Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Com os Gilets Jaunes (Coletes Amarelos)

Militante do Emancipa passa um importante informe da situação política da França

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Há 8 semanas o movimento dos Gilets Jaunes desafia o governo da França. Na origem um mero protesto contra o aumento das taxas sobre combustível, ele vai se consolidando cada vez mais nacional, mais radical e ancorado à esquerda. Se na ocasião das festas de Natal e do final do ano a mobilização andou um pouco menor (porém sem nunca parar), nesse início de janeiro as massas voltaram a ocupar as ruas de Paris e das principais cidades da França. Nem a multiplicação dos controles (e das provocações) da polícia impediram essa expansão.

O custo de vida virou um tema central. Mesmo com o salário mínimo daqui sendo mais de três mil reais, segmentos inteiros da população (aposentados, assalariados precarizados, desempregados) mal conseguem sobreviver até o final do mês.

Muito importante também a participação do povo das pequenas cidades do interior da França que assistiram ano após ano, sob pretexto de racionalização dos serviços públicos, ao desmonte de escolas, colégios, correios e hospitais. Isso fez com que fossem obrigados a percorrer quilômetros até uma cidade maior para serem atendidos (daí o impacto das taxas sobre os carburantes).

Além das reivindicações iniciais, a pauta agora é contra o governo Macron: o movimento exprime a revolta contra um governo central a serviço dos poderosos. Simbolicamente, esse governo que aumentou as taxas sobre os carburantes e os impostos sobre as aposentadorias que impactam os mais pobres também decretou o fim do ISF (Imposto sobre as Fortunas), presente para os mais ricos. Os Gilets Jaunes querem ter voz, ser ouvidos e não mais depender dos factoides de burocratas, sejam eles franceses ou europeus.
Se no início a direita e a extrema direita tentaram se aproveitar do movimento, gradativamente a situação está mudando. As forças vivas da esquerda se fazem cada vez mais presentes através dos militantes da France Insoumise e do NPA (Novo Partido Anticapitalista).

Emancipa e os Gilets Jaunes têm muito em comum. Impressionante como que, tanto na França como no Brasil, a meritocracia está sendo utilizada para humilhar os pobres e desqualificar as reivindicações populares. Essa semana Macron, com toda a sua arrogância de classe, falou que “os franceses perderam o gosto do esforço”, insinuando que só e pobre quem quer. Um insulto para quem rala o mês inteiro para sobreviver. Essa provocação já recebeu aqui uma resposta à altura.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Neste mês de março, preparamos uma nova edição da Revista Movimento, dedicada especialmente para a reflexão e elaboração política sobre a luta das mulheres. Selecionamos um conjunto de materiais - artigos teóricos, textos políticos, documentos e uma especial entrevista - com o intuito de aprofundar o esforço consciente demonstrado por nossa organização nos últimos anos em avançar na compreensão sobre o tipo de feminismo que defendemos, bem como sobre o papel essencial e a importância estratégica que a luta feminista tem para a construção de um projeto anticapitalista. Um desafio exigido pela atual conjuntura, marcada pela ascensão de governos de extrema-direita no mundo, na qual o movimento feminista tem se apresentado como contraponto e trincheira de resistência fundamental. Por isso, esta edição pretende, antes de mais nada, auxiliar e fortalecer nossas intervenções feministas nesse momento, a começar por duas datas muito significativas que inauguram este mês: o 8 e o 14 de março, dia em que se completará um ano do brutal assassinato de nossa companheira Marielle Franco. Esperamos que seja proveitoso e sirva como instrumento para as nossas batalhas. Boa leitura!

Solzinho

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