É necessário ser feminista
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É necessário ser feminista

As mulheres vêm ganhando força e não aceitam mais caladas serem vítimas de discriminação, da violência, do assédio.

Luciana Genro 18 mar 2019, 14:23

Historicamente março é o mês das mulheres. Mas nos últimos anos a pauta das mulheres tem tomado conta dos debates políticos o ano todo. A explicação deste fenômeno é que as mulheres vêm ganhando força e não aceitam mais caladas serem vítimas de discriminação, da violência, do assédio. As mulheres têm se tornado feministas.

O feminismo ainda é mal compreendido por muitos setores da nossa sociedade. Muitos acham que ser feminista é ser o oposto de machista. Não é. Feminismo é a ideia radical de que as mulheres são seres humanos tão merecedoras de respeito e dignidade quanto os homens.

Infelizmente ainda precisamos de um movimento para afirmar o óbvio. Precisamos do feminismo porque as mulheres ainda ganham menos do que os homens, ainda são vistas como propriedade dos homens, espancadas e mortas pelo simples fato de serem mulheres. Ainda são assediadas e constrangidas nos seus empregos, nos meios de transporte, nas ruas.

Em 2018, com o movimento #EleNão, a força das mulheres ganhou as ruas. Uma hashtag que saiu das redes e virou palavra de ordem no mundo real. Bolsonaro ganhou, mas nós, de certa forma, também. Ganhamos força e consciência, nos politizamos, conquistamos unidade e garra para seguir negando o autoritarismo e o patriarcado.

Este mês de março é marcado pelo histórico dia 8, eternizado pelo martírio das operárias de Chicago, e também pelo recente dia 14, quando se completou um ano da execução de Marielle Franco.

Lutamos por um feminismo antirracista, que acolha as mulheres negras, lésbicas, bissexuais e transexuais, conectado com as lutas da classe trabalhadora. Felizmente uma nova geração de mulheres vem se formando feminista. Se antes era raro encontrar uma mulher que se identificasse como feminista, hoje é muito comum. Apoiando-se nas conquistas das que vieram antes, as jovens feministas vêm ganhando o mundo. E vamos seguir sendo feministas até que toda a forma de opressão seja eliminada e assim tenhamos uma democracia real.


Artigo publicado originalmente no jornal Zero Hora.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.