É preciso ser antirracista! Em defesa de Palmares, contra a política racista de Bolsonaro e a nomeação de Sergio Camargo
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É preciso ser antirracista! Em defesa de Palmares, contra a política racista de Bolsonaro e a nomeação de Sergio Camargo

Os posicionamentos de Bolsonaro são apenas o reflexo de uma política deliberadamente anti-negro.

Cilas Machado e Erick Andrade 28 nov 2019, 13:15

É sabido que Bolsonaro e seus aliados têm a falsificação da história como política. O governo, que não apresenta qualquer política de reparação e justiça para o povo negro, parece se preocupar oportunamente com a condição histórica do negro no Brasil. Ainda deputado, Bolsonaro nunca escondeu seu racismo. Chegou a defender no plenário da Câmara a ideia boçal de que negros são naturalmente inferiores a brancos. O presidente declarou que quilombolas “não servem pra nada, nem para procriadores servem mais”, atacou também imigrantes e refugiados de países africanos. Em descarada entrevista ao Estadão, afirmou que “não entraria em um avião pilotado por um cotista nem aceitaria ser operado por um médico cotista”.

Os posicionamentos de Bolsonaro são apenas o reflexo de uma política deliberadamente anti-negro. O presidente não é o único a expressar publicamente seu racismo. Dentre sua trupe, estão os que quebram placas, que incitam a violência policial e a criminalização da juventude negra e de suas expressões culturais. São os mesmos que tem defendido o Pacote anti-pobre e anti-negro de Sergio Moro, e os que agitam atonitamente o Excludente de Ilicitude, que legaliza oficialmente o genocídio negro por parte do Estado e seus agentes.

Hoje, 27, o Presidente nomeou Sérgio Nascimento de Camargo para a Fundação Cultural Palmares, mais um notável ataque aos negros brasileiros. Sérgio, embora negro, é mais uma caricatura de Fernando Holiday. Conhecido em suas redes sociais pelos absurdos que diz contra a luta histórica do movimento negro brasileiro, se reconhece como um negro de direita contra o que chama de vitimismo e politicamente correto. Enfim, nada mais nada menos que mais um na trupe de lunáticos do governo. Os mesmos que, em maio deste ano, fizeram homenagens à Princesa Isabel, mas rejeitam a luta histórica da negritude por emancipação. Sua postura conivente com o racismo do governo Bolsonaro é uma afronta à própria produção intelectual de seu pai, o ativista negro Oswaldo Camargo.

A nomeação de Sérgio para ocupar uma Fundação histórica como Palmares é mais do que um ataque ao movimento negro, é também uma forma de falsificação da nossa história enquanto país, da negação do racismo, mas sobretudo uma forma de avançar em seu projeto. O bolsonarismo não é compatível com uma sociedade cujas negros e negros tenham como símbolo o Quilombo de Palmares, Zumbi e Dandara, não é compatível com uma sociedade que reconhece a luta do movimento negro, e o representante da Fundação Palmares não pode ser alguém que rejeita a história de opressão contra o povo negro. É exatamente por isso que precisa colocar figuras tão repugnantes como essas, para afirmar seu projeto e tentar minar nossas lutas

Saibam eles que não irão conseguir, a luta antirracista brasileira pulsa e não é nenhum senhor de engenho e seus capangas que nos fará retroceder. Seguimos em defesa da mobilização permanente até que rompamos com as amarras do capitalismo racista, colonial e machista. Não aceitaremos que deturpem mais de 500 anos de uma história de resistência, que começou assim que o primeiro negro escravizado pisou nas “terras brasilis”. Nossa herança é a dos quilombos. É a de Zumbi, de Dandara e Acotirene. Dessa história, a verdadeira, não abrimos mão.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Na 16ª edição, estão disponíveis dois dossiês. No primeiro, sobre o ecossocialismo, podem-se se encontrar as recentes teses de Michael Löwy, além de uma entrevista com o sociólogo e dirigente da IV Internacional. Também publicamos uma entrevista com Zé Rainha, dirigente da FNL, sobre sua trajetória de luta e os desafios dos socialistas no Brasil; uma entrevista com Antônia Cariongo, dirigente quilombola e do PSOL-MA; e artigos de Luiz Fernando Santos, sobre a lógica marxista e a Amazônia, e de Marcela Durante, do Setorial Ecossocialista do PSOL. O segundo dossiê traz algumas análises iniciais sobre a pandemia de coronavírus. Há artigos de Mike Davis e Daniel Tanuro; documentos do MES e do Bureau da IV Internacional; além de uma densa análise de nossas companheiras Evelin Minowa, Joyce Martins, Luana Alves, Natália Peccin Gonçalves, Natalia Pennachioni e Vanessa Couto e de um artigo do camarada Bruno Magalhães. A seção de depoimentos traz um instigante artigo de Pedro Fuentes sobre a história de seu irmão Luis Pujals, o primeiro desaparecido político da história da Argentina. Já a seção internacional traz uma análise do sociólogo William I. Robinson sobre a situação latino-americana.