Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Ganhou o povo!

Os peruanos rejeitaram a reeleição dos políticos mafiosos que infestam o Congresso, ainda que com isso tenha impactado todos, os bons e maus.

Teo Bizca/AFP
Teo Bizca/AFP

Imenso rechaço à corrupção, a essa maioria congressual que fez de tudo para impedir ou desvirtuar a consulta de domingo, um novo chute no traseiro de García Pérez que se pôs a fazer fracassar o Referendo e acumular evidências de que é um perseguido por suas ideias.

Com seu voto, os peruanos rejeitaram a reeleição dos políticos mafiosos que infestam o Congresso, ainda que com isso tenha impactado todos, os bons e maus. É atendível essa demanda pois em todos os casos a maioria fuji-aprista esteve de costas para os interesses do país amparando a corrupção e impunidade e legislando a favor dos grupos de poder, como quando derruba o projeto do Executivo que busca tributar os cassinos e caça-níqueis, o mais recente.

Certo que o Pdte. Vizcarra é quem melhor capitaliza este resultado pôs ao fim e ao cabo foi quem tomou a iniciativa do Referendo. Mas isso foi em resposta à indignação cidadã que se expressou em massivas mobilizações e de distintas maneiras contra a corrupção quando esta pegou um salto com os áudios que comprometem magistrados, juízes, políticos e empresários. Isso, somado ao escândalo da Lava-Jato que tem contra as cordas a todos os ex-presidentes dos últimos anos, foi o contexto de uma iniciativa audaz, mas reativa, porque se o Presidente não fazia o que fez, o mais provável é que estivesse com os dias contados. Por isso não podemos ignorar – como fazer os sectários que terminam do outro lado – que o Referendo foi, antes de tudo, uma concessão democrática como resposta ao protesto cidadão.

Contudo, Vizcarra não as tem todas consigo porque as reformas que vêm com o Referendo, embora são um passo, são insuficientes. Por isso, a luta deve continuar, porque necessitamos mudanças de fundo para acabar com a corrupção, a impunidade e o neoliberalismo que é a fonte deste câncer que une os negócios turvos dos privados, com o Estado. Mostrar as limitações do referendo e a necessidade de mudanças mais profundas, começando pela reforma política eleitoral é a tarefa depois do dia 9 dos que queremos um Nuevo Perú.  Mais do que nunca se abre lugar para a necessidade de uma Nova Constituição via uma Assembleia Constituinte, para reorganizar o país sobre novas bases onde não mande o capital nem o mercado senão o interesse nacional e o das grandes maiorias. De como articulemos a saída política para a mobilização popular dependerá definitivamente liquidar a corrupção e avançar rumo à conquista das mudanças que o país necessita.

O Congresso está deslegitimado, seguirá sendo um fator de crise. Isso não vai mudar, é parte de sua natureza. Cada dia ficará mais evidente que um penoso ressabio de um regime imposto pela Constituição de 93 justamente para garantir a corrupção e a impunidade circunstanciais ao modelo econômico neoliberal. Somente caber ter uma atitude destituinte que abra o caminho para um processo constituinte com o povo e desde o povo.

Nos toca agora sair para estar junto à cidadania que exige que se vá até o final com os julgamentos dos corruptos, doa a quem doer. Temos que estar junto aos grêmios que lutam contra a reforma laboral que impõe a CONFIEP  para cortar mais direitos dos trabalhadores, junto aos professores que seguem em sua luta, junto às mulheres e jovens que se manifestam contra a discriminação e a criminalidade incessante. E nesse processo tempos que construir, a partir do MNP, uma alternativa democrática e popular, somando vontades políticas e sociais ao redor de um programa de ruptura com um regime político imperante e com o modelo econômico que nos é imposto pelas transnacionais.

O caminho está traçado, mas a vitória não será fácil, será preciso disputá-la dia a dia.

Fonte: https://portaldelaizquierda.com/pt_br/2018/12/ganhou-o-povo/

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Publicamos a décima edição de nossa Revista Movimento. Dessa vez, celebramos os 80 anos de fundação da IV Internacional, comemorados em setembro de 2018, com uma seção especial. Há, também, artigos na seção internacional e de teoria. Fechamos esta edição quando a eleição brasileira se encerrava. Como não poderia deixar de ser, nesta décima edição de Movimento, apresentamos nossas primeiras análises sobre os resultados eleitorais. Sabemos que a vitória de Jair Bolsonaro trará graves ataques à classe trabalhadora e ao povo brasileiro. Estaremos com nosso povo, lutando em defesa das liberdades democráticas e de nossos direitos. Mais uma vez, esperamos que a revista seja uma ferramenta útil de construção e formação para nossos camaradas. Boa leitura!

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