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Reforma Trabalhista: Modernidade para o empregador e o real retrocesso para o empregado

A reforma trabalhista, na realidade, não tem nada de moderno.

Manufatura de roupas no Brasil - Agência Brasil
Manufatura de roupas no Brasil - Agência Brasil

A reforma trabalhista não tem nada de moderno, pois flexibiliza direitos, aterroriza o empregado para ingresso na justiça, e enfraquece os sindicatos. A Lei nº 13.467/2017 com mais de 100 artigos modificados da CLT trouxeram insegurança jurídica e, a liberdade da patronal realizar contratos de diferentes modalidades. O objetivo de criar novos postos de trabalho e combater a informalidade não passou de falácia.

O neoliberalismo propõe uma suposta modernidade nas relações de trabalho. O empregador precisa de segurança para aumentar seu lucro. Ao trabalhador é criada uma situação de insegurança para ingressar na justiça. O empregador tem liberdade de escolha de contração. Ao trabalhador terá a oportunidade de continuar desempregado. Esta relação capitalista só aumenta a submissão e opressão sobre a classe trabalhadora.

A mudança aterrorizou os trabalhadores na hora de ingressar com uma reclamatória trabalhista. O artigo que impõe à parte vencida, mesmo com que beneficiária da justiça gratuita, o pagamento dos honorários advocatícios e periciais, provocou uma redução de 36,06% das reclamatórias.

O aumento de vagas de trabalho e a redução da informalidade foi pífio. Segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho, em praticamente um ano, foram gerados 372,7 mil postos de emprego. Assim como, na modalidade de contrato intermitente (receber pelas horas trabalhadas e esperando pela convocação do empregador) chegou a 47.139 admissões. Neste período de vigência da reforma trabalhista aumentou mais de meio milhão de trabalhadores sem carteira assinada.

Não se efetivou a promessa da geração de 2 milhões novos postos de trabalho. O Brasil continua com aproximadamente 11,9% de desempregados, atingindo 13 milhões de pessoas, mantendo-se próximo ao índice quando da entrada em vigor da reforma trabalhista.

Por fim, o negociado sobre o legislado e o fim da contribuição sindical vieram para enfraquecer a organização sindical dos trabalhadores. Os sindicatos ficaram com dificuldades financeiras. Agora é hora de unir forças para enfrentar o novo governo que pretende implementar a reforma da previdência, criar a carteira de trabalho verde e amarela e terminar com o Ministério de Trabalho.

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Apresentação

Neste mês de março, preparamos uma nova edição da Revista Movimento, dedicada especialmente para a reflexão e elaboração política sobre a luta das mulheres. Selecionamos um conjunto de materiais - artigos teóricos, textos políticos, documentos e uma especial entrevista - com o intuito de aprofundar o esforço consciente demonstrado por nossa organização nos últimos anos em avançar na compreensão sobre o tipo de feminismo que defendemos, bem como sobre o papel essencial e a importância estratégica que a luta feminista tem para a construção de um projeto anticapitalista. Um desafio exigido pela atual conjuntura, marcada pela ascensão de governos de extrema-direita no mundo, na qual o movimento feminista tem se apresentado como contraponto e trincheira de resistência fundamental. Por isso, esta edição pretende, antes de mais nada, auxiliar e fortalecer nossas intervenções feministas nesse momento, a começar por duas datas muito significativas que inauguram este mês: o 8 e o 14 de março, dia em que se completará um ano do brutal assassinato de nossa companheira Marielle Franco. Esperamos que seja proveitoso e sirva como instrumento para as nossas batalhas. Boa leitura!

Solzinho

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