MANTER OS NEGROS E NEGRAS NA CONDIÇÃO DE ESCRAVIZADOS!

“Falei para estudar, mas não quer. Então vai ficar na minha senzala”.

O Racismo recreativo no Brasil é vigente desde a escravização dos povos negros africanos. Em tom de piada e sempre escondido nas falas de humoristas, famosos e até mesmo jornalista. Esse método de racismo é usado para disfarçar os ataques e a violência que os negros, negras e negres sofrem.

Um médico na Cidade de Goiás divulgou um vídeo onde mostra um jovem negro que era seu funcionário acorrentado: os pés, as mãos e o pescoço. Com a seguinte frase: “Falei para estudar, mas não quer. Então vai ficar na minha senzala”, isso não foi em um filme ou documentário realista, isso é racismo recreativo; usar de negros, negras e negres para a diversão de sujeitos brancos. Disse o médico em vídeo: “A gente fez um roteiro a quatro mãos, foi como se fosse um filme, uma zoeira. Não teve a intenção nenhuma de magoar, irritar ou apologia a nada. Gostaria de pedir desculpas se alguém se sentiu ofendido, foi uma encenação teatral”.

Imagem que o médico é um homem branco, com uma fazenda e status social, então já sabem de quem foi à ideia dessa “brincadeira”, brincadeira seria um jogo de futebol, uma brincadeira é pega bandeira, brincadeira é coisa de criança. Um homem branco de meia idade faz toda uma narrativa escravista e chama de zoeira? Centenas de negros foram trazidos para serem escravizados da mesma forma, acha isso engraçado? Mesmo depois de demostrar que o ato que Márcio Antônio Souza Júnior fez é dado como crime de racismo, ele segue tentando manter o discurso como uma brincadeira!

“Por que se tem a compreensão com quem está oprimido e não quem está sendo oprimido”? Djamila Ribeiro. A sociedade acostumou-se a compreender quem está fazendo o ato opressor, o homem negro precisa aceitar que é somente uma brincadeira. Quem está rindo disso? “Até quando utilizarão o humor como desculpa para comentários racistas?”. Nesse caso é ainda mais grave, usando do humor para simular ou situação de tortura e violência.

O médico ainda tenta argumentar:

Médico: E ai, camarão. O povo está enchendo o saco. O que você acha disso?

Funcionário: O povo tem é que trabalhar. A vida melhor que Deus deu para o homem foi trabalhar, moçada.

Médico: Aqui é tranquilidade, paz. Não tem nada de escravidão. Quem não queria uma vida dessa.

O racismo recreativo está presente no Big Brother Brasil 2022 quando uma mulher negra é usada como objeto de zombaria pelos próprios colegas de programa, e ainda é usado de desculpa para a violência silenciadora. No caso a justificativa do senhor Márcio Antônio Souza Júnior era apenas uma brincadeira. Como é a atuação desse médico com homens e mulheres negras em seu consultório? Como ele trata jovens negros! Ele fez esse vídeo para agradar alguém, para alguém rir da condição de escravização de funcionário. O racismo recreativo é usado para mascarar a violência do racismo.

“Falei para estudar, mas não quer.” Zombando da falta de acesso a educação do jovem, se pergunte senhor médico se teve a possibilidade de escolha! Alguém gostaria de perguntar para jovens negras e negros se preferiam está trabalhando ou estudando? Eu sou um jovem negro que trabalha e estuda, estou na segunda graduação ao vinte e dois anos de idade!

Concluímos que a falta de formação humana e histórica falha na vida desse senhor Márcio Antônio Souza Júnior, alguém que precisou estudar mais cinco anos deveria ter o mínimo de formação humana. Pergunta: O que os advogados estão esperando para o médico prestar depoimento? Essa investigação precisa de mais provas para provar o racismo ou injuria racial? Temos prova em vídeo. Uma fala ainda mais incriminadora de racismo recreativo é o a de já ter um roteiro estabelecido. Essa cena é apenas para manter e lembrar os negros, negras e negres de que forma escravos, não aceitaremos esse tipo de violência!


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

   

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Esta é a vigésima quarta edição da Revista Movimento. Iniciando nossas publicações em 2022, preparamos uma edição com um dossiê de mulheres, organizado pelas mulheres do Movimento Esquerda Socialista (MES).