Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Clipping semanal da Fundação Lauro Campos 22/07 – 30/07

Reproduzimos material organizado pelo Observatório Internacional da Fundação Lauro Campos sobre as principais notícias do mundo nesta semana.

O presidente venezuelano Nicolás Maduro - Reprodução
O presidente venezuelano Nicolás Maduro - Reprodução
Fundação Lauro Campos Observatório Internacional

Nesta edição especial do Clipping do Observatório, trazemos como destaque maior a polarização na Venezuela que neste domingo (30/07) celebrou as eleições para os representantes da Assembleia Nacional Constituinte convocada por Nicolás Maduro, a despeito dos intensos protestos das oposições. Procuramos englobar os variados pontos de vista sobre a situação venezuelana na realização deste clipping.

Nos EUA, Trump vê o Congresso sabotar sua aproximação com a Rússia, ao mesmo em que prossegue sua marcha regressiva contra os direitos das minorias no país. Na França, à medida que vai apresentando seu programa austeritário, Macron vê sua popularidade encolher, assim como ocorre com o primeiro-ministro conservador do Japão, Shinzo Abe, envolto em escândalos de corrupção. Problema, aliás, que fez a Suprema Corte paquistanesa derrubar o primeiro-ministro paquistanês, Nawaz Sharif.

Na segunda parte de nosso trabalho, ressaltamos a diversidade de posições acerca do impasse na Venezuela. Além disso, compartilhamos artigos sobre a resistência à ditadura na Filipinas, uma análise econômica sobre o Brexit e o debate sobre as relações do capitalismo com a opressão às mulheres.

Tais temas e muitos outros são abordados nos links a seguir. Cumpre salientar, uma vez mais, que a opinião deste Observatório não necessariamente coincide com os textos selecionados, visando sobretudo observar o que se discute tanto na mídia tradicional dos países mais poderosos quanto na websfera progressista internacional.

Charles Rosa – Observatório Internacional da Fundação Lauro Campos

Notícias, artigos e editoriais dos principais sites do mundo

Senado dos EUA aprova sanções contra Rússia; Putin responde pedindo a saída de 755 diplomatas do país

Editorial do NY Times (27/07): “Congresso desafia Trump na Rússia” (inglês)

“Mr. Trump está particularmente atormentado com a disposição conferida ao poder do Congresso para anulá-lo caso ele tente levantar essas sanções, incluindo o retorno dos acordos combinados, como Moscou tem demandado. Tipicamente, o Congresso dá aos presidentes flexibilidade para suspender temporariamente negociações como uma ferramenta de negociação. Mas o Congresso acredita que ele não pode ser confiável, e que a Rússia deve ser responsabilizada, mesmo que a América devesse tentar trabalhar com Putin na Síria e em outras questões”.

Editorial do The Observer (30/07): “A incompetência e as lutas internas na Casa Branca desanimam os aliados dos Estados Unidos e encorajam seus inimigos”  (inglês)

“O fator comum em todas essas situações é a impotência e a ignorância auto-induzidas de Trump, sua falta crônica de credibilidade e autoridade presidencial e conseqüentes percepções da fraqueza dos EUA e do Ocidente. E no caso dos três adversários reais ou potenciais – Coréia do Norte, Irã e Rússia – essas percepções são altamente perigosas. Precisamente porque as respostas, ações e reações dos EUA não podem mais ser confiadas ou previstas, tanto por amigos como por inimigos, o potencial de erros de cálculo calamitoso está crescendo. Essa incerteza, como o caos na Casa Branca e o desordem extraordinário do político do corpo americano, decorre da flagrante incapacidade de Trump para o mais alto cargo. Como agora está ficando cada vez mais claro, isso nos ameaça a todos.”

Trump proíbe transgêneros nas Forças Armadas dos EUA

Por meio de três tweets, o presidente dos EUA Donald Trump anunciou a revogação da portaria do seu antecessor, Barack Obama, que autorizava o alistamento de cidadãos transgêneros nas Forças Armadas do país.

New York Times (26/07): “Trump pune patriotas transgêneros”, por Andrew Rosenthal (inglês)

“Não há nenhuma evidência de que permitir pessoas transgêneras de se alistar interferiria na “vitória decisiva e esmagadora” com a qual fantasia Trump. Estima-se que o número de recrutados transgêneros varie de cerca de 2500 para algo em torno de 15 500, a maioria dos quais não revelou sua identidade de gênero. Há muito mais homens e mulheres gays sob farda e sua presença não a levou a qualquer enfraquecimento do poder militar norte-americano antes ou depois da política do “don’t ask, don’t tell” ser implementada”.

