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Resultado das eleições suecas confirma “tendência europeia”

O resultado das eleições parlamanetares suecas em 9 de setembro confirma um crescente populismo de direita e um enfraquecimento da social-democracia.

O líder do partido de extrema-direita sueco Jimmy Akesson celebra os resultados eleitorais - Michael Campanella/Getty Images
O líder do partido de extrema-direita sueco Jimmy Akesson celebra os resultados eleitorais - Michael Campanella/Getty Images

O resultado das eleições parlamanetares suecas em 9 de setembro confirma uma tendência europeia geral: um crescente populismo de direita e um enfraquecimento da social-democracia. A tradicional figura da Suécia como o lar de um progressivo welfare state social-democrata vem se desvanecendo há décadas.

Desde ao menos a profunda crise da economia sueca no começo da década de 1990 o partido social-democrata tem aceitado as linhas gerais de uma política econômica neoliberal, inclusive desregulamentações e privatizações do setor público. Ao mesmo tempo, a outrora tão impressionante organização partidária foi fortemente enfraquecida – o partido perdeu dois terços de seus mebros durante as duas últimas décadas e a confederação sindical azul LO perdeu 25% durante os últimos dez anos. O partido, que durante os 85 anos anteriores esteve fora do governo por apenas 9 anos, perdeu o poder para um governo de direita em 2006.

Durante os oito anos seguintes este governo acelerou o ritmo de sucateamento do setor público ao aumentar as privatizações e cortar taxas. Quando os social-democratas voltaram ao poder em 2014, estavam numa posição extramente enfraquecida. O partido, que por um tempo logrou algo em torno de 45% dos votos na urna, alcançou apenas 31%. Junto com seu partido aliado em governo, o Partido Verde, e com o apoio parlamentar do Partido de Esquerda, o governo ainda era um governo de minoria. E não tinha nem a ambição nem o poder de mudar fundamentalmente a política do governo anterior. O resultado mais espetacular das eleições de 2014 foi o crescimento do partido populista de direita Democratas Suecas. Eles conseguiram dobrar seu voto para 13%, o que significa que nenhum dos blocos políticos tradicionais conseguiu formar a maioria.

Ao contrário de seus partidos gêmeos na Dinamarca e na Norueca, os Democratas Suecos tem suas raízes em organizações abertamente racistas e pró-nazista. Desde o final dos anos 1990, uma nova geração de jovens líderes conseguiu sucesso construir uma organização partidária efetiva, a partir de algumas fortalezas locais no sul da Suécia. A xenefobia e a anti-imigração foram as principais plataformas do partido e a principal razão para ganhar eleitores. Enquanto expandia sua influência parlamentar, o partido fez esforços para minimizar a retórica abertamente racista, expulsando alguns dos elementos mais raivosos. O partido também tentou recentemente enfatizar suas características nacional-conservadoras, aproximando de correntes similares na Polônia e na Hungria. Sua política econômica e de bem-estar social está próxima à do Partido Conservador.

Durante muito tempo houve um acordo de fato entre os partidos tradicionais no parlamento para tentar isolar os Democratas Suecos e abster-se da negociação com eles. Foi por isso que os partidos de direita aceitaram a coalizão vermelho-verde em 2014. A enorme onda de refugiados em 2014 e 2015 – 80 000 e 160 000 respectivamente vieram para a Suécia mudou a situação política quase que da noite para o dia.

Até outubro de 2015 houve um consenso amplo que os suecos foram preparados para “abrir seus corações” – para citar o ex-líder de Partido Conservador Fredrik Reinfeldt. Inicialmente somente os Democratas Suecos criticaram a imigração massiva. Quando o partido começou a crescer e as falhas na organização da recepção de refugiados tornaram-se mais óbvias, a maioria das lideranças partidos, inclusive a Social-Democraica, concordaram em parar imediatamente a recepção e ajustar a política imigratória sueca ao critério mínimo da UE. A mudança, que não foi apenas uma adaptação formal, foi acompanhada por um crescimento dos sentimentos ant-imigração, agitação ismafóbica e pedidos para endurecer a legislação relacionada aos crimes que (segundo eles) estao ligados aos partidos tradicionais, inclusive os Social-Democratas no governo.

É óbvio que um motivo para essa mudança era a ameaça que tanto os Social-Democratas quanto os Conservadores sentiram em relação aos Democratas Suecos. Como poderia ser previsto a partir de experiências em outros países a mudança de tática não funciou. Os Democratas Suecos continuaram a crescer às custas principalmente desses dois partidos. O resultado da eleição confirma essa conclusão. Os Social Democratas caíram para 28%, seu pior resultado desde que venceram as eleições de 1921. Os Conservadores perderam ainda mais, 3,5%. E os Democratas Suecos ganharam quase 5%, indo para 17,5%. Numa perspectiva europeia, esse resultado talvez não seja surpreendente. A Suécia está se ajustando a uma tendência internacional.

No entanto, numa perspectiva sueca, esta é uma situação nova e o resultado é um sério revés em vários aspectos. Dois elementos devem ser mencionados aqui. A primeira é a ameaça de uma influência real dos Democratas Suecos sobre a política governamental do dia-a-dia. Há neste momento um impasse entre os dois blocos políticos tradicionais: quem será o próximo primeiro-ministro poderá ser decidido pelos Democratas Suecos. A linha de demarcação que existia até agora entre os partidos políticos tradicionais e os xenófobos populistas de direita não existe mais. É óbvio que os conservadores estão preparados para entrar em negociações formais ou informais com os Democratas Suecos para formar um governo de direita. As experiências dinamarquesas mostram o quão desastrosas podem ser as consequências se esses partidos definirem a agenda.

O outro revés está relacionado à esquerda e à classe trabalhadora. É verdade que o Partido de Esquerda – os antigos comunistas – obteve ganhos substanciais – subida de 5,7 para 7,9% e, acima de tudo, conseguiu fazer uma impressionante campanha eleitoral entre os jovens. No entanto, a esquerda nunca foi tão fraca como hoje, apenas cerca de 35%. E a maioria da classe trabalhadora não está mais votando. Trinta anos atrás, 80% da classe trabalhadora votava nos social-democratas (e outros 10% nos comunistas). Em 2014, 50% dos membros da LO votaram nos social-democratas. Em 2018, apenas 37% votaram neles (e outros 10% no Partido de Esquerda).

É óbvio que a principal razão pela qual os social-democratas perderam seu reduto dentro da classe trabalhadora é que abdicaram do que costumava ser sua principal força: a defesa de um Estado de bem-estar baseado na igualdade e na solidariedade. Nada indica que eles aprenderam essa lição. O principal objetivo da liderança do partido é resolver a situação atual tentando formar uma coalizão com os partidos burgueses, o que significaria um enfraquecimento do estado de bem-estar e mais ataques aos direitos da classe trabalhadora.

Fonte: http://www.internationalviewpoint.org/spip.php?article5702

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Apresentação

Apresentamos uma revista especial sobre os 50 anos do Maio de 1968 com o orgulho de herdar uma tradição. Assim como a Comuna de 1871, a Revolução Russa de 1917 e as lutas contra as ditaduras na América Latina, consideramo-nos parte deste excepcional movimento mundial de luta política, protagonizado por jovens e trabalhadores de várias partes do mundo, como nas famosas barricadas de Paris. Consideramos suas lições e sua potência como atuais. Boa parte dos leitores da Revista Movimento participaram ativamente das Jornadas de Junho de 2013 em nosso país. Aos cinco anos deste acontecimento, queremos contribuir para o encontro e a síntese de tão distantes e ao mesmo tempo tão próximas gerações.

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