Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Sobre a condenação de Lula

Sérgio Moro condenou Lula por corrupção. O juízo sobre esta decisão não pode ser apenas jurídico. É sobretudo político.

Reprodução
Reprodução

Sérgio Moro condenou Lula por corrupção. O juízo sobre esta decisão não pode ser apenas jurídico. É sobretudo político. Juridicamente, o processo não terminou. Muitos advogados e juristas defendem que o caso do triplex não apresenta elementos fortes o bastante para condenação. Ao mesmo tempo em que sustentam que o caso do sítio de Atibaia é razão para tanto. De qualquer forma o processo segue e agora o julgamento será o da segunda instância.

Politicamente, entendemos que o processo jurídico contra Lula não pode servir para que sua candidatura presidencial seja impedida por uma decisão jurídica. A candidatura de Lula tem que ter direito de se apresentar. Cassar este direito quando Aécio é senador, Temer é presidente da República, Eunício é presidente do Senado e Maia é o possível sucessor de Temer seria totalmente antidemocrático.

Estamos entre aqueles que condenam Lula politicamente. Consideramos que seu governo organizou esquemas de corrupção. Foram esquemas que se combinaram com a defesa dos interesses dos grandes capitalistas. Isso está posto quando observamos as relações entre Lula e a cúpula do PT com as empreiteiras, com os bancos e com grandes empresas como a JBS. Relações que são, inclusive, programáticas. Afinal a política dos governos do PT foi a de injetar dinheiro público nestes setores, condecorando as “campeãs nacionais” do capitalismo brasileiro – em uma relação na qual Lula usava todo seu poder político para promover os negócios destas empresas no país e no exterior.

Por isso somos desde o início oposição aos governos do PT. O PSOL terá candidatura própria à presidência da República. Defendemos que a cúpula que dirige o PT e a política que ela representa devem ser derrotadas. Nesta perspectiva defendemos a derrota de toda a casta política, na qual a cúpula do PT se integrou e agora defende. Por isso o PT no Senado não defendeu a condenação de Aécio. Por isso Lula foi aliado de Temer e ainda hoje se mantém aliado com Renan Calheiros.

Mas esta derrota deve vir das mãos dos trabalhadores, que precisam apostar na construção de uma nova alternativa.

Se a casta burguesa estivesse na cadeia, se fosse condenada, o quadro seria outro. Mas não é ainda este o quadro. E isso não irá ocorrer apenas pela ação de um setor do Judiciário, que está corretamente combatendo esquemas de corrupção e pondo no cadeia uma parte dessa máfia.

Foi o caso do PMDB de Cabral. Estes lideres burgueses já foram totalmente condenados, não apenas pela Justiça. Foram já condenados pelo povo, pois seus nomes nem constam nas pesquisas de opinião. Mesmo Aécio, que é senador apesar de corrupto evidente, também já foi condenado e está ainda pior cotado entre o povo do que nas cortes da Justiça.

Não é o caso de Lula, que ainda tem apoio de setores do povo. Esperamos que estes setores rompam definitivamente com o lulismo. Rompam para ir em direção a uma nova alternativa e não para se somar aos partidos políticos burgueses que defendem a minoria rica e privilegiada. Partidos que estão ligados à corrupção e que apesar disso seguem governando.

A tarefa que todos os trabalhadores devem se dedicar é a luta pela derrubada de Temer. O Fora Temer está na ordem do dia. Ao mesmo tempo, nosso Fora Temer exige e luta por eleições gerais já, para presidente e para o congresso nacional, fortalecendo a luta para varrer a casta política. Sem novas eleições, além de se manter a casta política, as reformas neoliberais serão aprovadas por este congresso corrupto e pró-patronal.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Apresentamos uma revista especial sobre os 50 anos do Maio de 1968 com o orgulho de herdar uma tradição. Assim como a Comuna de 1871, a Revolução Russa de 1917 e as lutas contra as ditaduras na América Latina, consideramo-nos parte deste excepcional movimento mundial de luta política, protagonizado por jovens e trabalhadores de várias partes do mundo, como nas famosas barricadas de Paris. Consideramos suas lições e sua potência como atuais. Boa parte dos leitores da Revista Movimento participaram ativamente das Jornadas de Junho de 2013 em nosso país. Aos cinco anos deste acontecimento, queremos contribuir para o encontro e a síntese de tão distantes e ao mesmo tempo tão próximas gerações.

Solzinho

Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky

Leon Trotsky Joseph Stalin

MES: Movimento Esquerda Socialista MES: Movimento Esquerda Socialista