O recado das ruas contra o “idiota inútil”
Reprodução

O recado das ruas contra o “idiota inútil”

Manifestações pela educação tomaram conta do Brasil emparedando Bolsonaro.

Equipe Sâmia Bomfim 17 Maio 2019, 14:55

O 15 de maio de 2019 foi um dia histórico para o Brasil. Cidadãos de todo o país foram às ruas para protestar contra os cortes de 30% na educação e as “trapalhadas” conscientes cometidas por Bolsonaro e seu ministro da Educação, Abraham Weintraub, contra as universidades, os institutos federais e a educação pública.

Os atos ocorreram em quase 200 cidades brasileiras, inclusive nas grandes capitais, como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Fortaleza. Em São Paulo, 250 mil pessoas – entre estudantes, pesquisadores, professores e trabalhadores comuns – estiveram na Av. Paulista para lembrar esse governo que balbúrdia é comprometer o orçamento de uma área tão fundamental para o desenvolvimento de uma nação.

Diante do recado das ruas, restou para o presidente fujão – que, mais uma vez, foi passar vergonha nos EUA ao visitar ex-chefe de Estado sem ser convidado – criticar os manifestantes e tentar reduzir a importância política e social do ato.

Mas já está chegando a hora que Bolsonaro será obrigado a mudar seu discurso, porque todo mundo já percebeu que ele é uma farsa. O que aconteceu ontem no Brasil foi só o começo. A desconstrução desse governo virá das ruas: das universidades que ele despreza, dos trabalhadores que ele desampara, das mulheres que ele violenta e dos negros que ele mata. Uma luta da maioria do povo, em defesa dos direitos e contra um governo que o oprime.

É natural que novas manifestações se desenvolvam Brasil afora, afinal, o problema da educação está longe de ser resolvido. Recusando suspender os cortes, o presidente prefere atacar os manifestantes e dizer que todos são “militantes”. Além disso, ele desmerece os estudantes brasileiros, dizendo que a “molecada” do nosso país tem péssimas notas nos ranking internacionais, como se isso pudesse justificar os cortes. Em paralelo a tudo isso, as investigações de corrupção no seio de sua família, simbolizada por Flávio Bolsonaro, avançam a passos largos.

Outro desdobramento do 15 de maio é o encontro entre as lutas em defesa da educação e contra a reforma da previdência. Ambos os temas estão no centro da estratégia bolsonarista de ataque ao povo brasileiro e, por isso, as lutas se fortalecem conjuntamente.

A próxima data de paralisação nas universidades e escolas, e manifestações de rua em defesa da educação, já está marcada: 30 de maio. Antes disso, na semana que vem, 23/05, em São Paulo, deve acontecer manifestação convocada por estudantes secundaristas. E dia 14 de junho, o Brasil vai parar na greve geral contra a reforma da previdência, em defesa da educação, dos empregos e salários.

A auto-organização do povo e dos estudantes é a chave para vencer. Nas escolas, universidades, institutos, cursos, grupos de pesquisa e nas entidades independentes e democráticas, os milhões que foram às ruas no #15M devem continuar se encontrando para decidir os próximos passos da luta. O povo brasileiro está do lado dos manifestantes!

Artigo originalmente publicado no site de Sâmia Bomfim.

Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Na 16ª edição, estão disponíveis dois dossiês. No primeiro, sobre o ecossocialismo, podem-se se encontrar as recentes teses de Michael Löwy, além de uma entrevista com o sociólogo e dirigente da IV Internacional. Também publicamos uma entrevista com Zé Rainha, dirigente da FNL, sobre sua trajetória de luta e os desafios dos socialistas no Brasil; uma entrevista com Antônia Cariongo, dirigente quilombola e do PSOL-MA; e artigos de Luiz Fernando Santos, sobre a lógica marxista e a Amazônia, e de Marcela Durante, do Setorial Ecossocialista do PSOL. O segundo dossiê traz algumas análises iniciais sobre a pandemia de coronavírus. Há artigos de Mike Davis e Daniel Tanuro; documentos do MES e do Bureau da IV Internacional; além de uma densa análise de nossas companheiras Evelin Minowa, Joyce Martins, Luana Alves, Natália Peccin Gonçalves, Natalia Pennachioni e Vanessa Couto e de um artigo do camarada Bruno Magalhães. A seção de depoimentos traz um instigante artigo de Pedro Fuentes sobre a história de seu irmão Luis Pujals, o primeiro desaparecido político da história da Argentina. Já a seção internacional traz uma análise do sociólogo William I. Robinson sobre a situação latino-americana.