Editorial do Washington Post (26/07): “A desonesta traição de Trump com as tropas transgêneras da América”(inglês)

“O que o presidente sem dúvida não considerou é o seguinte: como sua decisão afetará os milhares de americanos patriotas que agora servem, inclusive em zonas de guerra, que são transgêneros? Além de privá-los do respeito que eles merecem do seu governo, o Sr. Trump os coloca em risco: para continuar a servir, o pessoal transgênero terá que ocultar suas identidades, o que, por sua vez, tornará menos provável apresentar problemas de saúde ou Relatórios de agressão sexual. O Sr. Trump reside essencialmente em uma política vergonhosa de silêncio e discriminação.”

Eleição constituinte na Venezuela

BBC (30/07): “5 pontos para entender o que está em jogo na eleição na Venezuela” (português)

“A oposição a está boicotando e acusa Maduro de dar um golpe ao criar mecanismos para que se torne mais autoritário e prolongue seu mandato. O presidente venezuelano diz que essa é a única forma de pacificar o país em meio aos protestos violentos que ocorrem desde abril.”

Carta Capital (31/07): “Venezuela: Constituinte tem saldo de 8 milhões de votos e dez mortos” (português)

“De acordo com o governo, a eleição das 545 pessoas que vão escrever uma nova Constituição para a Venezuela foi um sucesso. Já a oposição afirmou que foi um grande fracasso e que apenas participaram 2,4 milhões de pessoas. Segundo os números oficiais do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) desta segunda-feira (31), mais de oito milhões de venezuelanos (41,53%) votaram neste domingo (30) na eleição da Assembleia Constituinte convocada pelo presidente Nicolás Maduro. No entanto, de acordo com o Datanálisis, uma das mais importantes empresas de pesquisas da Venezuela, 72% da população eram contra a eleição. Brasil, Espanha, Panamá, Canadá, Colômbia, Reino Unido, Argentina e Peru manifestaram oficialmente que não reconhecem a eleição da Assembleia Constituinte venezuelana.”

Editorial do The Guardian (28/07): “À beira da ruína” (inglês)

“A oposição acusa o presidente, Nicolás Maduro, de querer acabar completamente com a democracia e teme que a reformulação se destine a permitir que ele permaneça muito tempo depois que seu mandato se esgote em janeiro de 2019. Quando seu antecessor Hugo Chávez revisou a constituição, ele realizou um Referendo para garantir que ele tinha apoiado e criou uma assembléia popular. Maduro disse que a nova constituição deve permitir o julgamento daqueles que procuram desestabilizar o país. Ele ordenou a assembléia por decreto; seu prazo é indefinido (e é por isso que as pessoas temem que ele possa suplantar o parlamento da Venezuela, que tem o poder de dissolver); e seus membros são eleitos através de um mecanismo complexo que os críticos dizem que garante que apenas a agenda de Maduro possa ganhar.”

Público.es (31/07): “Mais de 8 de milhões de venezuelanos votam apesar dos focos de violência dos opositores” (espanhol)

“Os resultados oferecidos pelo poder eleitoral reforçam a posição do presidente, Nicolás Maduro, porque essa participação é em sua quase totalidade de seus seguidores, e supera o que obteve nas presidenciais de 2013, quando alcançou o apoio de pouco de mais de 7 milhões de pessoas. E é muito maior que o obtido nas últimas votações, as legislativas de 2015, nas quais o chavismo perdeu com 5,6 milhões de votos frente aos 7,7 milhões da oposição. Não obstante, cabe esperar que a opositora Mesa de la Unidad Democrática (MUD) não reconheça as cifras. De fato, seu ex-presidenciável, Henrique Capriles, já anunciou protestos para hoje e chamou seus partidários a marchar em Caracas no dia em que se constitua o novo órgão eleitoral”.

Página 12 (31/07): “O chavismo já tem outra carta”, por Martín Granovsky (espanhol)

“O bloco dos duros não parece considerar a gravidade de uma escalada com efeito dominó. A Colômbia, principal vizinha da Venezuela, alcançou uma paz histórica com a guerrilha das FARC. Qualquer tremor na Venezuela poderia pôr em tensão um tabuleiro ainda muito frágil e aumentar os problemas humanitários. Enquanto a crise da Venezuela gera cada vez mais imigrantes de classe média aos EUA, Europa e ainda a Argentina, não cessa a migração colombiana mais humilde para a Venezuela. O desafio imediato para Maduro no plano interno é duplo. Deve assegurar a ordem democrática sem militarizar o país como fez Michel Temer no Rio de Janeiro e, entretanto, garantir a logística de abastecimento de produtos básico. Não é pouco, mas até ontem estava pior.”

