Carta ao PT: a hora do impeachment é agora!
Foto: Marcos Corrêa/PR

Carta ao PT: a hora do impeachment é agora!

Deputada do PSOL questiona partido sobre ação pelo impeachment.

Fernanda Melchionna 29 abr 2020, 20:16

Desde o início da pandemia, tínhamos claro que Bolsonaro seria um entrave ao enfrentamento à Covid-19 no Brasil. Por essa caracterização eu, Sâmia Bomfim, David Miranda, Luciana Genro e mais de 200 intelectuais e artistas protocolizamos um pedido de impedimento de Bolsonaro, que foi apoiado por mais de um milhão de pessoas. Não temos dúvida que Bolsonaro já cometeu inúmeros crimes de responsabilidade, mas a urgência da crise sanitária impunha medidas mais duras por parte da esquerda socialista.

De lá para cá nossa caracterização só se confirmou. As medidas desrespeitando governadores e prefeitos, a demora na garantia da renda básica para o povo, a demissão de Mandetta justamente porque o ministro da saúde cumpria as recomendações da OMS e até a convocação de marchas, claramente golpistas, em meio à pandemia foram os passos seguintes. As revelações da interferência política na Polícia Federal feitas por Moro foram mais um golpe pesado que balançou o governo Bolsonaro e dividiu a base bolsonarista.

Até o momento vários partidos e entidades fizeram seus pedidos de impedimento. Rede, Ciro Gomes e o PDT, PSB, Associação Brasileira de Imprensa. São mais de 24 pedidos.

Agora é preciso unir todos os pedidos e ampliá-los, incluindo quem ainda não decidiu entrar nessa luta também.

Entretanto, a direção do PT e sua maior liderança, o ex-presidente Lula, têm afirmado que não é o momento correto para o impedimento. É urgente que mudem de posição. Seus 56 deputados são muitos e pesam nessa decisão. No dia 21 de abril as bancadas da Câmara e do Senado do PT assumiram a consigna do Fora Bolsonaro, o que é muito importante. Mas precisamos dar o passo adiante. É preciso juntar o maior número de deputados na luta pelo impedimento do presidente criminoso. Sob o risco de, nesse ínterim, Bolsonaro reconstituir suas forças, comprar deputados e, ao mesmo tempo, ao colocar na Polícia Federal e no Ministério da Justiça gente de sua confiança, avançar no seu plano ditatorial.

Essa é a tarefa agora, impedir que essa mudança de qualidade aconteça no regime político. É no tempo presente que disputaremos qual vai ser o futuro. As condições de normalização não irão se apresentar, pois o governo é anormal. O pior erro que pode-se cometer é se pautar pelo calendário eleitoral de 2022. Esperar que Bolsonaro sangre até lá significará milhares de mortes pela Covid-19 e a radicalização da extrema-direita que ao diminuir se recrudesce. A história já nos ensina, nenhum governo cai de podre e a extrema-direita precisa ser derrotada estrategicamente. Caberá a nós mostrar que o Brasil é muito maior que Bolsonaro.

Artigo originalmente publicado no site da deputada.

Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Na 16ª edição, estão disponíveis dois dossiês. No primeiro, sobre o ecossocialismo, podem-se se encontrar as recentes teses de Michael Löwy, além de uma entrevista com o sociólogo e dirigente da IV Internacional. Também publicamos uma entrevista com Zé Rainha, dirigente da FNL, sobre sua trajetória de luta e os desafios dos socialistas no Brasil; uma entrevista com Antônia Cariongo, dirigente quilombola e do PSOL-MA; e artigos de Luiz Fernando Santos, sobre a lógica marxista e a Amazônia, e de Marcela Durante, do Setorial Ecossocialista do PSOL. O segundo dossiê traz algumas análises iniciais sobre a pandemia de coronavírus. Há artigos de Mike Davis e Daniel Tanuro; documentos do MES e do Bureau da IV Internacional; além de uma densa análise de nossas companheiras Evelin Minowa, Joyce Martins, Luana Alves, Natália Peccin Gonçalves, Natalia Pennachioni e Vanessa Couto e de um artigo do camarada Bruno Magalhães. A seção de depoimentos traz um instigante artigo de Pedro Fuentes sobre a história de seu irmão Luis Pujals, o primeiro desaparecido político da história da Argentina. Já a seção internacional traz uma análise do sociólogo William I. Robinson sobre a situação latino-americana.