Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

As ruas do Brasil e do mundo exigem saber quem mandou matar Marielle e Anderson

Manifestações em todo mundo demonstraram a força do movimento por justiça para Marielle e da solidariedade internacional.

Ato em 14/03/2019 na Cinelândia. Reprodução
Ato em 14/03/2019 na Cinelândia. Reprodução

As manifestações ocorridas em todo mundo pela lembrança de um ano do assassinato da vereadora do PSOL do Rio de Janeiro Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes demonstraram a força do movimento por justiça e da solidariedade internacional aos companheiros e companheiras do Brasil. No atual contexto do governo de extrema-direita de Bolsonaro, lembrar a execução de Marielle e Anderson e exigir o esclarecimento deste crime político é tarefa essencial para garantir a segurança de todos os ativistas e militantes que atuam nas inúmeras lutas políticas e sociais em todo país.

Os desfiles de Carnaval iniciaram uma jornada que sensibilizou grande parte da população brasileira, com escolas de samba e blocos de rua relembrando Marielle e criticando o presidente ideologicamente ligado ao autoritarismo dos setores de segurança, às milícias e aos grupos de extermínio que perseguem a militância de esquerda e operam diretamente o genocídio cotidiano da população negra e pobre nas periferias do Brasil. De norte a sul, a grande festa popular foi marcada pelos protestos contra Bolsonaro e pelo questionamento sobre as motivações do crime contra Marielle e Anderson.

As manifestações do Dia Internacional de Luta das Mulheres deram continuidade a este movimento de contestação, e dezenas de milhares de mulheres tomaram as ruas no 8 de março novamente denunciando os ataques do governo aos direitos das mulheres, novamente tendo Marielle como símbolo de resistência e luta. Os chamados internacionais das mulheres contra o patriarcado e sua opressão ecoaram por todos os estados, concretizando o primeiro amplo movimento de rua contra Bolsonaro e seu governo obscurantista.

A recente prisão de dois ex-policiais militares denunciados como executores do crime tornou ainda mais evidente o caráter político do assassinato da vereadora do PSOL, e as manifestações de 14 de março assumiram como eixo a exigência da resolução total do caso. Em todo país, manifestações políticas e culturais marcaram o triste aniversário da execução, exigindo a verdade sobre o crime e seus mandantes, provavelmente ligados aos milicianos e a altas cúpulas da direita política fluminense.

A solidariedade internacional também enorme. Em diversos países, companheiros e companheiras se reuniram e também relembraram Marielle e seu legado, sinalizando aos lutadores brasileiros que não estamos sozinhos e nossa luta em todo mundo é uma só. As homenagens foram do Chile à Palestina, dos EUA à Europa, e por todo mundo as demonstrações ocorridas em frente às embaixadas brasileiras amplificaram nossa luta e nossa resistência

O assassinato de Marielle e Anderson foi um crime político. Marielle foi morta por ser uma militante socialista defendendo suas ideias, por ser uma parlamentar do PSOL que denunciou a violência contra a população trabalhadora, por ser uma mulher negra da favela que enfrentou o combate contra poderosos interesses políticos e empresariais das máfias que controlam o estado do Rio de Janeiro através da corrupção e da violência.

A atuação de Marielle como assessora do deputado Marcelo Freixo durante mais de dez anos é elemento essencial para se entender o crime. Desde antes de ser eleita vereadora ela já integrava o combate travado pelo PSOL contra os paramilitares que se dava na trincheira do mandato de Freixo na assembleia estadual. Tal trajetória, bem como as recorrentes ameaças ao próprio deputado e a descoberta do plano para assassiná-lo em dezembro do ano passado, reforçam que o caráter do crime extrapola os limites individuais. Não se trata de um impulso de raiva por parte de profissionais idôneos. Tampouco se trata de um silenciamento individual de Marielle. Foi um crime político cujo alvo foram os que lutam contra as milícias do Rio.

Essas milícias são as expressões armadas de grupos políticos de direita que se fortalecem com o discurso da família Bolsonaro, que já homenageou inúmeros policiais milicianos, e estes grupos armados operam através de ligações escusas com diversos níveis de governo. A forma profissional de sua execução demonstra um grande aparato por trás dos assassinos, e as mobilizações no Brasil não irão terminar até o completo esclarecimento dos mandantes do crime e suas reais motivações.

Seguiremos nas ruas por Marielle e Anderson, contra este governo de extrema direita que estimula e amplia a violência contra os pobres. Seguiremos nas ruas exigindo saber quem mandou matar Marielle e Anderson.

Veja uma galeria de fotos das manifestações no Portal da Esquerda

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

A décima terceira edição da Revista Movimento dedica-se ao debate sobre os desafios da esquerda socialista no Brasil diante da crise nacional que se desenrola há anos e do governo Bolsonaro. Para tanto, foram convidados dirigentes do PSOL, do MES e de outras organizações revolucionárias que atuam no partido. O dossiê sobre a estratégia da esquerda e o PSOL reflete os desafios da organização de um polo socialista no interior do partido. Há também, na seção nacional, reflexões sobre a crise econômica brasileira, as revelações de The Intercept e as lutas da juventude e da negritude. As efemérides do centenário da escola Bauhaus e do cinquentenário do levante de Stonewall também aparecem no volume, além da tese das mulheres do MES para o Encontro de Mulheres do PSOL.

Ilustração da capa da Revista Movimento

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