Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Pronunciamento da família de Santiago Maldonado

Leia aqui a declaração redigida pelos familiares do ativista argentino encontrado morto na última semana.

Ato na Plaza de Mayo por Santiago Maldonado - Prensa Obrera/Wikimedia Commons
Ato na Plaza de Mayo por Santiago Maldonado - Prensa Obrera/Wikimedia Commons

O corpo encontrado no Rio Chubut é o de Santiago.

A incerteza sobre seu paradeiro terminou. O calvário que nossa família iniciou no mesmo dia em que soubemos de sua desaparição não terminará até obter Justiça.

Muito pouco podemos dizer sobre nossos sentimentos diante da confirmação da identidade de Santiago: esta dor não pode ser expressa em palavras.

As circunstâncias do encontro do corpo nos geram muitas dúvidas. Acreditamos que é o momento de avançar com firmeza na investigação e deixar trabalhar sem pressões o Juiz Geral. Necessitamos saber o que aconteceu com Santiago e quem são os responsáveis por sua morte. Todos. Não só quem lhe tirou a vida, mas também os que, por ação ou omissão, colaboraram para o encobrimento e prejudicaram o processo de busca.

Estávamos certos ao reclamar pela inação, ineficácia e parcialidade do Juiz anterior na tramitação da causa. Nos segue sendo inexplicável a negativa do Governo Federal diante do oferecimento de colaboração de especialistas da ONU, de comprovada experiência internacional. Ninguém poderá tirar de nossas cabeças que poderia ter sido feito muito mais e muito antes.

Aos meios de comunicação, às organizações sociais, de direitos humanos, gremiais às pessoas que nos têm acompanhado nas marchas por Santiago, pedimos-lhes que sigam mantendo o pedido de Justiça, com mais força que nunca e pacificamente. Às forças políticas, que façam o maior esforço para apoiar e garantir todas as ações que nos ajudem a encontrar a Verdade e alcançar a Justiça.

A morte de Santiago não deve ser motivo de divisões ou propostas interessadas. Ninguém tem direitos sobre a dor desta família, à qual pedimos respeito.

Por Santiago, por nós.

(20 de outubro de 2017)

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Apresentamos uma revista especial sobre os 50 anos do Maio de 1968 com o orgulho de herdar uma tradição. Assim como a Comuna de 1871, a Revolução Russa de 1917 e as lutas contra as ditaduras na América Latina, consideramo-nos parte deste excepcional movimento mundial de luta política, protagonizado por jovens e trabalhadores de várias partes do mundo, como nas famosas barricadas de Paris. Consideramos suas lições e sua potência como atuais. Boa parte dos leitores da Revista Movimento participaram ativamente das Jornadas de Junho de 2013 em nosso país. Aos cinco anos deste acontecimento, queremos contribuir para o encontro e a síntese de tão distantes e ao mesmo tempo tão próximas gerações.

Solzinho

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