Se não podemos controlá-los, vamos matá-los!

Do Kongo ao Brasil! De Kalunga ao Goiás.

“o fato de terem sido na história vítimas das piores tentativas de desumanização e de terem sido suas culturas não apenas objeto de políticas sistemáticas de destruição, mas, mais do que isso, ter sido simplesmente negada a existência dessas culturas” Nilma Lino Gomes

O povo preto marginalizado por um sistema imerso no ódio e na hostilidade. O racismo e a perseguição aos povos originários (indígenas, quilombolas, ciganos). São perseguidos apenas por existir, porém a existência livre para o culto e atividade espirituais, existência cultural, existência da medicina e da história desses povos. A marginalização e a segregação racial que eles tiveram de enfrentar e resistir para reexistir.

Como escreve Grada Kilomba em seu livro Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano: “já que não posso escravizar, não posso prender, vamos matar lós”. O encarceramento em massa da população originaria (Negra). Segue desumanizando os povos negros em uma perspectiva de uma marcha contra as drogas ou guerra contra as drogas, traduzindo é uma ação de morte contra os jovens negros.

A PM-GO fez um ataque brutal ao povo Kalunga na região centro-oeste do Brasil estado de Goiás, (Estado predominantemente conservador) onde assassinaram quatro pessoas dos Kalunga na Chapada dos Veadeiros no município de Cavalcante-GO, seguindo a PM-GO os Kalunga tinha 500 pés de Cannabis no território do povo. Uma ação de pura crueldade, que apenas faz parte de uma coletividade maior de controle e morte dos povos negros originários. Policia militar não são os cachorros do Governo, a policia faz parte do sistema de segurança pública. Policia não é juiz que define quem vive ou quem morre; o que te dá o direito de dar mais um tiro ou mais um soco em uma pessoa negra? Ou seja, o fato de ser negra e existir enquanto negra.

As identidades dos povos devem ser respeitadas, enquanto pessoas negras morrem por ataques como esse dos povos Kalunga. “A policia é racista”, o sistema de perseguição é racista. Mas a resistência dos povos originários ainda segue forte e lutaremos contra qualquer tipo de tentativa de apagamento da existência dos nossos costumes e da nossa cultura. ‘Resisti pra existi’. “Por isso a luta contra o racismo e as desigualdades raciais, assim como a afirmação da identidade negra, são processos complexos, desafiadores e que precisam ser desenvolvidos de forma enfática, persistente e contundente” Nilma Lino Gomes.

O que separa a humanidade da completa animalidade dos seres irracionais? A capacidade humana de amar, racionalmente e irracionalmente, o logos e a compreensão das coisas. Porém a ação de uma força de segurança pública; sem instrumentos técnicos ou a completa falta de empatia com o povo Kalunga na Chapada dos Veadeiros mostra que a PM-GO não tem essa capacidade mínima humana de amar. Mas pior ainda é a falta de responsabilidade com a vida humana, mataram mais um irmão. Neste caso em especifico mataram quatro irmãos trabalhadores, pelo simples fato de existir. Basta um tiro, basta uma ação irresponsável desses homens e mulheres para manter uma estrutura racista, de perseguição e desumanização dos povos negros. Basta de violência ao meu povo, parem de nos matar….



Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

   

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Esta é a vigésima quarta edição da Revista Movimento. Iniciando nossas publicações em 2022, preparamos uma edição com um dossiê de mulheres, organizado pelas mulheres do Movimento Esquerda Socialista (MES).