Eleição, pandemia e algumas perspectivas
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Eleição, pandemia e algumas perspectivas

Economia e saúde pública devem nortear os debates municipais.

Rigler Aragão 1 jul 2020, 15:08

Estamos nos aproximando das eleições municipais de 2020, mesmo que estejamos em meio a pandemia as eleições ocorrerão este ano. A pandemia secundarizou, até o momento, o debate eleitoral, e não é para menos, o mundo todo está sendo afetado. No Brasil, nosso cenário se torna mais dramático devido a irresponsabilidade do presidente, que potencializa os efeitos da pandemia, combinado com o oportunismo dos prefeitos e governadores, criando um ambiente de morte para a população mais pobre, não é à toa que estamos chegando a 60 mil mortes.

Um dos principais debates destas eleições será a saúde pública. A pandemia demonstrou que as políticas privatistas que terceirizaram, sucatearam os equipamentos de saúde público e desvalorizaram profissionais da saúde, para fortalecimento do setor privado, foram os principais causadores do caos nos hospitais. É necessário que o povo faça um balaço das ações que cada prefeito tomou, antes e durante a pandemia.

Pois, a pandemia evidenciou os interesses que influenciam e dominam as gestões municipais, poucas ações foram realizadas para defender os trabalhadores mais vulneráveis, trabalhadores informais, artistas, desempregados e camponeses. A manutenção ou reabertura de serviços não essenciais é a prova disso, os prefeitos, mesmo sabendo dos riscos à saúde, optaram por manter as atividades tendo clareza que os empregos não se manteriam e a crise econômica só aumentaria, isso é uma forma de lavar as mão e fazer o jogo de empresários, melhor dizendo, fazer o jogo de quem financia campanha eleitoral.

Portanto o poder local, a gestão municipal, não é neutra, suas ações estão sob forte influência dos setores que detêm o poder econômico (industriais, banqueiros, grandes comerciantes, latifundiário e o setor imobiliário). A sociedade não é homogênea, ela se apresenta dividida em classes sociais que possuem interesses antagônicos e contraditórios. Uma das consequências é a desigualdade expressa nas periferias, espaços de segregação social sem acesso a equipamentos de saúde, educação, transporte, cultura e lazer. Essa desigualdade é reproduzia cotidianamente, um círculo vicioso de exclusão social que se aprofunda com as políticas neoliberais em todo país.

As eleições é momento de debater a realidade concreta. O povo não pode continuar sendo excluído do poder, a maioria das gestões municipais são tecnocratas, desconsideram que o povo tem muito a contribuir com as soluções de problemas da cidade, acreditam que apenas uma equipe de técnicos pode desenvolver soluções. A maioria dos conselhos municipais são biônicos, formados por pseudorrepresentantes dos trabalhadores e movimentos populares, onde a maioria é garantida pela própria gestão e que não têm poderes deliberativos, são apenas para cumprir formalidade. É possível acreditar na experiência que as mulheres e o movimento negro vem desenvolvimento e aglutinando força nas escolas, universidades e na periferia, são movimentos que podem determinar o cenário político e assumir o protagonismo com candidaturas autenticas e com maior peso de reivindicação de participação na elaboração de políticas públicas.

Um outro ponto importante para as eleições, é a questão de como ativar a economia local e gerar renda. A crise econômica continuará afetando a geração de emprego, levará um bom tempo para chegarmos a níveis anterior a pandemia. Por isso, será necessária uma forte política de geração de renda, o governo local não poderá esperar que a iniciativa privada ou que as pessoas individualmente se virem. É preciso que disponha de recursos públicos para articular cooperativas de trabalhadores, intensifique o investimento em infraestrutura para gerar emprego e ações articuladas de cultura, turismo, esporte e lazer envolvendo trabalhadores informais, artistas locais, grupos esportivos e culturais. São algumas ações que podem impactar na economia local e gerar emprego e renda, por isso, a importância das próximas eleições municipais.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.