. Como não poderia deixar de ser, nesta décima edição de Movimento, apresentamos nossas primeiras análises sobre os resultados eleitorais. Sabemos que a vitória de Jair Bolsonaro trará graves ataques à classe trabalhadora e ao povo brasileiro. Estaremos com nosso povo, lutando em defesa das liberdades democráticas e de nossos direitos. Mais uma vez, esperamos que a revista seja uma ferramenta útil de construção e formação para nossos camaradas. Boa leitura!

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