Novo Peru: solidariedade com o povo chileno

Novo Peru: solidariedade com o povo chileno

Esquerda peruano presta apoio às mobilizações no Chile.

Nuevo Perú 23 out 2019, 14:06

Nos últimos dias, o governo do presidente Sebastián Piñera emitiu uma série de novas medidas neoliberais que, entre outras coisas, aumentara o custo das passagens no transporte público, agravando a já deteriorada economia da maioria das e dos chilenos. Ante estas medidas, a cidadania respondeu com mobilizações que incluíram evasões massivas no sistema de metrô e protestos de rua a nível nacional. O governo se viu obrigado a reverter o aumento de passagens mas já a indignação popular com um sistema político e econômico excludente havia explodido violentamente. Milhares de estudantes, trabalhadores, mulheres, coletivos e cidadania em geral protestam contra o atual regime de vida que impõe o neoliberalismo por quatro décadas, o mesmo que gera desigualdade, marginalização e precarização, beneficiando somente a pequena elite governante.

A massiva mobilização popular foi respondida com a característica brutalidade da direita chilena que ante a falta de razão recorreu à força decretando o estado de exceção, toque de recolher e militarização do país recriando os piores tempos da ditadura pinochetista. Esta repressão cobra já a vida de dez pessoas, além de centenas de feridos e detidos, denúncias de abusos em delegacias e de agressão sexual contra as mulheres que uma sociedade democrática não pode tolerar.

O ocorrido em Equador e Chile demonstra o pouco que lhe durou à direita o triunfalismo de seu projeto de restauração neoliberal. Em sua tentativa de ajustar o caixa, seu primeiro instinto foi passar a conta ao povo e aos serviços públicos. Jamais passou por suas cabeças acabar com os privilégios fiscais das grandes empresas. Hoje fica claro que a direita chilena não é nem moderna, nem liberal nem democrática, ao primeiro sinal de protesto popular, recorrem à repressão, à mentira e à imposição.

Como Movimento Nuevo Perú manifestamos nossa solidariedade com a justa mobilização do povo chileno e condenamos a brutal violência repressiva. A comunidade internacional não pode permanecer indiferente ante um presidente que lhe declarou a guerra a seu povo e que pretende restaurar a governabilidade neoliberal a sangue e fogo.  Confiamos em que, como em outras vezes em sua história, o povo chileno conquistará definitivamente a dignidade e a esperança.

Reprodução da tradução publicada pelo Portal da Esquerda em Movimento.

Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Na 16ª edição, estão disponíveis dois dossiês. No primeiro, sobre o ecossocialismo, podem-se se encontrar as recentes teses de Michael Löwy, além de uma entrevista com o sociólogo e dirigente da IV Internacional. Também publicamos uma entrevista com Zé Rainha, dirigente da FNL, sobre sua trajetória de luta e os desafios dos socialistas no Brasil; uma entrevista com Antônia Cariongo, dirigente quilombola e do PSOL-MA; e artigos de Luiz Fernando Santos, sobre a lógica marxista e a Amazônia, e de Marcela Durante, do Setorial Ecossocialista do PSOL. O segundo dossiê traz algumas análises iniciais sobre a pandemia de coronavírus. Há artigos de Mike Davis e Daniel Tanuro; documentos do MES e do Bureau da IV Internacional; além de uma densa análise de nossas companheiras Evelin Minowa, Joyce Martins, Luana Alves, Natália Peccin Gonçalves, Natalia Pennachioni e Vanessa Couto e de um artigo do camarada Bruno Magalhães. A seção de depoimentos traz um instigante artigo de Pedro Fuentes sobre a história de seu irmão Luis Pujals, o primeiro desaparecido político da história da Argentina. Já a seção internacional traz uma análise do sociólogo William I. Robinson sobre a situação latino-americana.