Carl Sagan e o socialismo
Carl Sagan. Reprodução

Carl Sagan e o socialismo

Em memória a Carl Sagan, divulgador científico que hoje completaria 83 anos, reproduzimos um trecho de uma entrevista na qual ele foi perguntado se é socialista.

Charles Rosa e Tiago Madeira 9 nov 2017, 14:38

Carl Edward Sagan (New York, 09/11/1934 — Seattle, 20/12/1996) foi um astrônomo, cosmólogo, escritor e divulgador científico. É autor de mais de 600 publicações e mais de 20 livros de ciência e ficção científica. Um dos mais conhecidos é Cosmos, que inspirou uma popular série de TV em 1980.

Em memória a Carl Sagan, no dia em que completaria 83 anos, reproduzimos um trecho de uma entrevista que concedeu à CNN em 1996. O jornalista perguntou se ele é socialista e esta foi a sua resposta:

Eu não tenho certeza o que seria um socialista, mas eu acredito que o governo tem a responsabilidade de cuidar das pessoas. Eu não estou falando de caridade, mas de tornar as pessoas auto-suficientes, capazes de se cuidar.

Há países que são perfeitamente capazes de fazer isso. Estados Unidos é um país extremamente rico, perfeitamente capaz de fazer isso, mas escolhe não fazer. Escolhe ter moradores de rua.

Somos o 19º no mundo em mortalidade infantil. 18 outros países salvam as vidas de seus melhores do que nós. Como? É que eles simplesmente gastam mais dinheiro com isso. Eles se preocupam com seus filhos mais do que nós se preocupamos com os nossos.

Eu acho que isso é uma vergonha. Este país tem uma vasta riqueza. Basta olhar para o que algo como o Star Wars (Strategic Defensive Initiative). O dinheiro gasto em Star Wars já passa de 20 bilhões de dólares. Se permitirem a esses caras continuarem, eles vão gastar um trilhão de dólares.

Pense no que esse dinheiro poderia ser usado: para educar, para ajudar, para trazer às pessoas uma sensação de auto-confiança, para melhorar não apenas a felicidade das pessoas nos EUA mas sua posição econômica, para melhorar a competitividade dos EUA em comparação com outros países. Nós estamos usando o dinheiro para as coisas erradas.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Na 16ª edição, estão disponíveis dois dossiês. No primeiro, sobre o ecossocialismo, podem-se se encontrar as recentes teses de Michael Löwy, além de uma entrevista com o sociólogo e dirigente da IV Internacional. Também publicamos uma entrevista com Zé Rainha, dirigente da FNL, sobre sua trajetória de luta e os desafios dos socialistas no Brasil; uma entrevista com Antônia Cariongo, dirigente quilombola e do PSOL-MA; e artigos de Luiz Fernando Santos, sobre a lógica marxista e a Amazônia, e de Marcela Durante, do Setorial Ecossocialista do PSOL. O segundo dossiê traz algumas análises iniciais sobre a pandemia de coronavírus. Há artigos de Mike Davis e Daniel Tanuro; documentos do MES e do Bureau da IV Internacional; além de uma densa análise de nossas companheiras Evelin Minowa, Joyce Martins, Luana Alves, Natália Peccin Gonçalves, Natalia Pennachioni e Vanessa Couto e de um artigo do camarada Bruno Magalhães. A seção de depoimentos traz um instigante artigo de Pedro Fuentes sobre a história de seu irmão Luis Pujals, o primeiro desaparecido político da história da Argentina. Já a seção internacional traz uma análise do sociólogo William I. Robinson sobre a situação latino-americana.