Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

“As lutas estão dando um salto no mundo”

A história do trotskismo peruano, o papel de Hugo Blanco, o enfrentamento com a ditadura de Fujimori e as oportunidades abertas para a esquerda peruana na atualidade são abordadas nesta entrevista com Tito Prado.

Humberto "Tito" Prado -Reprodução
Humberto "Tito" Prado -Reprodução

Se certa vez o intelectual socialista peruano José Carlos Mariátegui (1894-1930) escreveu que “nada importa, na história, o valor abstrato de uma ideia, mas sim seu valor concreto” 1, a ideia do socialismo tem em Humberto “Tito” Prado um de seus maiores colaboradores para que permaneça com plena validade. Militante pela causa revolucionária desde os tempos de juventude, Tito Prado carrega quase cinco décadas de distintas batalhas travadas sob a tradição trotskista para a direção nacional do Movimiento Nuevo Perú (MNP), novo partido da esquerda peruana que reúne, entre outras correntes, seu Movimento Por la Gran Transformación (MPGT) e a ex-presidenciável Verónika Mendoza, a terceira mais votada nas eleições de 2016 com 18% dos votos.

Nas duas horas de conversa autobiográfica que a revista Movimento realizou com Tito, pudemos tomar contato com parte da história viva e plenamente ativa da esquerda anti-imperialista latino-americana. Nosso entrevistado foi um daqueles jovens estudantes dos rebeldes anos 60 que largou tudo para se juntar ao chamado de Che em prol da revolução internacional. Tito, no entanto, não incorreu no erro de absolutizar a tática guerrilheirista, inconforme com a realidade social peruana. Internacionalista, compreendeu com seu maestro argentino Nahuel Moreno a importância de enxergar a totalidade do movimento revolucionário socialista a fim de transformar o Peru, nunca aposentando o método da organização e mobilização da classe operária e demais setores explorados e oprimidos para o futuro de sua estratégia. E é com essas perspectivas que ele impulsiona uma coluna de jovens quadros revolucionários que está se forjando no Peru pós-Ollanta Humala, ex-nacionalista cuja rendição ao receituário neoliberal foi logo denunciada pelo MPGT de Tito Prado.

Evidentemente, um dos enfoques da entrevista é o balanço histórico de sua experiência com Hugo Blanco – outro militante incansável da revolução peruana, também entrevistado por nossa revista na edição n. 4 e que seguiu outras vias de ativismo. Além de reconstituir os desacertos políticos com Blanco, Tito Prado rememora a coleção de triunfos e tropeços – dos quais ele não se isenta – cometidos pela vanguarda peruana neste quase meio século transcorrido, sem se esquecer de intervir energicamente nas questões presentes que se impõem aos socialistas de nossa época.

Movimento – Em que contexto tu começaste a militar? Que idade tinhas e como foi?

Comecei com as grandes mobilizações juvenis, em particular estudantis, que se deram no mundo no ano de 1968. Eu tinha 18 anos. Estavam acontecendo grandes mobilizações na França, na Argentina e no México. Havia também a luta dos jovens contra a Guerra do Vietnã. Eu sou dessa geração. De um setor da juventude que se radicalizou ao ver estes movimentos que convulsionaram o mundo. Sou parte dessa onda de radicalização da juventude naqueles anos. Como muitos da minha geração, nos perguntávamos por quê? O porquê da Guerra do Vietnã, o porquê destas mobilizações que convulsionaram a França e a Europa, o porquê das ditaduras na América Latina… A partir dessas perguntas, começamos a tomar consciência de que algo não ia bem no mundo. E também em nosso país. Desde a época do colégio, eu era admirador da luta de Hugo Blanco e da luta camponesa que ele encabeçou em Cuzco. Parecia-me formidável que ele fosse a expressão dessa luta tão importante, porque existia no Peru o gamonalismo 2 e a opressão ao índio. Coisas que eu aprendi a partir de algumas leituras. E ele encarnava tal luta em carne e osso. Então, sentia-me, de alguma maneira, parte deste processo e das lutas que se desenvolviam no Peru. Eu estudava arquitetura, na Universidade Nacional de Engenharia (UNI), era um dos mais jovens da minha turma e optei por assumir um compromisso com todas estas causas.

Este artigo faz parte da 5ª edição da Revista Movimento. Quer ler a entrevista completa?Compre a edição impressa aqui!

Este artigo integra a 5ª edição da Revista Movimento, de abr/jun 2017. Confira todos os artigos dessa edição!

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Na quinta edição da Revista Movimento, trazemos ao público um especial sobre a crise brasileira. Nele, publicamos longa entrevista com o economista Plinio Sampaio Jr., que oferece instigante diagnóstico do fracasso da política econômica conduzida pelos governos do PT. Fecham a seção dois artigos sobre o poder das corporações no capitalismo global e a teia corrupta que estabelecem com Estados e governos. Um conjunto de artigos sobre a situação internacional aborda as dificuldades enfrentadas pelo governo Trump, a crise na Venezuela e o avanço das lutas no Peru.

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