Dois inimigos para o povo combater, o coronavírus e o bolsonarismo
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Dois inimigos para o povo combater, o coronavírus e o bolsonarismo

Bolsonaro é o grande empecilho para que o Brasil enfrente a pandemia.

Naide Pacheco e Rigler Aragão 7 abr 2020, 20:49

Bolsonaro não dá trégua, a todo momento, tenta desestabilizar a estratégia, do ministério da saúde, que é orientada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Desde início da aplicação das orientações da OMS, Bolsonaro tem dado declarações criticando tais orientações, gerando falsos debates, principalmente, em relação ao isolamento social, além de minimizar, as consequências da Covid 19. Até manifestações foram convocadas para tentar desestabilizar nos estados as orientações dos governadores e prefeitos. Agora, ele inicia uma briga mesquinha, com o ministro da saúde, movida por inveja e miopia política que atrapalha o combate a covid 19.

Bolsonaro é o grande empecilho para que o Brasil enfrente a pandemia. Sem a sua queda, as consequências da pandemia no Brasil podem chegar a uma situação catastrófica. A saída dele pode acontecer através de um impeachment ou renúncia. Não acredito em renúncia, esperar que um egocêntrico, mesquinho e louco, como Bolsonaro, renuncie me parece um grande erro político, uma total falta de compreensão da situação. Só haveria a possibilidade de renúncia se houvesse uma situação eminente de perda do poder, que poderia ser por uma revolução ou um impeachment. Portanto, pressionar para que Rodrigo Maia abra um processo de impeachment criaria um processo de mobilização sobre a permanência de Bolsonaro e o aprofundamento da experiência da classe trabalhadora com o projeto ultraneoliberal conduzido pela ultradireita. Um novo cenário mais propicio a esquerda poderia surgir.

Se o governo quisesse fazer algo realmente bom para as pessoas e para a economia, ele já deveria ter iniciado o pagamento da renda básica emergencial. Isso é o que tem de mais urgente para o isolamento social se efetivar, é essencial que todos tenham o direito de permanecer em casa; ficar em casa não pode ser um privilégio de poucos que não precisam se preocupar de como vão conseguir comida. Por isso, a renda básica é uma ação que poderia estar sendo cumprida, o governo dispõe de informações de quem poderia ter recebido desde semana passada. Atrasar este pagamento é, no mínimo, brincar com a saúde de milhões de pessoas.

Entretanto há quem se aproveite desta situação para ficar mais rico. Vivemos em um país com os maiores índices de desigualdade sociais do planeta; segundo a OXFAM 2017, cerca de 0,7% da população concentra 45,6% da riqueza. Isso é importante para compreendermos, por que, o governo se preocupa mais com a economia do que com as vidas de milhares de pessoas. As medidas econômicas até este momento foram viabilizadas para estes 0,7% da população, que são banqueiros, especuladores do mercado financeiro e megaempresário, para eles bilhões já foram liberados imediatamente através do banco central e BNDES. Como se não bastasse, o governo criou medida provisória para reduzir salários ou suspender contratos de trabalho. Realmente vamos esperar que este governo proteja o povo?

O contexto social que a pandemia chegou ao Brasil é muito difícil. Nos últimos anos vimos a perda de vários direitos sociais com as reformas trabalhistas, da previdência, congelamento e redução de investimento em áreas sociais, como saúde e educação, além de um forte aumento da informalidade. Tudo isso sem contar que temos um presidente que não acredita na ciência. Esse momento também deve servir para refletirmos o quanto as políticas neoliberais enfraqueceram o estado e deixou o povo mais desprotegido socialmente para situações adversas.

Em meio a pandemia é necessário a exigência de medidas que dê segurança a todos e todas. As demissões devem ser proibidas durante a pandemia e a renda básica paga imediatamente; os leitos dos hospitais privados devem ficar sob controle do SUS e não o contrário, vários hospitais de campanha estão sendo construídos com dinheiro público mas serão geridos por Organizações Socias OS (empresas privadas); os trabalhadores da saúde precisam de EPI e outros equipamentos para salvar vidas, por isso, é preciso que a indústria brasileira produza estes equipamentos, assim como acontece em outros países em que houve conversão na indústria para suprimir a falta de equipamentos para os hospitais. O Enem deve ser suspenso para que milhares de estudantes da rede pública não sejam prejudicados.

Sobre a crise entre Bolsonaro e Mandeta ficou claro que rolou uma negociação, uma intermediação. Após a crise o Ministério da Saúde anunciou que vai orientar a redução do isolamento social em estados que não estão com seus equipamentos de saúde sobre carregados. Isso pode levar a um impulso do contágio, pois, estamos em momento inicial do contágio como vários infectologistas vêm afirmando.

Portanto, o isolamento social é a melhor medida de combate ao contágio, estamos falando de um vírus que não tem vacina e nem medicamentos para tratar a infecção causada no corpo humano. Logo, a melhor forma de combater é a prevenção para que não haja uma super proliferação de contaminação e, com isso, sobre carga dos equipamentos de saúde e potencialização da mortandade.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Na 16ª edição, estão disponíveis dois dossiês. No primeiro, sobre o ecossocialismo, podem-se se encontrar as recentes teses de Michael Löwy, além de uma entrevista com o sociólogo e dirigente da IV Internacional. Também publicamos uma entrevista com Zé Rainha, dirigente da FNL, sobre sua trajetória de luta e os desafios dos socialistas no Brasil; uma entrevista com Antônia Cariongo, dirigente quilombola e do PSOL-MA; e artigos de Luiz Fernando Santos, sobre a lógica marxista e a Amazônia, e de Marcela Durante, do Setorial Ecossocialista do PSOL. O segundo dossiê traz algumas análises iniciais sobre a pandemia de coronavírus. Há artigos de Mike Davis e Daniel Tanuro; documentos do MES e do Bureau da IV Internacional; além de uma densa análise de nossas companheiras Evelin Minowa, Joyce Martins, Luana Alves, Natália Peccin Gonçalves, Natalia Pennachioni e Vanessa Couto e de um artigo do camarada Bruno Magalhães. A seção de depoimentos traz um instigante artigo de Pedro Fuentes sobre a história de seu irmão Luis Pujals, o primeiro desaparecido político da história da Argentina. Já a seção internacional traz uma análise do sociólogo William I. Robinson sobre a situação latino-americana.