Carta de um petroleiro
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Carta de um petroleiro

A Petrobras é do povo brasileiro. Não de acionistas donos do capital.

Eduardo Soares 17 ago 2019, 16:16

Essa é uma carta de reconciliação da Petrobras, não aquela formada pelo governo, mas aquela formada por petroleiros e petroleiras, com a sociedade brasileira.

Para isso precisamos nos desculpar pelos últimos anos que desapontamos a nossa sociedade. Nos últimos anos, quiçá na última década, nos perdemos na missão tão importante que nos foi designada em atender aos interesses do povo brasileiro. Não cumprimos nosso papel da forma como toda a sociedade esperava e estamos muito tristes, angustiados, desapontados com nosso trabalho que se perdeu no meio de um emaranhado de interesses políticos e individuais que trouxe tantos danos e indignação ao nosso povo.

Isso nos leva a relembrar nossa história de superação. Uma história de mais de 60 anos, em que nos superamos, nos arriscamos para oferecer uma oportunidade, uma alternativa, um caminho próspero para nossa sociedade.

Fomos capazes de descobrir, desenvolver do nada, uma indústria que ainda hoje é líder mundial em tecnologia no ramo de óleo e gás. Tudo feito pelos interesses da nossa população. Fizemos o que nenhuma empresa ou grupo de pessoas no mundo seria capaz de fazer. E só conseguimos por termos o interesse, motivação de oferecer ao nosso povo, a nós mesmo, condições melhores, oportunidades melhores, uma vida mais fácil e feliz. Repito, fizemos pois só o povo brasileiro seria capaz de fazê-lo. Só nosso povo marcado por limitações e dificuldade com uma capacidade de superação única seria capaz de fazer.

Queremos nos reconciliar com esses valores. Mostrar para a sociedade que somos merecedores desse crédito e que somos os únicos capazes de reverter, de reviver esse sentimento de desamparo que vem nos assolando nos últimos anos.

Por que estamos aqui? Por que nos deram tamanha missão? Qual é nossa missão?

Precisamos reviver nossa missão, nossos interesses, nosso amor pelo que fazemos e isso começa com um sincero pedido de desculpas por nossa categoria não o ter conseguido fazer nos últimos anos.

Nos perdemos justamente quando fomos envoltos numa concorrência interna tão intensa que nos colocou uns contra os outros nos desviando de nosso objetivo principal, o de atender as necessidades do povo brasileiro. Quando nos preocupamos mais com atender a lideranças internas que não tinham o povo brasileiro como acionista principal, como interesse principal. Foi um erro. Apenas um erro. Um erro entre tantos acertos.

Precisamos lembrar que nossa existência não se resume a esse erro, pontual e corrigível. Nunca é tarde para nos reinventarmos, nos redirecionarmos para aquilo que realmente importa. Ainda somos dignos, mais que dignos, capazes, únicos capazes de cumprir essa missão. Estamos novamente à disposição do povo brasileiro.

Ninguém conhecesse nossas unidades como nós mesmos. Ninguém é mais capaz do que nós mesmos de torna-las novamente as melhores do mundo, as melhores para nosso povo. Somos especialistas, somos eficientes, somos fortes. Juntos somos muito mais.

Quem descobriu o pré-sal? Quem descobriu a bacia de campos? Quem construiu uma rede de dutos de distribuição de petróleo para todo o país? Quem criou uma empresa que fornece capaz de fornecer gás a todos os brasileiro? Quem construiu tantas refinarias em nosso país? Quem fez tanto pelo povo brasileiro? A PETROBRAS. Fomos nós. E nós somos capazes de fazer muito mais. Independente do governo que nos governa.

Vimos por meio desta carta oferecer todo nosso trabalho e nosso esforço ao povo brasileiro. E o faremos de uma forma nunca antes vista, ou percebida. Os outros países, as multinacionais do petróleo vão querer aprender conosco. Usaremos todo nosso esforço, capacidade, recursos humanos e naturais em prol do povo brasileiro. Vamos lutar por isso. Não por um governo, ou por um líder, mas pelo povo, aquele que efetivamente rege nossos interesses.

Aprendemos com o que se passou. Nos tornamos melhores. Não cometeremos o mesmo erro. A missão nos foi dada pelo povo, nosso compromisso é com o povo, não com determinado governo ou liderança. Jamais permitiremos que se infiltrem novamente no nosso dia a dia para nos desviar do compromisso com a sociedade brasileira. Somos altamente qualificados para esta missão e estamos à disposição do povo para o povo. A Petrobras é do povo brasileiro. Não de acionistas donos do capital. Tenham certeza, eles continuarão a investir pois faremos um trabalho admirável pois temos um propósito, um compromisso com vocês.

Essa é e sempre foi a nossa luta, a motivação diária de nossas vidas. O porquê de estarmos onde estamos. Fomos treinados e ensinados a sermos os melhores no que fazemos e somente o fazemos por acreditarmos em nossa missão.

Pedimos que continuem acreditando e lutando por nosso povo. Estamos juntos e não abrimos mão. Petrobras para o povo brasileiro.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.