Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Balanço e Perspectivas – Introdução

112 após ser preso por comandar a Revolução de 1905, republicamos introdução à obra em que realiza análise das experiências vividas na insurreição.

Imagem da antiga cela pertencente a Leon Trotsky nas dependências da Fortaleza de Pedro e Paulo - Reprodução
Imagem da antiga cela pertencente a Leon Trotsky nas dependências da Fortaleza de Pedro e Paulo - Reprodução

Na Rússia de 1905, após ter tido papel central durante a Revolução daquele ano à frente do soviete de Petrogrado, Leon Trotsky seria preso pelas forças policiais czaristas e então levado à Fortaleza de Pedro e Paulo  – fortificação militar do século XVIII erguida no coração da antiga capital do império – onde cumpriria pena. Exatos 112 anos após seu encarceramento, publicamos a introdução ao livro Balanços e Perspectivas, escrito em 1906, no qual o autor avalia as experiências do movimento insurrecional do ano anterior.

Balanço e perspectivas

Introdução

A revolução que se produziu na Rússia constituiu uma surpresa para todo o mundo, exceto para os social-democratas. O marxismo, desde há muito tempo tinha previsto que a revolução russa sairia inevitavelmente do conflito entre o desenvolvimento do capitalismo e as forças do absolutismo ossificado. O marxismo apreciou antecipadamente o caráter social da futura revolução russa. Chamando a esta revolução uma revolução burguesa, o marxismo sublinhou que as tarefas objetivas imediatas da revolução consistiam em criar “condições normais para o desenvolvimento da sociedade burguesa tomada como um todo”.

Foi demonstrado, a ponto de tornar qualquer discussão ou nova prova inúteis, que o marxismo tinha razão em tudo isto. Mas os marxistas devem agora enfrentar uma tarefa de natureza diferente: é necessário, analisando o mecanismo interno da revolução, descobrir as possibilidades que ela apresenta no seu desenvolvimento. Seria um erro estúpido contentarmo-nos em identificar a nossa revolução com os acontecimentos de 1789-1793 ou de 1848. As analogias históricas de que vive e se alimenta o liberalismo não podem substituir a análise social.

A revolução russa reveste um caráter absolutamente especial, que resulta da tendência particular de todo o nosso desenvolvimento histórico e social, e abre-nos perspectivas históricas absolutamente novas.

Fonte: https://www.marxists.org/portugues/trotsky/1906/balanco/introducao.htm

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Apresentamos uma revista especial sobre os 50 anos do Maio de 1968 com o orgulho de herdar uma tradição. Assim como a Comuna de 1871, a Revolução Russa de 1917 e as lutas contra as ditaduras na América Latina, consideramo-nos parte deste excepcional movimento mundial de luta política, protagonizado por jovens e trabalhadores de várias partes do mundo, como nas famosas barricadas de Paris. Consideramos suas lições e sua potência como atuais. Boa parte dos leitores da Revista Movimento participaram ativamente das Jornadas de Junho de 2013 em nosso país. Aos cinco anos deste acontecimento, queremos contribuir para o encontro e a síntese de tão distantes e ao mesmo tempo tão próximas gerações.

Solzinho

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