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Greg News – um respiro de crítica independente

O humor noticioso de Gregório Duvivier expressa opiniões e pontos de vista nitidamente de esquerda e vem incomodando vozes da direita e do petismo.

O programa das sextas-feiras da HBO “Greg News” estreado em Maio deste ano merece a atenção que tem instigado pelo seu conteúdo de esquerda e crítico. Logo de início Gregório Duviver anunciou que assumiria lado no programa, mas prometeu não mentir. De fato, no seu humor noticioso expressa opiniões e pontos de vistas nitidamente de esquerda. Uma grande quantidade de programas sobre políticos e empresários: Marcelo Crivella, Henrique Meirelles, Michel Temer, Joesley Batista, Rodrigo Maia e Renan Calheiros, sobre a corrupção no país e outros temas caros à esquerda como a venda da Amazônia, o aborto, o Escola Sem Partido e privatizações têm caráter informativo mas principalmente interpretativo e de opinião.

É verdade que na história recente da TV brasileira o humor passou por uma transformação importante, tornando-se permeado pela luta contra as opressões. Positivamente, há exemplos de programas de humor que começaram a substituir o repertório machista, racista, elitista e LGBTfóbico por outros mais livres de preconceitos e de senso comum. Mas, o contexto é ainda de quase inexistência de programação crítica na TV brasileira, por isso, o grande mérito do programa está em comunicar uma interpretação progressista sobre os temas e notícias, o que significa assumir, nas palavras do apresentador, que “o humor não é isento”.

O programa ganhou audiência, é um dos programas mais vistos na HBO brasileira e, apesar de passar em um canal fechado – uma pena, mas uma outra discussão – se tornou uma alternativa para o público que tem acesso ao canal.

Como podemos imaginar, o programa é combatido pelos setores de direita e da mídia tucana. Mas, como viemos a descobrir, também tem incomodado parte do seu público mais imediato. O não-petismo em Greg News e a simpatia com o PSOL recentemente incomodou a Carta Capital e levou João Feres Junior a escrever uma matéria, publicada no 4 de Setembro, que critica o programa da HBO pela suposta falta de crítica à mídia e aos setores reacionários, comparando com o equivalente americano, John Oliver, que ridiculariza a todo tempo Donald Trump e a emissora FOX. O que é mentira preguiçosa, e uma pequena parte do conteúdo descrita aqui dá conta de desmentir.

De forma ainda mais direta, acusa o PSOL de “coxismo” e não acredita quando o apresentador critica as alianças do PT sem o diferenciar dos demais. De fato, ao passar pelos temas da corrupção, do funcionamento Estado e das privatizações não procura defender ou esconder a parcela de culpa ou a participação de Dilma, Lula e outros nomes do PT. Por exemplo, o episódio que ridiculariza Henrique Meirelles não se abstém de dizer quem foi o seu principal patrocinador.

O tipo de crítica feita pelo colunista da Carta Capital nos leva a uma reflexão atual, a de que a esquerda precisa cumprir com a realidade de forma mais determinada. Diferente da isenção, a opinião é o que permite a construção de ideias relevantes, mas, a verdade e a complexidade da realidade trazem, mesmo ao humor, qualidade e permitem opiniões e sarcasmo mais inteligentes, porém não é isso o que faz João Feres e o que fazem outras companhias.

O colunista termina dizendo que Gregório é até que bem-vindo nesse “cenário de devastação da mídia brasileira”, mas pede que “se libertem do ranço moralista e elitista que o PSOL carioca representa tão bem”. Ou seja, o tema da corrupção, com Odebrecht, Friboi, Aécio, Pezão, Joesley Batista, a denúncia dos escândalos e a explicação dos esquemas, da relação promíscua entre os partidos da ordem e o setor privado, o sequestro do bem-público pelos interesses particulares de gente poderosa, tudo isso é considerado paroquialismo do programa. De fundo, se parece mais com “crítica cultural” instrumentalizada para defender jargões e opiniões mais ou menos fanáticas, pelo menos até que se prove o contrário.

A 1ª temporada de Greg News que termina na próxima sexta-feira (15) é um descanso da programação comum, manipuladora. É digno de prestígio, um sinal de que há avanço e há espaço para o pensamento de esquerda e independente.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Esta é uma edição especial de nossa Revista Movimento. Como forma de contribuir para os debates que ocorrerão na VI Conferência Nacional de nossa corrente, o Movimento Esquerda Socialista, este volume reúne dois números da revista (7 e 8). Dessa forma, pretendemos oferecer à militância e a nossos aliados e leitores documentos que constam do temário oficial do evento, bem como materiais que possam subsidiar as discussões que se realizarão. Na expectativa de uma VI Conferência de debates proveitosos para nossa corrente, desejamos a todas e todos uma boa leitura deste volume!

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