Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

O centro pode aguentar

Uma análise da vitória de Emmanuel Macron, a situação da luta política francesa em perspectiva histórica e a resiliência do “centro” neoliberal europeu.

Emmanuel durante sua cerimônia de posse em 14 de maio deste ano - ALAIN JOCARD/POOL/FILE PHOTO/REUTERS
Emmanuel durante sua cerimônia de posse em 14 de maio deste ano - ALAIN JOCARD/POOL/FILE PHOTO/REUTERS

A primavera francesa

A França, geográfica e politicamente a dobradiça da União Europeia, onde o norte e o sul do continente se juntam, tem experimentado uma mudança mais drástica de posição dentro do bloco que qualquer outro Estado-membro. A Alemanha, já com a maior economia e população antes da unificação, tornou-se – novamente – o poder dominante do continente e, conforme seus espíritos mais francos que não guardam segredo, hegemônica na Comunidade. A Espanha, bastante marginalizada pela pobreza e pela ditadura, vivenciou seu ingresso na Comunidade como uma promoção de status rumo à prosperidade e respeitabilidade europeias. Esses países têm razão para sentir satisfação com a UE. A Itália tem uma satisfação menor; sua derrapagem econômica sob a moeda única, todavia, não alterou substancialmente o que sempre foi um papel mais de apoio do que de liderança dentro da Comunidade. A França, por outro lado, esteve na primeira fileira entre os seis membros fundadores – capaz, sob De Gaulle, de fazer os outros cinco se curvarem ante sua vontade, língua e burocracia – ocupando o primeiro escalão de influência dentro da Comissão. Até a virada da década de 1980 ainda era o principal parceiro diplomático da Alemanha, mas viu uma queda inexorável de suas antigas alturas. Em parte, isso foi uma inevitável consequência da reunificação alemã, que automaticamente deu à República Federal uma maior vantagem econômica e demográfica. Mas, em maior medida, as causas de seu enfraquecimento foram endógenas.

Os índices de perda de posição do país, a maioria deles divulgada nos debates nativos, são inúmeros. Muitos remetem à década de 1990, mas ganharam maior proeminência a partir da crise de 2008. Economicamente, o crescimento arrastou-se, perfazendo uma média menor que 1% por ano; o desemprego aumentou para 10% (25% entre os jovens[1]); o orçamento, que nunca esteve no vermelho nos últimos 40 anos, vê agora a dívida pública crescer para 96% do PIB; a renda per capita mal se moveu. Diplomaticamente, Paris tem cada vez mais acatado as opiniões de Berlim na Europa e de Washington no restante do mundo; suas elites carecem de significativa independência em qualquer arena. Culturalmente, o inglês tornou-se a língua franca da União, tanto do ponto de vista oficial quanto popular. Socialmente, nenhum outro grande país na Zona do Euro viu semelhantes níveis de distúrbios sociais e raciais, ou expressões consistentes de insatisfação popular com a situação nacional. Há anos, com os mais breves intervalos, a morosité [“morosidade”] tornou-se o espírito estabelecido.

Este artigo faz parte da 6ª edição da Revista Movimento. Para ler o texto completo compre a revista aqui!

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

A edição n.6 da Revista Movimento celebra o centenário da Revolução de Outubro com artigo de Kevin Murphy sobre as origens do stalinismo. Luciana Genro discute a continuidade da Operação Lava Jato. Alvaro Bianchi introduz a nossos leitores conceitos de Antonio Gramsci. A revista também apresenta tradução de palestra de Angela Davis. Na seção internacional, publicamos artigo de Perry Anderson sobre a resiliência do centro neoliberal europeu. Edgardo Lander trata da situação venezuelana, Pedro Fuentes e Charles Rosa abordam a questão catalã. Um instigante artigo de Maycon Bezerra sobre Florestan Fernandes, a tese do MES para o Congresso do PSOL e nossa plataforma sindical completam a edição.

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