Pronunciamento da família de Santiago Maldonado
Ato na Plaza de Mayo por Santiago Maldonado - Prensa Obrera/Wikimedia Commons

Pronunciamento da família de Santiago Maldonado

Leia aqui a declaração redigida pelos familiares do ativista argentino encontrado morto na última semana.

Família de Santiago Maldonado 25 out 2017, 13:48

O corpo encontrado no Rio Chubut é o de Santiago.

A incerteza sobre seu paradeiro terminou. O calvário que nossa família iniciou no mesmo dia em que soubemos de sua desaparição não terminará até obter Justiça.

Muito pouco podemos dizer sobre nossos sentimentos diante da confirmação da identidade de Santiago: esta dor não pode ser expressa em palavras.

As circunstâncias do encontro do corpo nos geram muitas dúvidas. Acreditamos que é o momento de avançar com firmeza na investigação e deixar trabalhar sem pressões o Juiz Geral. Necessitamos saber o que aconteceu com Santiago e quem são os responsáveis por sua morte. Todos. Não só quem lhe tirou a vida, mas também os que, por ação ou omissão, colaboraram para o encobrimento e prejudicaram o processo de busca.

Estávamos certos ao reclamar pela inação, ineficácia e parcialidade do Juiz anterior na tramitação da causa. Nos segue sendo inexplicável a negativa do Governo Federal diante do oferecimento de colaboração de especialistas da ONU, de comprovada experiência internacional. Ninguém poderá tirar de nossas cabeças que poderia ter sido feito muito mais e muito antes.

Aos meios de comunicação, às organizações sociais, de direitos humanos, gremiais às pessoas que nos têm acompanhado nas marchas por Santiago, pedimos-lhes que sigam mantendo o pedido de Justiça, com mais força que nunca e pacificamente. Às forças políticas, que façam o maior esforço para apoiar e garantir todas as ações que nos ajudem a encontrar a Verdade e alcançar a Justiça.

A morte de Santiago não deve ser motivo de divisões ou propostas interessadas. Ninguém tem direitos sobre a dor desta família, à qual pedimos respeito.

Por Santiago, por nós.

(20 de outubro de 2017)


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.