82% da riqueza criada em 2017 foi parar às mãos dos 1% mais ricos
Resort em Davos, sede dos encontros anuais dos milhonários do Fórum Econômico Mundial - Reprodução

82% da riqueza criada em 2017 foi parar às mãos dos 1% mais ricos

Um relatório da Oxfam International revela que no ano passado a fatia da riqueza nas mãos da metade mais pobre do planeta não aumentou.

Esquerda.net 24 jan 2018, 12:44

O fosso entre os bilionários e o resto da população não parou de aumentar no ano passado, com os 1% mais ricos a ficarem com 82% da riqueza criada, diz a Oxfam, uma confederação de 17 ONG que desenvolve trabalho no combate à fome e às desigualdades. O relatório surge na véspera da abertura da conferência de Davos e aponta um aumento do número de multimilionários – atualmente 2043, dos quais 90% são homens – que viram a sua riqueza aumentar 13% desde o início da década, seis vezes mais do que os aumentos nos salários no mesmo período.

O relatório baseia-se nos números da riqueza mundial fornecidos pelo Credit Suisse e aponta ainda que só em 2017, a riqueza dos bilionários aumentou 762 mil milhões de dólares (622,8 mil milhões de euros), um valor que corresponde a sete vezes o que é necessário para acabar com a fome no mundo. 42 pessoas detêm tanta riqueza como os 3.7 mil milhões que formam a metade mais pobre da população mundial. No ano passado, essa fatia da riqueza pertencia a 61 bilionários e em 2009 eram 380 os bilionários a possuir a mesma riqueza da metade mais pobre do planeta.

“O boom de bilionários não é um sinal de uma economia próspera, mas um sintoma de um sistema económico decadente”, afirmou Winnie Byanyima, diretora da Oxfam, citada pela CNN.

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“É difícil encontrar um político ou um grande empresário que nao diga que está preocupado com a desigualdade. Mais difícil é encontrar um que faça alguma coisa sobre isso”, acrescentou, recordando que “muitos estão de facto a tornar a situação ainda pior, ao cortar nos impostos e dos direitos laborais”.

A Oxfam sublinha a necessidade de os governos agirem no sentido de promoverem uma distribuição mais justa do rendimento e o reforço dos direitos de quem trabalha, a par do combate à evasão fiscal e da imposição de tetos sobre os dividendos e os prémios dos administradores das empresas.

22 de Janeiro, 2018

Artigo originalmente publicado em esquerda.net.


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