Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Como foi concebida a IV Internacional

Artigo publicado em agosto de 1944 resume vivamente a década de lutas teóricas e organizativas que levou à fundação da IV Internacional.

Jean van Heijenoort (à direita), ao lado de Diego Rivera e André Breton
Jean van Heijenoort (à direita), ao lado de Diego Rivera e André Breton

Nosso movimento tem o direito a se considerar o representante e o porta-estandarte histórico do socialismo revolucionário. Está ao final de uma cadeia cujos elos foram a Liga Comunista de Marx e Engels, a Associação Internacional dos Trabalhadores (I Internacional), a II Internacional, o partido Bolchevique de Lenin e a Internacional Comunista. Mas para estabelecer os começos específicos de nosso movimento é necessário começar com o ano 1923 na URSS.

A Oposição de Esquerda

A Revolução de Outubro estabeleceu o primeiro Estado Operário, mas permaneceu isolada. “Sem revolução na Europa”, disse Lenin repetidamente, “pareceremos”. A história confirmou a veracidade destas palavras, mas à sua maneira. A degeneração apareceu no próprio aparato do novo regime, no partido que conduziu a revolução para a vitória.

A resistência à corrupção do partido proveio de Trotsky. A luta começou no outono de 1923. Em 8 de outubro, enviou uma carta ao Comitê Central e à Comissão Central de Controle denunciando o sufocamento do direito a criticar ao partido por parte de seus membros. Este é o primeiro documento de nosso movimento. Pode ser comparado ao que foi para os bolcheviques a famosa votação sobre os estatutos do partido em 1902.

Começando com a questão do regime interno do partido, a luta cresceu progressivamente até incluir todos os problemas da tática e estratégia revolucionárias. Fora da URSS, apareceram grupos opositores na maioria das seções da Internacional Comunista. As conexões desses grupos entre si e com a Oposição Russa permaneceram precárias. Muitos desses grupos nasceram em oposição a algum dos aspectos da política stalinista. Sua solidariedade política estava longe de ser completa. Um grupo que resultou de grande importância para o futuro de nosso movimento, a Oposição de Esquerda no Partido Comunista norte-americano, apareceu tardiamente em cena de 1928.

A coesão organizativa da Oposição de Esquerda Internacional não foi seriamente empreendida até o momento da expulsão de Trotsky da URSS e de sua ida a Turquia em fevereiro de 1929. A primeira Conferência Internacional da Oposição de Esquerda teve lugar em Paris em 1930.

A política da Oposição em relação à Internacional Comunista, tanto em seu conjunto como frente a suas várias seções, permaneceu igual desde 1923, numa palavra: a reforma. Apesar de terem sido expulsos pela fração no poder, os grupos trotskistas se consideravam parte da Internacional, sua fração de esquerda, exatamente como cada grupo se considerava fração do partido comunista nacional em cada país. Seu objetivo era convencer aos membros do partido da correção de seus pontos de vista, para ganhar a maioria e para colocar à organização no curso correto. A política era essencialmente a mesma frente ao Partido Bolchevique na URSS como frente a qualquer outra seção da Internacional. O nome do movimento, a Oposição, expressava e simbolizava esta política.

Trotsky escreveu um documento político de caráter programático, intitulado A Oposição de Esquerda Internacional, suas tarefas e métodos em dezembro de 1932, imediatamente depois de seu regresso a Prinkipo de Copenhague, onde havia tido a oportunidade de encontrar-se com trinta dos mais importantes dirigentes da Oposição Internacional. Um capítulo deste documento foi intitulado “Fração, não Partido”. A perspectiva traçada ali era a mesma que nos anos precedentes, a saber, a reforma da Internacional Comunista e de cada uma de suas seções. Não obstante ressoou uma advertência:

“Uma catástrofe histórica como a queda do Estado Soviético arrastará seguramente para a Terceira Internacional. Analogamente, uma vitória do fascismo na Alemanha e o esmagamento do proletariado alemão dificilmente permitirão à Comintern sobreviver às consequências de sua ruinosa política”.

Uma dessas duas advertências se converterá prontamente numa terrível realidade. Em 30 de janeiro de 1933, Hildenburg, cabeça constitucional da República de Weimar, eleito com o voto da República de Weimar, eleito com o voto da social-democracia, chamou Hitler para formar um novo gabinete.

Durante três anos a Oposição de Esquerda havia feito soar o alarme pela ascensão do fascismo alemão. Numa série de artigos e panfletos, que por sua clareza e paixão revolucionária figuram entre as melhores produções de sua pena, Trotsky revelou a natureza do fascismo e mostrou as consequências de uma vitória fascista para os operários alemães, para o movimento operário internacional, para a URSS, para a Europa e para todo o mundo. Ele também apontou os significados desse perigo: a frente única dos partidos operários, o Comunista e o Social-Democrata, para a defesa ativa das organizações operárias frente aos vermes nazistas, uma luta defensiva que, em caso de triunfo, se converteria em ofensiva.

Este artigo faz parte da 10ª edição da Revista Movimento. Para ler o texto completo compre a revista aqui!

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Publicamos a décima edição de nossa Revista Movimento. Dessa vez, celebramos os 80 anos de fundação da IV Internacional, comemorados em setembro de 2018, com uma seção especial. Há, também, artigos na seção internacional e de teoria. Fechamos esta edição quando a eleição brasileira se encerrava. Como não poderia deixar de ser, nesta décima edição de Movimento, apresentamos nossas primeiras análises sobre os resultados eleitorais. Sabemos que a vitória de Jair Bolsonaro trará graves ataques à classe trabalhadora e ao povo brasileiro. Estaremos com nosso povo, lutando em defesa das liberdades democráticas e de nossos direitos. Mais uma vez, esperamos que a revista seja uma ferramenta útil de construção e formação para nossos camaradas. Boa leitura!

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