Baixa evolução na economia peruana

UOL (27/07): “Kuczynski sofre revés econômico em 1º ano de governo no Peru” (português)

“Apesar de ser formado por uma equipe de tecnocratas e economistas renomados, o governo de Pedro Pablo Kuczynski sofreu um sério revés econômico em seu primeiro ano de gestão no Peru, afetado pelo escândalo Odebrecht, o golpe do fenômeno climático El Niño costeiro e outros fatores externos. Ainda que as projeções para o crescimento da economia do país para 2017 sejam de 2,8%, uma das mais altas da região, esse percentual está muito abaixo da média dos últimos anos, que foi de 6%, e do histórico 9,1% obtido em 2008, durante o segundo governo de Alan García (2006-2011).”

Caso Odebrecht na América Latina

Editorial do El País (28/07): “Corrupção generalizada” (português)

“O fato de que o escândalo afete muitos líderes latino-americanos coloca vários países em uma perigosa crise institucional. De ex-presidentes como o peruano Ollanta Humala ou o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva a – o que é pior em termos de estabilidade política – presidentes em exercício como Michel Temer do Brasil, Juan Manuel Santos da Colômbia e Danilo Medina da República Dominicana, a lista ameaça aumentar com o avanço das investigações. Parece que com a recuperação da democracia em muitos países da América Latina após anos de ditaduras, aconteceu uma combinação perigosa de Estados fracos, administrações incapazes e a necessidade de um rápido desenvolvimento em infraestrutura. Tudo isso sobre um importante crescimento impulsionado por anos de bonança deu como resultado uma bolha colossal de subornos que tinha que estourar.”

Emergência da Frente Ampla no Chile

DW (27/07): “Frente Ampla – a luta para romper o duopólio no Chile” (espanhol)

“Tem uma base jovem, progressista, identifica-se com a esquerda e está cansada da partilha de poder entre os dois grandes blocos políticos que governaram o Chile nos últimos 27 anos. A governista Nueva Mayoría (antes chamada Concertación, de centro-esquerda) e a opositora Chile Vamos (antiga Alianza por Chile, de direita) definiram os destinos do país sem contrapeso. Até agora”.

Macron perde apoio popular na França

El País (23/07): “Popularidade de Macron despenca na França”, por Silvia Ayuso (português)

“A macronmania esfriou na França. Enquanto no plano internacional o presidente Emmanuel Macron continua a ter imagem muito positiva, da fronteira para dentro ela começa a se desgastar. Segundo pesquisa de opinião divulgada pelo jornal Journal Du Dimanche, em julho o índice de satisfação com o inquilino do Eliseu [palácio do Governo da França] desabou dez pontos. É preciso recuar a 1995 para encontrar uma perda de popularidade tão forte para os primeiros cem dias de mandato de um presidente, os 15 pontos de queda de Jacques Chirac entre maio e julho daquele ano. Segundo levantamento feito pelo instituto de pesquisa Ifop, 54% dos franceses estão satisfeitos com a atuação de Macron, contra 64% que se sentiam assim em junho. Os descontentes aumentam de 35% para 43% no mesmo período. E o presidente não é o único da equipe de Governo a perder pontos. Também seu braço direito, o primeiro-ministro Édouard Philippe, cai de 64% para 56% em julho.”

The Guardian (24/07): “Cortes nos benefícios de moradia provocam queda nos índices de aprovação de Macron” (inglês)

“Os políticos da oposição acusaram Macron de atacar os pobres e de favorecer os ricos com medidas, incluindo o afrouxamento do imposto sobre a riqueza da França, de modo que se aplica apenas à propriedade, e não aos investimentos – que a Macron argumentou impulsionará a economia. Um estudo na semana passada descobriu que, em geral, os 10% mais ricos dos agregados familiares da França provavelmente se beneficiarão com os cortes de impostos propostos pela Macron. A questão dos benefícios da habitação é a última linha sobre a tentativa da Macron de reduzir os gastos públicos e reduzir o déficit com o objetivo de cumprir as regras da UE pela primeira vez em uma década.”

