Um dia decisivo para a Venezuela
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Um dia decisivo para a Venezuela

A liderança burguesa da oposição se lançou num esforço concentrado para dividir e logo conquistar as forças armadas.

Roberto Robaina 30 abr 2019, 14:06

A crise na Venezuela se aprofunda. Hoje parece ser um dia decisivo. A liderança burguesa da oposição se lançou num esforço concentrado para dividir e logo conquistar as forças armadas. É um golpe de força. Uma jogada decidida. O governo dos EUA mais uma vez deixa claro seu apoio. Com certeza absoluta, foi parte desta decisão da oposição de se lançar dessa forma.

E a interferência estrangeira evidente e explícita, sua capacidade de comando sobre a oposição, torna o conteúdo da ação claramente antipopular, independentemente do apoio maior ou menor que parcelas do povo lhe confere. 

Ao disputar as forças armadas com ação direta para definir seu rumo dá um caráter também explícito de tentativa de golpe. E não é a primeira vez. Os EUA já fizeram isso contra Hugo Chávez em 2002. Agora, novamente. São muitos anos de agressão contra o país. 

Não sou partidário do governo Maduro, cuja natureza burocrática e autoritária é evidente.

Mas a autodeterminação deve ser a base de uma política correta e justa. E este princípio nunca é respeitado pelos EUA. Com Trump é que esse quadro não iria mudar. Ao contrário. Com a redução de seu peso na economia mundial e a crise terminal de sua hegemonia política sobre o globo, ele pretende aumentar sua influência no que sempre considerou seu “pátio traseiro “. Por isso, intensificou o ataque à soberania da Venezuela, apoiado, agora, pelo reacionário governo de Bolsonaro, com suas posições pró-coloniais e fascistas.

A oposição burguesa e golpista de Guaidó e Leopoldo López quer impor ao país um plano econômico e social de submissão aos interesses de Washington. Infelizmente, o povo da Venezuela atualmente está sem alternativa. Precisam, sim, de um novo regime e de um novo governo, mas com estes líderes burgueses golpistas, a situação do povo será ainda pior. Eles não trazem esperança, mas, sim, mais ataques aos interesses populares, sofrimento e ameaça à paz. O caráter decisivo do dia de hoje obrigou o governo a dar o próximo passo: prender Guaidó ou cair mais cedo do que tarde.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.