Quem mandou matar Marielle e por quê?

Não descansaremos enquanto não soubermos quem encomendou a morte de Marielle e por qual motivo.

Luciana Genro 14 mar 2019, 23:04

Há um ano, a vereadora do PSOL Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes foram executados no Rio de Janeiro. Um atentado que gerou uma onda de comoção no Brasil e no mundo e cravou no centro do debate político uma pergunta, para a qual ainda não temos resposta: quem mandou matar Marielle e por quê?

Somente nesta semana é que foram identificados quem disparou o gatilho e quem dirigiu o veículo. A prisão de dois policiais envolvidos no crime representa um avanço importante na elucidação do caso, mas ainda é insuficiente. O fundamental é saber quem são os mandantes e qual a motivação.

A perseguição a quem defende os direitos humanos está marcada a ferro e fogo na história brasileira. Antes de Marielle, tivemos Chico Mendes, Dorothy Stang e tantos outros lutadores que tiveram suas vidas ceifadas por se oporem a interesses poderosos. As mulheres, o povo negro, a população indígena e a comunidade LGBTI são os alvos preferenciais. Não é por acaso que estes são os segmentos com menos acesso aos espaços de poder.

Marielle Franco era uma mulher negra, LGBTTI, de origem popular e de esquerda. Enfrentava com destemor a força das milícias no Rio.

São graves os indícios de que a família Bolsonaro possa ter relações com as milícias. A ligação entre poder político e força repressiva paraestatal controlando territórios e sufocando comunidades não é novidade no Brasil. A novidade está na forte suspeita de relação destes segmentos com o grupo instalado no Palácio do Planalto, o que confere à tragédia política do país elementos de atuação mafiosa.

Não descansaremos enquanto não soubermos quem encomendou a morte de Marielle e por qual motivo. Nós, do PSOL, seguiremos carregando a memória e as lutas de Marielle, que representava uma bandeira sem manchas em defesa da igualdade e de um Brasil e um mundo mais justos, onde o lucro não esteja acima do bem comum e da vida das pessoas.


Publicado originalmente no Diário de Santa Maria.


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