Vencemos a primeira etapa da luta para derrubar Bolsonaro
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Vencemos a primeira etapa da luta para derrubar Bolsonaro

Encerrado o primeiro ciclo.

Roberto Robaina 21 jun 2020, 17:27

Os atos deste domingo (21) encerraram um primeiro ciclo da luta pela derrubada de Bolsonoro. Só um primeiro ato. Durante os meses iniciais do ano, a extrema direita estava se manifestando nas ruas em favor do governo genocida. Algumas manifestações de março e abril chegaram a ser relativamente fortes, não de massas, mas com base social de classe média comerciante e afins, querendo flexibilizar as regras de distanciamento (em verdade, liquidar com elas).

Naquele momento, a aparência era de que apenas a canalha bolsonarista tinha poder de convocatória. Os manifestos e as notas de repúdio contra Bolsonaro estavam cansando, cuja ineficácia mostrava que as redes são úteis mas não podem substituir as ações de rua. Até que se saiu. Primeiro, sozinho, um grupo de antifascistas de Porto Alegre, confrontando os bolsonaristas em frente ao quartel. As manifestações do governo já estavam fracas. No dia 31 de maio, em SP, os antifascistas, puxados pela torcida do Corinthians, ganharam nas ruas dos fascistas em número e em determinação.

Era já a mudança na relação de forças nas ruas. Acabara a ideia de que os bolsonaristas teriam mais força nas ruas. No domingo seguinte, a prova foi completa. Apesar da tentativa de uma parte da esquerda de desmobilizar, no dia 7 de junho, impulsionados por SP e na esteira da rebelião negra nos EUA, protestos antirracista e antifascista, e pelo Fora Bolsonoro, foram a marca do país de norte a sul. As manifestações bolsonaristas quase não existiriam. Foram elas que ficariam encolhidas desde então.

Neste domingo (21), encerra-se o ciclo, cuja a definição é a do ciclo em que os bolsonaristas perderam o domínio das ruas. Eles podem seguir fazendo seus atos. Serão pequenos. Serão isolados. Não terão apoio. Poderemos fazer alguns manifestos, mas já deixamos claro que não lutaremos apenas com manifestos. Nem apenas nas redes. Bateremos panela; faremos manifestos; utilizaremos as redes. E iremos às ruas quando for o caso.

Hoje, em razão da pandemia, já fomos em menor número. Fomos ainda com mais cuidados com o distanciamento social. No próximo domingo, nem deveremos ir por conta de que o ciclo encerrado já tem seu balanço claro e porque temos de contribuir para que a tragédia da saúde não aumente. Mas estamos atentos. E voltaremos assim que avaliarmos necessário.

E quando voltarmos, será com muito mais gente. Será para o ato seguinte, para o ato final: o da queda de Bolsonaro e sua milícia.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

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Na 16ª edição, estão disponíveis dois dossiês. No primeiro, sobre o ecossocialismo, podem-se se encontrar as recentes teses de Michael Löwy, além de uma entrevista com o sociólogo e dirigente da IV Internacional. Também publicamos uma entrevista com Zé Rainha, dirigente da FNL, sobre sua trajetória de luta e os desafios dos socialistas no Brasil; uma entrevista com Antônia Cariongo, dirigente quilombola e do PSOL-MA; e artigos de Luiz Fernando Santos, sobre a lógica marxista e a Amazônia, e de Marcela Durante, do Setorial Ecossocialista do PSOL. O segundo dossiê traz algumas análises iniciais sobre a pandemia de coronavírus. Há artigos de Mike Davis e Daniel Tanuro; documentos do MES e do Bureau da IV Internacional; além de uma densa análise de nossas companheiras Evelin Minowa, Joyce Martins, Luana Alves, Natália Peccin Gonçalves, Natalia Pennachioni e Vanessa Couto e de um artigo do camarada Bruno Magalhães. A seção de depoimentos traz um instigante artigo de Pedro Fuentes sobre a história de seu irmão Luis Pujals, o primeiro desaparecido político da história da Argentina. Já a seção internacional traz uma análise do sociólogo William I. Robinson sobre a situação latino-americana.