Brexit

Editorial do NY Times (26/07): “A Grã-Bretanha vê as ameaças do Brexit mais claramente” (inglês)

“À medida que as negociações avançam, visões de um divórcio indolor e de novas oportunidades para uma “Grã-Bretanha globa” provavelmente deverão definhar, ao contrária das lutas internas. Chamados para interromper o Brexit irão crescer, mas este caminho também não é fácil. Bloquear o processo seria visto como um desrespeito à vontade do povo. A ideia de outro referendo não é popular e o resultado seria incerto”.

Le Monde (30/07): “Brexit – governo britânico dividido” (francês)

“Período de transição, livre circulação de pessoas … os ministros do governo britânico apresentar seu desacordo através da mídia. A divisão continua a reinar no governo britânico sobre o Brexit, o ministro do Comércio Internacional atacou neste domingo (30 de julho) a necessidade de período pós-transição Brexit defendida pelo Ministro das Finanças.”

Tensão entre poderes na Polônia

Editorial do The Guardian (25/07): “O poder das pessoas e o vislumbre de esperança” (inglês)

“Esta semana, depois de oito dias de protestos de rua em todo o país, o presidente, Andrzej Duda, surpreendeu muitos ao aparecerem para dividir as fileiras com o partido no poder sobre sua intenção de colocar o poder judiciário sob seu controle. O senhor deputado Duda vetou duas leis fundamentais destinadas a eliminar a independência da Suprema Corte e a conferir ao Parlamento o controle do corpo que contrata juízes. Seus motivos continuam sendo uma questão de especulação. As contas, explicou, “não fortaleceriam o senso de justiça na sociedade”. O senhor deputado Duda até então se juntou a cada movimento do governo para restringir as instituições independentes. Essa foi uma verdadeira reviravolta, ou um retiro tático projetado para tirar vantagem dos protestos? Sua decisão foi bem-vinda, mas longe de ser suficiente; Ele assinou um terceiro projeto de lei que permite o controle político sobre os tribunais. O governo já possui o controle do tribunal constitucional. Muitos temem que a outra legislação volte em forma marginalmente modificada.”

Governo espanhol tenta impedir referendo de Independência na Catalunha

Expresso.pt (30/07): “Puigdemont, revolta na Catalunha” (português)

“Rajoy e a sua equipa do Partido Popular (PP, centro-direita) não modificaram estratégia: o referendo não se realizará porque é ilegal, dizem, e o Executivo tem meios para o impedir. Esta semana Puigdemont disse ao diário francês “Le Figaro”: “Se o Tribunal Constitucional me inabilitar [quando convocar a votação], coisa que pode fazer, não acatarei. Só o Parlamento [catalão] me pode suspender. Uma imensa maioria do povo catalão quer votar”. A última sondagem do Centro de Estudos de Opinião (paraestatal), divulgada dia 22, revela que, apesar de uma maioria dos catalães ser a favor da consulta, são cada vez mais os inquiridos (até 49,4%) contra a independência, havendo 41,4% a favor. Um estudo do diário “El País” em 265 das principais empresas catalãs (800 mil trabalhadores) revela que três de cada quatro executivos dessas companhias consideram o separatismo prejudicial para a economia espanhola e catalã.”

Autoritarismo de Erdogan

Editorial do El País (25/07): “Perseguição à imprensa na Turquia” (português)

“A perseguição à imprensa coincide com a prisão da diretora da Anistia Internacional e cinco colaboradores da organização sob a absurda acusação de colaborar com o terrorismo. A Alta Representante da UE para a Política Exterior, Federica Mogherini, se reuniu na segunda-feira com o Ministro das Relações Exteriores turco para informá-lo da profunda preocupação da União Europeia pelo lamentável comportamento das autoridades turcas. O Presidente Erdogan não pode continuar por esse caminho: caso contrário, a ruptura entre a Europa e a Turquia será inevitável.”

Aproximação de Israel com a Arábia Saudita

Folha de S. Paulo (31/07): “A conexão israelo-saudita”, por Jaime Spitzcovsky (português)

“Deu sinais de arrefecer, na última sexta-feira (28), a onda de violência delineada por atentados contra alvos israelenses e pelos protestos contra medidas de segurança implementadas, em Jerusalém, pelo premiê Binyamin Netanyahu. Em vez de nova “intifada” (rebelião palestina), avança a aproximação entre Israel e líderes regionais, como Arábia Saudita e Egito, interessados na manutenção em baixa temperatura do conflito israelo-palestino, a fim de concentrar esforços contra um inimigo comum: o Irã.”

