Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

É necessário ser feminista

As mulheres vêm ganhando força e não aceitam mais caladas serem vítimas de discriminação, da violência, do assédio.

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Historicamente março é o mês das mulheres. Mas nos últimos anos a pauta das mulheres tem tomado conta dos debates políticos o ano todo. A explicação deste fenômeno é que as mulheres vêm ganhando força e não aceitam mais caladas serem vítimas de discriminação, da violência, do assédio. As mulheres têm se tornado feministas.

O feminismo ainda é mal compreendido por muitos setores da nossa sociedade. Muitos acham que ser feminista é ser o oposto de machista. Não é. Feminismo é a ideia radical de que as mulheres são seres humanos tão merecedoras de respeito e dignidade quanto os homens.

Infelizmente ainda precisamos de um movimento para afirmar o óbvio. Precisamos do feminismo porque as mulheres ainda ganham menos do que os homens, ainda são vistas como propriedade dos homens, espancadas e mortas pelo simples fato de serem mulheres. Ainda são assediadas e constrangidas nos seus empregos, nos meios de transporte, nas ruas.

Em 2018, com o movimento #EleNão, a força das mulheres ganhou as ruas. Uma hashtag que saiu das redes e virou palavra de ordem no mundo real. Bolsonaro ganhou, mas nós, de certa forma, também. Ganhamos força e consciência, nos politizamos, conquistamos unidade e garra para seguir negando o autoritarismo e o patriarcado.

Este mês de março é marcado pelo histórico dia 8, eternizado pelo martírio das operárias de Chicago, e também pelo recente dia 14, quando se completou um ano da execução de Marielle Franco.

Lutamos por um feminismo antirracista, que acolha as mulheres negras, lésbicas, bissexuais e transexuais, conectado com as lutas da classe trabalhadora. Felizmente uma nova geração de mulheres vem se formando feminista. Se antes era raro encontrar uma mulher que se identificasse como feminista, hoje é muito comum. Apoiando-se nas conquistas das que vieram antes, as jovens feministas vêm ganhando o mundo. E vamos seguir sendo feministas até que toda a forma de opressão seja eliminada e assim tenhamos uma democracia real.


Artigo publicado originalmente no jornal Zero Hora.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Neste mês de março, preparamos uma nova edição da Revista Movimento, dedicada especialmente para a reflexão e elaboração política sobre a luta das mulheres. Selecionamos um conjunto de materiais - artigos teóricos, textos políticos, documentos e uma especial entrevista - com o intuito de aprofundar o esforço consciente demonstrado por nossa organização nos últimos anos em avançar na compreensão sobre o tipo de feminismo que defendemos, bem como sobre o papel essencial e a importância estratégica que a luta feminista tem para a construção de um projeto anticapitalista. Um desafio exigido pela atual conjuntura, marcada pela ascensão de governos de extrema-direita no mundo, na qual o movimento feminista tem se apresentado como contraponto e trincheira de resistência fundamental. Por isso, esta edição pretende, antes de mais nada, auxiliar e fortalecer nossas intervenções feministas nesse momento, a começar por duas datas muito significativas que inauguram este mês: o 8 e o 14 de março, dia em que se completará um ano do brutal assassinato de nossa companheira Marielle Franco. Esperamos que seja proveitoso e sirva como instrumento para as nossas batalhas. Boa leitura!

Solzinho

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