Com os Gilets Jaunes (Coletes Amarelos)
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Com os Gilets Jaunes (Coletes Amarelos)

Militante do Emancipa passa um importante informe da situação política da França

Alain Geffrouais 16 jan 2019, 13:27

Há 8 semanas o movimento dos Gilets Jaunes desafia o governo da França. Na origem um mero protesto contra o aumento das taxas sobre combustível, ele vai se consolidando cada vez mais nacional, mais radical e ancorado à esquerda. Se na ocasião das festas de Natal e do final do ano a mobilização andou um pouco menor (porém sem nunca parar), nesse início de janeiro as massas voltaram a ocupar as ruas de Paris e das principais cidades da França. Nem a multiplicação dos controles (e das provocações) da polícia impediram essa expansão.

O custo de vida virou um tema central. Mesmo com o salário mínimo daqui sendo mais de três mil reais, segmentos inteiros da população (aposentados, assalariados precarizados, desempregados) mal conseguem sobreviver até o final do mês.

Muito importante também a participação do povo das pequenas cidades do interior da França que assistiram ano após ano, sob pretexto de racionalização dos serviços públicos, ao desmonte de escolas, colégios, correios e hospitais. Isso fez com que fossem obrigados a percorrer quilômetros até uma cidade maior para serem atendidos (daí o impacto das taxas sobre os carburantes).

Além das reivindicações iniciais, a pauta agora é contra o governo Macron: o movimento exprime a revolta contra um governo central a serviço dos poderosos. Simbolicamente, esse governo que aumentou as taxas sobre os carburantes e os impostos sobre as aposentadorias que impactam os mais pobres também decretou o fim do ISF (Imposto sobre as Fortunas), presente para os mais ricos. Os Gilets Jaunes querem ter voz, ser ouvidos e não mais depender dos factoides de burocratas, sejam eles franceses ou europeus.
Se no início a direita e a extrema direita tentaram se aproveitar do movimento, gradativamente a situação está mudando. As forças vivas da esquerda se fazem cada vez mais presentes através dos militantes da France Insoumise e do NPA (Novo Partido Anticapitalista).

Emancipa e os Gilets Jaunes têm muito em comum. Impressionante como que, tanto na França como no Brasil, a meritocracia está sendo utilizada para humilhar os pobres e desqualificar as reivindicações populares. Essa semana Macron, com toda a sua arrogância de classe, falou que “os franceses perderam o gosto do esforço”, insinuando que só e pobre quem quer. Um insulto para quem rala o mês inteiro para sobreviver. Essa provocação já recebeu aqui uma resposta à altura.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
O MES completa 20 anos. A edição n. 14-15 da Revista Movimento é dedicada por completo ao importante evento que marca duas décadas de nossa história. Apesar de jovens, podemos dizer que poucas organizações na história política da esquerda brasileira alcançaram essa marca com tamanho vigor. Longe de autoproclamação, desejamos transformar nossos êxitos em força social e militante para novos e amplos impulsos. Ainda não cumprimos uma maratona, mas nossa história sem dúvida deixou para trás a visão de curto prazo, que alguns adversários nos chegaram a prognosticar. Diante das muitas provas, vitórias e algumas derrotas, podemos celebrar e somar forças para enfrentar as tarefas imediatas: derrotar a tentação autoritária de Bolsonaro e avançar na construção de uma alternativa socialista.