Suprema Corte do Paquistão derruba primeiro-ministro por envolvimento no Panamá Pappers

Editorial do The Guardian (28/07): “Caso internacional” (inglês)

“A expulsão do primeiro-ministro Nawaz Sharif foi provocada por revelações nos arquivos vazados de um escritório de advocacia offshore. A elite global não é mais a única que pensa e trabalha através das fronteiras. Nenhum primeiro ministro do Paquistão completou um mandato completo desde que o país conquistou a independência há 70 anos. Nawaz Sharif estava a um ano de fazê-lo; Em vez disso, ele foi destituído pela terceira vez. Na sexta-feira, o Supremo Tribunal o desqualificou do cargo e encaminhou a questão dos ativos offshore de sua família para autoridades anticorrupção. Sharif nega as alegações, mas desistiu imediatamente; aguarda-se que em breve o seu partido governista Pakistan Muslim League-Nawaz nomeie o sucessor”.

Crise no governo japonês

El País (25/07): “O primeiro-ministro japonês enfrenta a pior fase de seu mandato”, por Xavier Fontdeglòria (espanhol)

“O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, está imerso num escândalo provocado por um suposto caso de amiguismo que ocasionou uma queda livre de sua popularidade em apenas um mês. Abe está há dois dias dando explicações ante o Parlamento nipônico depois que sua gestão outorgou uma licença para abir uma escola veterinária a uma organização cujo diretor é seu amigo íntimo. Ainda que o líder conservador tenha tenha negado qualquer troca de favores, suas explicações seguem sem convencer ao eleitorado e sua taxa de aprovação alcança apenas 30%”.

Tunísia aprova lei sobre violência contra a mulher

El País (27/07): “Vencem as mulheres tunisianas”, por Sami Nair (espanhol)

“O Parlamento tunisiano acaba de aprovar, depois de três anos de debates e negociações, uma lei cujo objetivo é propriamente revolucionário: proibir legalmente e castigar eficazmente a violência de gênero. É um marco e um desafio para o resto dos países islâmicos, uma mostra de que a luta levada de modo ininterrupto pelas mulheres tunisianas pode desembocar numa vitória que favoreça sua emancipação nos âmbitos público e privado, além de uma conquista para o desenvolvimento do Estado de direito. Este novo estatuto da mulher consagra ao mesmo tempo, o processo democrático que se iniciou precisamente na Tunísia em 2011, do qual uma análise superficial e enganosa faria creer que já havia se desvanecido. Na realidade, tanto neste país como no resto dos Estados que experimentaram o levante democrático qualificado de primavera árabe, a demanda profunda, irrepreensível, de modernização democrática segue latente no núcleo das lutas políticas e sociais; desapareceu-se da superfície do campo de batalha, não é porque se debilitou, mas porque, devido a causas diversas, teve que se esconder profundamente no solo da sociedade, desenvolver-se secretamente com maior solidez e reaparecer mais forte e contundente sob condições políticas que a tornaram possível.”

Artigos e debates da esquerda mundial

Distintas visões da esquerda sobre a Venezuela

1- Plataforma Cidadã em Defesa da Constituição

“A Plataforma Cidadã em Defesa da Constituição se pronuncia frente à convocatória da CNE a eleições para o próximo domingo 30 de julho, de supostos constituintes a uma suposta Assembleia Nacional Constituinte (ANC) convocada usurpadoramente pelo Presidente Maduro. Por outro lado, ainda que não seja o objetivo principal deste documento, reiteramos nosso rechaço à política da cúpula da MUD dirigida a gerar uma fratura institucional através da criação de um governo e um Estado paralelo com o apoio de Washington, com todas as implicações conhecidas que isso tem. Ao se colocar à margem da Constituição, isso atiça ainda mais a violência e vai na contramão de uma saída constitucional e pacífica para a crise.”

