Preparando as lutas do futuro, Encontro Nacional de 20 Anos do MES lota a quadra dos bancários em São Paulo
Mosaico de fotos do Encontro de 20 anos do MES

Preparando as lutas do futuro, Encontro Nacional de 20 Anos do MES lota a quadra dos bancários em São Paulo

Mais de 1300 militantes, de 23 estados do Brasil, se reuniram para debater, com organizações aliadas nacionais e internacionais, os próximos passos de nossa jornada de lutas pela revolução socialista.

Revista Movimento 20 nov 2019, 15:14

No último dia 15 de novembro, a militância do Movimento Esquerda Socialista de todos os cantos do Brasil reuniu-se na quadra do Sindicato dos Bancários, em São Paulo. Nossas companheiras e companheiros atravessaram o país por longos dias para celebrar uma conquista coletiva: nossa organização completou 20 anos! Foram mais de 1300 militantes, vindos de 23 estados do Brasil. Conscientes de nossas limitações e enormes desafios, mas felizes pelo que conquistamos até aqui, o Encontro Nacional de 20 Anos do MES buscou debater, com organizações aliadas nacionais e internacionais, os próximos passos de nossa jornada de lutas pela revolução socialista.

Num lindo plenário, nossa militância fez-se presente unindo todas as vozes na agitação e colorindo o espaço com nossas bandeiras e faixas, erguidas nas lutas do povo brasileiro ao longo dos últimos anos. Também tremulava em nossas bandeiras a imagem de nossa companheira Marielle Franco, de quem tomamos inspiração para seguir e para quem seguimos exigindo justiça. As camisetas celebrando os 20 anos de nossa corrente e nossas origens marxistas vestiam nossas companheiras e companheiros, alegres por compartilhar este momento de encontro e reflexão, que também ensejou o lançamento de novas publicações da Editora Movimento: a Revista Movimento – especial 20 anos, o livro Bem-vindo ao Marxismo, de Pedro Fuentes, e a nova edição brasileira de Reforma ou Revolução, clássico de Rosa Luxemburgo, apresentada por Luciana Genro.

A bateria anunciou o início dos trabalhos, demonstrando a força da juventude, organizada nas colunas do Juntos e do Emancipa.

Em nome da Direção Nacional do MES, Israel Dutra, Secretário de Relações Internacionais do PSOL, abriu os trabalhos, valorizando o esforço militante para viabilizar nosso encontro e a dimensão de nossas tarefas futuras, para as quais nossa bússola internacionalista e nossa aposta na mobilização da classe trabalhadora são decisivas.

Unir as lutas: tomar as ruas e o campo por uma nova alternativa política!

Com bastante emoção, Luciana Genro, nossa grande referência pública, fundadora e dirigente do MES, empolgou o plenário ao reconstruir a história de nossa corrente e das lutas que travamos ao longo dos últimos 20 anos, da batalha pela construção do PSOL como alternativa, relembrando nossas tradições mais distantes e apontando nossos caminhos para o futuro. Para Luciana, “a história do MES é a história daqueles e daquelas que ousam lutar para construir um projeto alternativo e coletivo à barbárie do capitalismo”.

Um reencontro, em particular, trouxe grande entusiasmo à nossa militância. A intervenção dos companheiros e dirigentes da Frente Nacional de Lutas (FNL), Diolinda Alves e José Rainha, que relembrou os enfrentamentos conjuntos desde 2003 e a possibilidade de novas sínteses na luta do campo e da cidade para afirmar o PSOL como um projeto de superação da barbárie capitalista no Brasil e de afirmação do socialismo como saída. A presença de Áureo Cisneros, presidente do Sindicato da Polícia Civil de Pernambuco e dirigente dos Policiais Antifascistas, a fala da companheira Patrícia Felix, conselheira tutelar do Rio de Janeiro mais votada em todo país e que subiu ao palco com outros conselheiros e conselheiras eleitos do MES, além da vereadora feminista de Pelotas Fernanda Miranda.

As lutas de nossas e nossos camaradas, em todo o país, foram lembradas com orgulho: Mariana Riscali, Honório Oliveira e Frederico Henriques falaram de nossa intervenção partidária; Maurício Costa e Tati Ribeiro valorizaram a experiência da Rede Emancipa; a deputada estadual Mônica Seixas e Heloise Rocha destacaram nossa intervenção nos conflitos ambientais; Paula Kaufmann e Zeneide Lima apontaram a importância da luta das mulheres; Camila Souza e Adriano Mendes sublinharam a importância estratégica da juventude e do Juntos na construção de nossa organização; Danilo Serafim tratou da expansão da intervenção sindical de nossa corrente; o deputado estadual Sandro Pimentel, dirigente e pioneiro, e Nonnato Masson, dirigente do PSOL-MA, valorizaram a construção e rápida expansão do MES no Nordeste brasileiro; Sara Azevedo e a codeputada estadual Erika Hilton valorizaram a luta LGBT do MES, divindindo o palco com as representações estaduais LGBT da corrente. Josemar Carvalho e Luana Alves, por sua vez, eletrizaram o plenário com sua intervenção sobre a luta antirracista e sobre a construção da negritude do MES. No ápice de nossa celebração, centenas de camaradas negras e negros subiram ao palco e bradaram junto ao público: “Povo negro unido, povo negro forte!”.

