Para romper a apatia, é necessário superar o projeto nacional-desenvolvimentista que hoje só destrói direitos e a natureza
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Para romper a apatia, é necessário superar o projeto nacional-desenvolvimentista que hoje só destrói direitos e a natureza

Um chamado ao Encontro dos Estudantes Ecossocialistas e Internacionalistas que será realizado no próximo congresso da União Nacional dos Estudantes

Fabiana Amorim 5 jul 2025, 08:00

Via Juntos!

A União Nacional dos Estudantes é dirigida há quase 40 anos pelo campo governista, PCdoB e PT, que defendem um velho projeto de esquerda incompatível com a crise climática. Por isso o Juntos! não é apenas oposição a gestão da entidade, mas propõe para esse Congresso da UNE o Encontro dos Estudantes Ecossocialistas e Internacionalistas, para que tenhamos uma esquerda à altura das necessidades históricas da nossa geração.

Apesar das tentativas de defesa de que hoje não é mais necessário existir uma oposição dentro da UNE, a partir da justificativa da existência da extrema direita, acreditamos que é justamente por isso, pela urgência e complexidade da situação que vivemos, que é necessário debater qual PROJETO é capaz de derrotar a extrema direita e conquistar um futuro diferente para a maioria da população.

O capitalismo vive uma crise mundial desde 2008 ainda não resolvida. A existência da extrema direita hoje representa a busca de um setor da burguesia por uma saída mais radical para resolver a crise, se necessário exterminando povos, direitos e natureza – com sua principal representação hoje sendo o que faz o Estado de Israel na Faixa de Gaza, apoiado pelo governo Trump.

Essa extrema direita ganha espaço à medida que governos liberais ou social-liberais, tal como é o governo Lula (ainda mais neoliberal em seu âmago econômico), fracassam na tentativa de “gerir” essa crise que se arrasta e tem levado o mundo à guerras, conflitos mas também a revoltas e grandes manifestações, como nos EUA, no Quênia, no Panamá e no mundo inteiro em defesa do povo palestino.

Criar ilusões com um projeto de conciliação de classes para a juventude, em pleno 2025 com um mundo em colapso, é como nos pedir “calma” diante de uma casa pegando fogo. Porque, nem mesmo conciliar é mais possível. A burguesia já não aceita mais quase nada para os debaixo. O agronegócio não satisfeito em arrastar centenas de bilhões de reais do governo federal de orçamento para o desenvolvimento desse setor (notadamente apoiador da tentativa de golpe de Bolsonaro), precisa também do PL da devastação, para avançar ainda mais seu projeto de destruição que só enriquece poucos a custas da fome, da morte e da devastação ambiental.

Mas essa construção de projeto comum que o campo governista tem com setores da burguesia, não se limita à esfera nacional. A referência e apoio aos governos russos e chinês, também escancaram o projeto envelhecido de esquerda que precisa ser superado. Esses países, que aliás demonstram seu fracasso enquanto “alternativa” no combate à extrema direita mundial, ao não tomar nenhuma medida enfática na defesa do povo palestino diante do cinismo das principais instituições da burguesia liberal, também impulsionam projetos que contribuem para o mesmo desenvolvimento de forças produtivas de destruição, como a guerra imperialista deflagrada pela Rússia contra a Ucrânia e o plano de expansão do Agronegócio brasileiro impulsionado pela China.

A ideia de que é possível construir grandes Estados Nacionais de Bem-Estar Social, que desenvolvam suas forças produtivas e tecnológicas para combater a desigualdade é uma fórmula que no passado já nos levou a derrotas, e que na atualidade, significa ainda mais o acirramento da crise climática e das desigualdades, pois demanda um crescimento e expansão econômica incompatível com o esgotamento dos recursos naturais – sabemos, para os mais pobres, que sofrem com o racismo climático.

Essa defesa não se resume a um debate abstrato de conceitos, mas como se posicionam sobre os temas mais centrais e estratégicos para combater a crise climática. Se hoje compreendemos que este é um dos principais problemas da nossa geração, é necessário ir à raiz e sermos consequentes na defesa de um programa independente. Sabe-se, que para frear o colapso ambiental, é necessário frear o desmatamento e o gasto excessivo de combustíveis fósseis. Durante muito tempo, o símbolo de sucesso do governo Lula, defendido pelos governistas, foi a expansão da perfuração de terra para exploração de petróleo nas costas brasileiras. A consequência desse crescimento desenfreado, foi o histórico acidente nas praias do nordeste brasileiro, afetando milhares de trabalhadores e espécies marinhas. Esse projeto, segue sendo levado adiante com o Leilão de diversos novos postos de perfuração de petróleo pelo país, sendo um deles rifado para o Centrão na Foz do Rio Amazonas, mesmo com todos os alertas contrários do IBAMA. Esse mesmo petróleo, segue sendo exportado para o Estado de Israel abastecer seus tanques contra o povo palestino.

O tempo instável e complexo que vivemos exige uma saída radical. Uma parte da burguesia já compreendeu isto e por isso impulsiona a extrema direita mundial. O nosso projeto, não pode ser de conciliação, nem classes, nem com os interesses do planeta. Por isso nós do Juntos!, mais do que uma alternativa a direção do movimento estudantil, fazemos um chamado aos estudantes do Brasil a construírem conosco uma saída ecossocialista, um projeto radicalmente oposto ao que nos apresentam hoje.

No nosso Encontro de Estudantes Ecossocialistas e Internacionalistas, queremos voltar a colocar o que interessa no centro dos debates, dar nome aos bois: o agronegócio é nosso inimigo! Não é possível transferir nenhum centavo mais a este setor golpista, que explora o trabalho e o meio ambiente, que concentra terra, envenena a comida e produz fome. Invade territórios e mata nossos povos indígenas e quilombolas. Não é possível nenhuma esquerda que se proponha a combater a crise climática, conciliar com esse setor. É necessário defender de forma ampla na sociedade a necessidade da reforma agrária, a demarcação de territórios indígenas e quilombolas e um projeto econômico radicalmente oposto ao de exportação de monoculturas, mas que coloque no centro a agricultura familiar e o combate à fome, a partir da gestão do bem comum, para as necessidades das pessoas e não dos lucros.

Como aqueles que não se resignam ao fim do mundo mas também não são hipócritas para negar a raiz dos problemas que vivemos, temos a coragem de dizer: é preciso parar a extração de petróleo! O aumento da temperatura global do planeta, levando a incêndios florestais, alterações no metabolismo da natureza e consequentemente no metabolismo humano é um alerta escancarado que estamos rumando a um futuro perigoso. De imediato, não é possível mais aceitar nenhum litro a mais de petróleo brasileiro para os tanques de Israel. Mas é urgente refletir uma transição ecológica, que comece por combater a possibilidade de extrair petróleo na Foz do Rio Amazonas.

O ecossocialismo que acreditamos, é a nossa ferramenta necessária para enfrentar um mundo de guerras, extrema direita, crise climática e uma velha esquerda desenvolvimentista incapaz de enfrentar nossos inimigos de classe.

Nos apoiamos na luta vitoriosa dos povos indígenas que ocuparam a SEDUC no Pará, no maior protesto da história dos Estados Unidos contra Donald Trump, na corajosa resistência palestina na Faixa de Gaza, na Fotilha, Marcha Global e no mundo inteiro. A nossa força é internacional e aposta que se nós temos a maioria, nós podemos vencer.


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