2- Boaventura Sousa Santos

“Os desacertos de um governo democrático resolvem-se por via democrática, e ela será tanto mais consistente quanto menos interferência externa sofrer. O governo da revolução bolivariana é democraticamente legítimo e ao longo de muitas eleições nos últimos 20 anos nunca deu sinais de não respeitar os resultados destas. Perdeu várias e pode perder a próxima, e só será de criticar se não respeitar os resultados. Mas não se pode negar que o Presidente Maduro tem legitimidade constitucional para convocar a Assembleia Constituinte. Claro que os venezuelanos (incluindo muitos chavistas críticos) podem legitimamente questionar a sua oportunidade, sobretudo tendo em mente que dispõem da Constituição de 1999, promovida pelo Presidente Chávez, e têm meios democráticos para manifestar esse questionamento no próximo domingo. Mas nada disso justifica o clima insurrecional que a oposição radicalizou nas últimas semanas e que tem por objetivo, não corrigir os erros da revolução bolivariana, mas sim pôr-lhe fim e impor as receitas neoliberais (como está a acontecer no Brasil e na Argentina), com tudo o que isso significará para as maiorias pobres da Venezuela. O que deve preocupar os democratas, embora tal não preocupe os media globais que já tomaram partido pela oposição, é o modo como estão a ser selecionados os candidatos. Se, como se suspeita, os aparelhos burocráticos do partido do governo sequestrarem o impulso participativo das classes populares, o objetivo da AC de ampliar democraticamente a força política da base social de apoio à revolução terá sido frustrado.”

3- Gustavo Dudamel, maestro venezuelano, apoiador dos governos de Hugo Chávez e eleitor de Nicolás Maduro em 2013

“A partir dessa fé inabalável no que diz respeito à diversidade humana, sinto a necessidade e a obrigação como cidadão venezuelano de me manifestar contra as eleições para uma Assembleia Nacional Constituinte nos termos em que foram convocadas pelo Governo da Venezuela para o próximo dia 30 de julho. A forma como as autoridades do meu país levaram adiante essa medida não faz nada mais do que intensificar o conflito nacional em vez de resolvê-lo. Nosso marco constitucional vigente não foi respeitado. Apesar dos eventos de domingo passado, em que milhões de compatriotas – na Venezuela e no exterior – expressaram sua rejeição aos planos do Governo, nós, venezuelanos, ainda não pudemos nos manifestar publicamente através de uma consulta popular prévia e vinculativa. A vontade do povo deve ser livremente expressa por meio dos canais institucionais estabelecidos em nossa Constituição.”

4- Jorge Rodríguez, prefeito de Caracas, apoiador de Nicolás Maduro

“Há muita satanização com relação ao que o presidente Maduro pretende com a nova Constituição. Os direitos universais estarão garantidos, o direito ao sufrágio universal, as garantias democráticas permanecem. (…) Precisamos diversificar a produção, preservando a propriedade privada. Precisamos também proteger o país do contrabando, tudo isso estará contemplado”.”

5- Catarina Martins, dirigente do Bloco de Esquerda em Portugal

“Questionada sobre a situação na Venezuela, Catarina Martins referiu este domingo que os bloquistas nunca confundiram “a democracia com o ato formal de voto”, salientando que “há muitas ditaduras em que se vota, como por exemplo em Angola, e não são uma democracia”. “Portanto, o facto de existir hoje [na Venezuela] um ato em que as pessoas vão votar não significa que seja democrático, porque as condições da democracia exigem liberdade de expressão, pluralidade de opiniões, imprensa livre, e que haja capacidade dos próprios países tomarem decisões”, frisou. “Na Venezuela não estão garantidas condições de liberdade e de pluralidade e há também uma enorme ingerência externa que condiciona muitas decisões que são tomadas e, portanto, sobre todos os pontos de vista, diria que não estamos a olhar para uma situação democrática”, sublinhou a coordenadora bloquista. Catarina Martins afirmou-se preocupada com a situação de instabilidade no país e frisou que espera que a comunidade portuguesa aí residente seja acompanhada da melhor maneira possível.”

6- John Ackerman, ativista mexicano e pesquisador na UNAM (espanhol)

“A nova Assembleia Constituinte na Venezuela cumpre com a mesma função, renovadora e participativa, que novas eleições nos sistemas parlamentares. Ontem, o povo venezuelano teve a oportunidade de decidir se quer seguir como país independente ou converter-se em mais um serviçal de Washington. A resposta foi um contundente sim à soberania nacional e popular”.

