A pátria que Bolsonaro diz defender é a mesma que ele entrega para o capital estrangeiro
Sandro Pimentel. Foto: Elpídio Júnior

A pátria que Bolsonaro diz defender é a mesma que ele entrega para o capital estrangeiro

Para o deputado estadual Sandro Pimentel (PSOL/RN), o governo de Jair Bolsonaro já é o mais entreguista da história da República.

Sandro Pimentel 4 set 2019, 17:14

Na semana da independência uso este espaço para lembrar que em oito meses de governo o presidente Bolsonaro já pode se orgulhar do título de governo mais entreguista da história nacional. O patriotismo de goela de Bolsonaro não se encontra com suas práticas políticas, que cada vez mais oferece o patrimônio nacional para grupos estrangeiros, notadamente, os americanos. É só ver o que aconteceu com a Embraer, uma das empresas mais estratégicas e valiosas do país. O governo abriu mão do controle contratual e entregou  a Embraer para a americana Boeing de mão beijada. O preço da transação ficou muito abaixo do esperado, liquidando a maior indústria de engenharia aeroespacial da América Latina pelo mesmo preço que foi pago pelo Hotel Copacabana Palace, por exemplo. E tudo isso sem obrigação de transferência de tecnologia para a indústria nacional.

O governo já sinalizou também com o interesse de ceder parte do território nacional para os americanos: a base de Alcântara, no Maranhão. Em análise no Congresso,  essa medida tem o poder de se tornar o mais agressivo ataque à soberania nacional, pois uma base americana no Brasil traz junto consigo todos os conflitos potenciais que os Estados Unidos podem promover na América Latina e no resto do planeta.

É preciso lembrar que nossa tradição diplomática é de não envolvimento unilateral em conflitos, somos conhecidos pela busca de  soluções pacíficas e mediadas para crises políticas com nossos vizinhos. Pois muito bem, servindo de fantoche da Casa Branca o governo jogou no lixo toda a tradição e interviu, da maneira mais atrapalhada possível, na crise da Venezuela. Onde o Brasil, ao invés de usar da liderança regional que tem para mediar uma solução política, fez coro com Trump ao reconhecer um governo ilegítimo e até ventilou a hipótese de conflito armado com o país vizinho. Um desastre.

Para além disso tudo, tem a privataria de Paulo Guedes que já entregou subsidiárias da Petrobras, todas elas empresas lucrativas, para o capital estrangeiro. Esse rolo compressor  privatista ainda deve incluir a venda de oito refinarias brasileiras e campos de extração de petróleo em águas profundas, tecnologia que a nossa Petrobras é pioneira e líder mundial no setor de óleo & gás.

Se depender de Bolsonaro seremos o primeiro grande país do planeta a privatizar a distribuição, a geração e a transmissão de energia elétrica com a venda da Eletrobrás, além de abrir mão dos Correios, empresa centenária que integra até as cidades mais pobres e distantes do país. Algo que a iniciativa privada não terá interesse de manter.

Ao falar da Amazônia, o discurso nacionalista de Bolsonaro se desfaz completamente se analisarmos sua atuação política na região. O governo trabalha para flexibilizar a legislação de proteção das terras indígenas garantindo a exploração mineral das áreas, e Bolsonaro já deixou claro que a indicação do seu filho para embaixada em Washington tem por meta aproximar o interesse de mineradoras americanas das áreas demarcadas na floresta.

O que é chocante nesse cenário de entrega e de subserviência é a postura leniente de parte das Forças Armadas, que parece enfeitiçada pelo discurso pseudo moralista de Bolsonaro e seguem batendo continência para as posições entreguistas do governo. Se deixando usar por quem não tem nenhum compromisso com a soberania nacional.  Com Bolsonaro, o Brasil está em liquidação.

Fonte: Saiba Mais


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
O MES completa 20 anos. A edição n. 14-15 da Revista Movimento é dedicada por completo ao importante evento que marca duas décadas de nossa história. Apesar de jovens, podemos dizer que poucas organizações na história política da esquerda brasileira alcançaram essa marca com tamanho vigor. Longe de autoproclamação, desejamos transformar nossos êxitos em força social e militante para novos e amplos impulsos. Ainda não cumprimos uma maratona, mas nossa história sem dúvida deixou para trás a visão de curto prazo, que alguns adversários nos chegaram a prognosticar. Diante das muitas provas, vitórias e algumas derrotas, podemos celebrar e somar forças para enfrentar as tarefas imediatas: derrotar a tentação autoritária de Bolsonaro e avançar na construção de uma alternativa socialista.