Luciana Genro e Alysson Mascaro lançam livros na UFRGS e reforçam luta por outro modelo político e econômico
Luciana Genro e Alysson Mascaro. Foto: Samir Oliveira.

Luciana Genro e Alysson Mascaro lançam livros na UFRGS e reforçam luta por outro modelo político e econômico

Lançamento de livros de Luciana Genro e Alysson Mascaro na UFRGS debate a crítica do Direito e a atualidade do socialismo.

Equipe Luciana Genro 24 set 2019, 14:04

A deputada estadual Luciana Genro (PSOL) e o professor de Direito da USP Alysson Mascaro estiveram na UFRGS na noite desta segunda-feira (23/09) para o lançamento de seus novos livros: “O Novo Sempre Vem – Estudos sobre Política, Economia e Direito” e ” Crítica da Legalidade e do Direito Brasileiro”, respectivamente. Ambas as obras foram publicadas pela editora Quartier Latin. 

Estiveram presentes no lançamento autoridades como o ex-governador Tarso Genro (PT), a deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL), o vereador de Porto Alegre Roberto Robaina (PSOL), o ex-deputado Pedro Ruas (PSOL) e o deputado estadual Sebastião Melo (MDB). Também compareceram professores, alunas e alunos do cursinho popular pré-universitário Emancipa, fundado por Luciana Genro em 2011.

O livro de Luciana Genro é resultado de sua dissertação de mestrado em Filosofia do Direito na USP, quando foi orientada por Mascaro. Na obra, a deputada retoma o estudo de autores clássicos e contemporâneos do marxismo para colocar na ordem do dia a necessidade de seguir lutando pela construção de uma outra sociedade e de um outro mundo. 

No livro, Luciana analisa o papel do Estado na estruturação do sistema capitalista e revisita de forma crítica as experiências ditas socialistas do passado. “Quando se fala em socialismo, é preciso qualificar que socialismo é esse. O que tivemos na União Soviética acabou numa ditadura. É preciso chamar as coisas como elas são. Não foi essa a experiência socialista que Marx e Engels teorizaram”, afirmou.

A deputada reforçou a necessidade de se extrair lições dos erros cometidos em processos políticos revolucionários e socialdemocratas anteriores. “A socialdemocracia tem a ideia de que é possível gerenciar o Estado para torná-lo um instrumento em defesa dos interesses do povo. Mas o Estado nada mais é do que um instrumento de aplicação dos interesses do capital”, avaliou.

Por fim, Luciana falou sobre a necessidade de unidade ampla de ação contra o governo Bolsonaro entre as forças políticas de esquerda e de centro, assim como também defendeu uma unidade programática entre as esquerdas para construir um programa anticapitalista e antissistêmico e apresentá-lo como alternativa ao povo nas eleições. “São tempos duros. Falar sobre socialismo pode parecer algo fora da conjuntura, mas é algo necessário, pois estamos sendo tão oprimidos por um governo medieval que até mesmo as luzes do iluminismo parecem brilhantes demais”, concluiu.

O professor Alysson Mascaro fez uma profunda crítica ao Direito, objeto de estudo de seu livro “Crítica da Legalidade e do Direito Brasileiro”, que chega a sua terceira edição. Ele ressaltou que a legalidade e o direito existem para estruturar e legitimar o sistema capitalista, reproduzindo desigualdades, opressões e dominação de classe. 

“A organização jurídica do capitalismo é dizer que todas as coisas no mundo têm dodo. No mundo capitalista, a terra não é de quem trabalha e o teto não é de quem precisa. Todas as coisas, porque são mercadoria, são juridiscizadas. E o direito é que estrutura este sistema”, refletiu.

Ele recorreu a exemplos históricos para sustentar suas críticas, lembrando que a escravização foi um instituto previsto em lei no Brasil. “Quem era formado em Direito naquela época dizia que era preciso respeitar o direito de propriedade. Isso é a infâmia. É a exploração, a coerção e a opressão no nível mais horrendo que a sociedade pôde conhecer. E isso foi jurídico”, pontuou.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

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O MES completa 20 anos. A edição n. 14-15 da Revista Movimento é dedicada por completo ao importante evento que marca duas décadas de nossa história. Apesar de jovens, podemos dizer que poucas organizações na história política da esquerda brasileira alcançaram essa marca com tamanho vigor. Longe de autoproclamação, desejamos transformar nossos êxitos em força social e militante para novos e amplos impulsos. Ainda não cumprimos uma maratona, mas nossa história sem dúvida deixou para trás a visão de curto prazo, que alguns adversários nos chegaram a prognosticar. Diante das muitas provas, vitórias e algumas derrotas, podemos celebrar e somar forças para enfrentar as tarefas imediatas: derrotar a tentação autoritária de Bolsonaro e avançar na construção de uma alternativa socialista.