7- Reinaldo Quijada, porta-voz do grupo chavista Unidad del Poder Popular (espanhol)

“Em poucas palavras, estamos em meio a duas frações falsas, hipócritas, mesquinhas e medíocres. E além disso covardes, a covardia de quem não assume a realidade com sentido de responsabilidade. A covardia dos que não assume a política com um sentido de transcendência histórica. A nenhuma das duas importam um centímetro o país e o povo. Que triste e minguada hora vive a Venezuela! A realidade é que o universo de eleitores é de cerca de 20 milhões. Mas essa cifra requer certos ajustes já que é necessário assinalar que a abstenção crônica na Venezuela, os eleitores que nunca votam, é de 20% no mínimo. Ou seja, o universo real de eleitores está ao redor de 16 milhões de votantes ao subtrair esta abstenção crônica. A metade do país, portanto, é de 8 milhões de eleitores. O resultado do 30J indica que o país está dividido em duas partes e os dois polos deveriam considerar ao outro e não ignorá-lo, nem muito menos pretender aniquilá-lo. Isso pouco lhes importa. Ao contrário, o que prevalece, de lado a lado, é um banquete de ameaças mútuas, de superficialidades e declarações estúpidas, vazias e vulgares. Tudo isso, dá náuseas!”

8- Alfredo Serrano Montilla, economista catalão (espanhol)

“Mais uma vez ganhou a democracia na Venezuela. Sim, a democracia. Um país em que as pessoas votam, de acordo com os cânones liberais, está vivendo em uma democracia. Na Venezuela, a democracia representativa é aplicada ao pé da letra. A data das eleições para a Assembléia Constituinte é outro exemplo disso. E, portanto, coloca o foco sobre o que está à frente, a fim de continuar a construir um país que nada a contracorrente e que tem múltiplos desafios a atender. A Assembleia Constituinte terá que dar novas respostas para novas demandas que o povo venezuelano tem.”

Brexit

Sin Permiso (27/07): “Brexit, a notícia silenciosa”, por Alejandro Nadal (espanhol)

“O impacto do Brexit sobre a indústria do Reino Unido será sentido em cada ramo de atividade. Mas talvez um dos efeitos negativos mais importantes será aquele que sofrerá a atividade bancária. Ao perder seu direito de “passaporte”, os bancos sediados no Reino Unido também verão sua liberdade para realizar suas operações em toda a UE. Muitos bancos internacionais acharão mais conveniente simplesmente mudar-se para Frankfurt ou Paris. Ainda que isso não vá ocorrer da noite para o dia, o êxodo de bancos e outras empresas no setor financeiro seguramente vai-se produzir ao longo do processo de negociações.”

Macron

Esquerda.net (17/07): “Macromania”, por Francisco Louçã (português)

“Resultando de um saldo eleitoral tão magro, pois os votos de confiança em Macron foram 24% na primeira volta das presidenciais e depois cerca de 30% na primeira volta das legislativas (com mais de metade de abstencionistas), estas vitórias deram-lhe uma esmagadora supremacia institucional, com dois terços do parlamento, através do truque do sistema eleitoral. Mas não lhe deram a supremacia social. Uma parada não resolve a França. Nem a Europa, já agora. Prometia Macron um novo ministro das finanças e um orçamento europeu, tudo armado por convenções em cada país a partir do próximo janeiro. Ministro talvez consiga, para habituar os países à ideia de um governo europeu, mas esse será mais um instrumento de divergência. Tudo o resto é entretenimento, se não for, como anunciou o pomposo Menasse, para matar as democracias na Europa.”

Debate Tsipras x Varoufakis

The Guardian (24/07): “Alexis Tsipras: O pior está claramente atrás de nós” (inglês)

“O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, assume — em entrevista esta segunda-feira ao The Guardian — que no seu governo cometeu “grandes erros“. Tsipras critica ainda o seu antigo ministro das Finanças, Yannis Varoufakis, dizendo que este “está a tentar reescrever a História”, e deixa o aviso: “Talvez chegue o momento em que certas verdades serão ditas (…) quando chegarmos ao ponto de analisar o que ele apresentou como plano B, que era tão vago que nem valia a pena discutir. Era simplesmente fraco e ineficaz.” Tsipras sabe que, para cumprir o programa de assistência internacional, não conseguiu aplicar o programa eleitoral que submeteu a votos perante o povo grego — foi o caminho para “sobreviver”, explica. Mas, mesmo assim, está tranquilo: “Se for à rua e perguntar sobre o governo, muitos podem dizer ‘mentirosos’, mas ninguém vai dizer que somos corruptos ou desonrosos ou que colocamos a mão no pote de mel“.”

