O que é uma candidatura coletiva? Por que votar numa mulher negra?

O que é uma candidatura coletiva? Por que votar numa mulher negra?

O que é um mandato coletivo? Como funciona? Para que serve?

Mônica Seixas 4 nov 2020, 19:04

Nas eleições de 2018, fui eleita deputada estadual junto a outros deputados em uma candidatura coletiva chamada Bancada Ativista. Mas o que é um mandato coletivo? Como funciona? Para que serve?

Primeiramente, uma candidatura coletiva serve para fortalecer figuras que tradicionalmente não encontram espaço nas instituições. Eu mesma, como mulher negra, dificilmente teria sido eleita se não tivesse somado forças a Erika Hilton, mulher negra e trans que agora é candidata a vereadora em São Paulo, Chirley Pankará, uma mulher indígena, e tantas outras ativistas que encontram força na ação coletiva pois o individualismo burguês não nos favorece.

Como consequência, uma candidatura ou mandato coletivo não deve ser uma mera soma de projetos individuais. É preciso ser coletivo no sentido forte do termo. Ou seja, que haja um projeto político comum pelo qual cada ativista lutará e apoiará seus parceiros e parceiras. Trata-se de muitas vezes abrir mão de ambições pessoais em prol desse coletivo. Isso é o inverso do que vemos tradicionalmente na política. Nosso sistema político e eleitoral é montado de modo a privilegiar indivíduos (geralmente homens brancos e ricos) que utilizam a máquina pública e partidária para promover seus interesses pessoais.

Esses dois fatores, na minha opinião, definem uma candidatura coletiva. Considero bons exemplos a Banca Preta, de Campinas, e o Ativoz, de Osasco. Mas se uma candidatura se apresenta pelo nome e sobrenome do candidato ou candidata, não significa que não seja coletiva. Por exemplo, em São Paulo, minha companheira de lutas Luana Alves constrói uma candidatura que eu considero coletiva. Mulher negra e trabalhadora da saúde, Luana constrói sua campanha de forma horizontal com pessoas que como ela contra o racismo e em defesa do SUS. Dentre os coletivos que constroem a campanha, estão o Emancipa, rede de cursinhos populares que luta por educação nas periferias, e o Juntas, coletivo feminista, dos quais Luana faz parte há anos. Portanto, apesar da candidatura apresentar-se com o nome de sua porta voz, não se trata de uma iniciativa individual em proveito próprio que irá beneficiar quem tradicionalmente é privilegiado no sistema político-eleitoral. Ao contrário, a campanha de Luana Alves me parece corresponder aos critérios de representatividade e coletividade que considero essenciais numa candidatura coletiva.

Além disso, é muito importante atentar para qual indivíduo receberá o diploma de parlamentar, ou seja, será o “cabeça” da chapa. Porque, infelizmente, por mais coletiva que seja a construção, o nosso sistema político reconhece apenas um indivíduo como parlamentar. Isso significa que este indivíduo terá prerrogativa maior que os demais, isto é, maiores responsabilidades, poder decisão e aparição pública. Nesse sentido, a candidatura coletiva coletiva da qual fiz parte, que também tinha tinha homens e mulheres brancas na composição, me escolheu como representante por ser mulher negra e por entender que seria importante garantir maior representatividade para alguém com o meu perfil. Portanto, recomendo que você preste especial atenção a quem será o/a porta voz da candidatura.

Da mesma forma, reivindico o PSOL como partido mais apropriado para a construção de candidaturas coletivas. Primeiramente, por ser um partido que já defende cotidianamente o engajamento militante e a luta por um projeto coletivo que extrapola interesses individuais. Além disso, por ser o partido mais comprometido com a luta das mulheres, negras e negros e LGBTs que buscam representatividade nas candidaturas coletivas.

Seja parte do coletivo! Conheça as candidaturas do PSOL e participe da nossa campanha. É com projetos coletivos que a gente constrói um mundo menos individualista. E ajude a fortalecer quem historicamente foi afastada dos espaços de poder elegendo uma mulher negra.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.