Diversas organizações parceiras no Brasil também saudaram a história do MES, reafirmaram o papel fundamental de nossa organização para a fundação e desenvolvimento do PSOL, e trataram dos desafios de nosso partido para ganhar peso de massas e organizar a luta contra o governo Bolsonaro: Comuna, TLS, com nosso parceiro Leandro Recife (secretário-geral do PSOL), APS, Primeiro de Maio, CST, Barulho, Fortalecer o PSOL, Insurgência, LSR, Resistência, Esquerda Marxista, a vereadora Mariana Conti (PSOL-Campinas), o deputado estadual Raul Marcelo e, por vídeo, Juliano Medeiros (presidente nacional do PSOL).

A nossa luta é internacional!

No aniversário do MES reafirmamos nosso compromisso com a luta internacional. Vibramos ao relembrar a explosão de lutas que acontece no mundo, em especial na América Latina. Michael Löwy, em nome da direção da IV Internacional, falou ao plenário sobre os desafios de nossa época histórica, resgatando lições preciosas do passado, como a Frente Única Antifascista e as experiências de luta dos trabalhadores brasileiros, como a batalha da Praça da Sé – ocorrida em 1934 a poucos metros de onde nos reuníamos em 2019 –, quando trabalhadores comunistas, socialistas e anarquistas enfrentaram e derrotaram uma concentração de integralistas. Löwy também destacou a gravidade da crise ecológica em todo o mundo, a importância da incorporação do ecossocialismo como perspectiva estratégica dos revolucionários e valorizou a incorporação do MES à IV Internacional.

As delegações estrangeiras também tomaram a palavra: Tito Prado (do Súmate/Movimento Novo Peru), Jared Abbott (DSA/EUA), Éric Toussaint (IV Internacional/Comitê pela Abolição das Dívidas Ilegais), José Luis Hernández (CRS/México), Alfons Bech (La Aurora/Estado Espanhol), Aurélio Robles (MAS/Panamá), Maria Mercedes (Nicarágua). O companheiro Juanito saudou a plenária em nome do povo boliviano contra o golpe de Estado e o camarada Cristian Cuevas (Convergencia Social-Frente Ampla/Chile) tratou da luta do povo chileno, que comove o mundo, contra o neoliberalismo e o governo repressor de Sebastián Piñera.

Em defesa do nosso legado e pela construção do presente e do futuro!

Num momento de felicidade e muita emoção, a militância do MES fez uma justa homenagem a nosso camarada Pedro Fuentes, fundador do MES e do PSOL, militante revolucionário há mais de 50 anos, construtor de organizações socialistas em todo o mundo e incansável lutador internacionalista. Pedro nos lembrou da importância das raízes teóricas e políticas, da tradição marxista e internacionalista, fundamentais para o MES alcançasse a marca de duas décadas de existência. Lembramo-nos também do aguerrido companheiro Enrique Morales, fundador do MES e do PSOL.

Para tratar das perspectivas do Movimento Esquerda Socialista, nossas porta-vozes nacionais, os parlamentares nacionais David Miranda, Fernanda Melchionna e Sâmia Bomfim valorizaram os acertos estratégicos que permitiram à nossa corrente uma audiência nacional para nossas posições, mas alertaram para os desafios da construção de uma oposição sólida ao governo Bolsonaro e para a necessidade de afirmar uma posição independente e socialista no interior do PSOL.

Encerrando as intervenções, Roberto Robaina, dirigente nacional do MES e do PSOL, tratou das perspectivas de nossa organização, da luta pela emancipação da classe trabalhadora e do povo brasileiro, da construção de uma organização internacional dos revolucionários e da alegria dos passos dados até aqui. 

Por fim, as e os oradores, além das delegações internacionais que nos honraram com sua presença, tomaram o palco para cantar, a centenas de vozes, o hino da vitória dos explorados e oprimidos de todo o mundo: o Hino da Internacional.

A alegria da celebração, no entanto, abriu espaço para uma forte dinâmica de trabalho no fim de semana, quando se organizou uma reunião ampliada da Coordenação Nacional do MES e uma reunião internacional do MES – com a presença do camarada Éric Toussaint, do Bureau da IV Internacional, além das delegações internacionais e de organizações nacionais aliadas – que refletiu a situação internacional e ampliou nossos vínculos externos e nossa coordenação. Após uma jornada intensa, mas revigorante, temos a certeza de que caminhamos mais fortalecidos, consciente de nossos desafios e de nossas tradições. Seguimos, como há 20 anos, prontos para “tomar as ruas” para lutar por Socialismo e Liberdade! O socialismo cresce!

Fotos


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
O MES completa 20 anos. A edição n. 14-15 da Revista Movimento é dedicada por completo ao importante evento que marca duas décadas de nossa história. Apesar de jovens, podemos dizer que poucas organizações na história política da esquerda brasileira alcançaram essa marca com tamanho vigor. Longe de autoproclamação, desejamos transformar nossos êxitos em força social e militante para novos e amplos impulsos. Ainda não cumprimos uma maratona, mas nossa história sem dúvida deixou para trás a visão de curto prazo, que alguns adversários nos chegaram a prognosticar. Diante das muitas provas, vitórias e algumas derrotas, podemos celebrar e somar forças para enfrentar as tarefas imediatas: derrotar a tentação autoritária de Bolsonaro e avançar na construção de uma alternativa socialista.