Blog de Varoufakis (24/07): “A incoerência perspicaz de Tsipras” (inglês)

“Dado que apresentei meus planos para o senhor Tsipras para dissuadir a agressão da troika e responder a um impasse potencial (e qualquer movimento da troika para expulsar a Grécia da zona do euro) antes de vencermos as eleições de janeiro de 2015 e fui escolhido por ele como Ministro das Finanças (presume-se) com base em seu mérito, sua resposta reflete uma profunda incoerência.”

Eleições em Angola

Esquerda.net (28/07): “Eleições: o Ponto de Viragem em Angola”, por Rafael Marques de Morais, Maka Angola (português)

“As eleições são uma oportunidade para mobilizar e consciencializar os cidadãos angolanos. São um potencial ponto de viragem rumo a uma sociedade mais crítica e participativa, em que os cidadãos contribuam para construir um Estado de direito democrático.”

Eleições no Timor Leste

Esquerda.net (30/07): “Fretilin surge à frente nas “eleições mais tranquilas de sempre” (português)

“A contagem final dos votos deu a vitória à Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente com 168.422 votos e 23 deputados e o segundo lugar ao Congresso Nacional da Reconstrução Timorense, com 167.330 e 22 deputados ao parlamento. A terceira força mais votada foi o Partido da Libertação Popular, do ex-Presidente Taur Matan Ruak, que conseguiu 60.092 votos e 8 deputados, seguindo-se o Partido Democrático, com 55.595 votos e 7 deputados, e o Khunto, com 36.546 votos e 5 deputados.”

Curso autoritário de Duterte nas Filipinas

Sin Permiso (30/07): “Renasce a resistência contra a ditadura na Filipinas”, por Sonny Belencio e Walden Bello (espanhol)

“Em 20 de julho passado teve lugar em Benitez Hall, Universidade da Filipinas em Diliman, a Conferência Nacional contra a Ditadura (NCAD), que pretende articular uma frente de esquerdas contra a evidente evolução do regime do presidente Duterte para a ditadura mediante a extensão do Estado de Guerra imposto em Mindanao. Recolhemos as intervenções de dois velhos amigos e colaboradores de Sin Permiso (em cujos arquivos podem-se consultar vários de seus artigos), Sonny Melencio e Walden Bello , dois veteranos lutadores contra a ditadura de Marcos e os sucessivos regimes EDSA.”

Cassação do primeiro-ministro do Paquistão

The Guardian (28\07): “Nawaz Sharif se foi. Mas o alto nível de corrupção no Paquistão sobrevive”, por Tariq Ali (português)

“Desde a fundação do Paquistão em 1947, nenhum primeiro ministro cumpriu seu mandato completo. Coisas como assassinatos e aquisições militares acontecem. Hoje, foi dinheiro em vez de força que fez para Nawaz Sharif. O Supremo Tribunal do Paquistão se surpreendeu ao votar por unanimidade para garantir que ele não fosse a exceção.”

Capitalismo e mulheres

Outras Palavras (26/07): “Mulheres, a primeira vítima do capitalismo”, por Inês Castilho (português)

““Somos as filhas das bruxas que vocês não conseguiram matar”, escreveram algumas mulheres nos muros de cidades brasileiras, durante a primavera feminista. Talvez por isso a vinda da historiadora feminista italiana Silvia Federici ao Brasil, na semana passada, para lançar Calibã e a Bruxa – Mulheres, corpo e acumulação primitiva, atraiu em torno de si e de seu livro centenas de jovens, no centro e na periferia do Rio de Janeiro e São Paulo. Uma semana de celebração para o movimento feminista brasileiro, que ao mesmo tempo recebia na Bahia a norte-americana Angela Davis para um curso sobre feminismo negro, no Recôncavo Baiano. Alás!”

(Material realizado e originalmente publicado pela Fundação Lauro Campos)

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Na quinta edição da Revista Movimento, trazemos ao público um especial sobre a crise brasileira. Nele, publicamos longa entrevista com o economista Plinio Sampaio Jr., que oferece instigante diagnóstico do fracasso da política econômica conduzida pelos governos do PT. Fecham a seção dois artigos sobre o poder das corporações no capitalismo global e a teia corrupta que estabelecem com Estados e governos. Um conjunto de artigos sobre a situação internacional aborda as dificuldades enfrentadas pelo governo Trump, a crise na Venezuela e o avanço das lutas no Peru.

Abaporu

Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky

Leon Trotsky Joseph Stalin

MES: Movimento Esquerda Socialista MES: Movimento Esquerda Socialista