De vereadora eleita mais votada de Belém a primeira deputada federal negra e LGBTI+ do Pará
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De vereadora eleita mais votada de Belém a primeira deputada federal negra e LGBTI+ do Pará

Vivi Reis é a nova deputada federal do PSOL.

Vivi Reis 8 jan 2021, 13:46

Ter a possibilidade de me tornar deputada federal, após ter sido a mulher mais votada nas eleições para a Câmara Municipal de Belém, quinto lugar entre todos os eleitos e também a mais votada entre os municípios da Amazônia, representa levar para Brasília a defesa dos interesses dos paraenses, além de amplificar o debate sobre as desigualdades sociais e o combate às opressões na perspectiva das mulheres negras da Amazônia.

Chegamos à Câmara Federal no momento em que atravessamos uma das maiores crises sanitárias, sociais e econômicas da história do país, mas também de acúmulos positivos com a vitória de Edmilson Rodrigues nas eleições em Belém e o avanço da participação de mulheres, sobretudo negras e LGBTIs, na política. Neste último aspecto, vale ressaltar que ainda estamos muito longe de atingir a paridade e equidade desejadas, mas é inegável que avançamos.

A nossa presença hoje no Parlamento é um marco histórico. Nosso partido, o PSOL, é o primeiro a possuir uma bancada federal composta por maioria de mulheres e com paridade entre mulheres brancas e negras. É importante destacar que as deputadas do PSOL são referências feministas no combate a política anti povo e machista do Bolsonaro.

Estaremos junto dessa combativa bancada para derrotar o projeto genocida que é responsável pelas milhares de mortes por COVID 19 no Brasil. Nossa luta será em defesa do SUS, da vacinação para todos e renda básica permanente.

O PSOL é também o partido que abriga dois dos três parlamentares assumidamente LGBTIs do Congresso. São marcos importantes de que nossas vozes começam a ecoar não mais apenas nas ruas, mas também nos espaços de decisão e poder.

Em Belém, não perderemos espaço de atuação política na Câmara Municipal, pois quem assumiu a vaga de vereadora é a Enfermeira Nazaré Lima, mulher negra e trabalhadora da saúde.

Nosso mandato será pautado na defesa das bandeiras que levantamos há muito tempo: pela saúde pública de qualidade, Amazônia e seus povos, fortalecimento dos movimentos feministas, antirracista e combate à violência contra LGBTI, conectando as lutas locais à conjuntura nacional e internacional.

Defender os povos da Amazônia é defender a derrubada do atual modelo de desenvolvimento que privilegia o grande capital e o agronegócio, cortando e queimando a floresta, invadindo terras indígenas e quilombolas, destruindo modos de vida tradicionais, ampliando os bolsões de miséria nos centros urbanos da região.

Não é mais aceitável que a Amazônia se torne pauta nacional apenas quando a chuva ácida dos incêndios cai sobre o sudeste e que um estado praticamente inteiro, como ocorreu no caso do Amapá, passe semanas sem energia elétrica, vivendo um momento de caos que não recebeu a atenção necessária do governo federal.

É preciso compreender o tamanho deste abismo social e lutar para que nossas desigualdades sejam levadas em conta na elaboração de políticas públicas nacionais. Essa é nossa tarefa e temos muita luta pela frente!

Artigo originalmente publicado no site do PSOL.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.