Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

A decisão do TRF 4 e a condenação de Lula

Para o autor, as chances de Lula poder concorrer a presidência da república diminuíram muito.

O ex-presidente Lula - Folhapress
O ex-presidente Lula - Folhapress

A condenação de Lula não foi surpresa. Até os chamados mercados estavam apostando nesta decisão e as bolsas subiam na mesma medida em que crescia a convicção de um resultado de 3 a 0. Foi o que ocorreu. Mais três juízes que trabalharam sobre o processo confirmaram a sentença do juiz de primeira instância Sérgio Moro. Assim, as chances de Lula poder concorrer à Presidência da República diminuíram muito. E, se concorrer, as chances de poder ter sua candidatura validada são ainda mais reduzidas. É sobre este aspecto que quero considerar a questão. É deste ponto de vista que temos nos manifestado. É o caso, por exemplo, da posição de Luciana Genro, sustentando que a eleição sem Lula pode sim ser considerada uma fraude. É o que declarou nossa corrente política, o Movimento Esquerda Socialista, que é uma tendência fundadora do PSOL. Esta posição é clara. Mas não temos uma posição ingênua. Todos sabem que rompemos com o PT faz muitos anos. E rompemos porque percebemos – quando, aliás, a grande mídia estava comemorando o novo curso petista – que as relações do PT com as empreiteiras e banqueiros estava tornando o partido um gerente dos interesses do capital. Daí o passo para se envolver com os métodos típicos do capital, entre os quais a corrupção é prática corriqueira, era um passo imediato. Foi o que ocorreu. Mas, apesar disso, não aceitamos fazer coro com os que dizem que a lei deve ser respeitada, querendo com isso dizer que a decisão do TRF-4 deve ser respaldada. Por que não? Justamente porque neste sistema a lei não vale igualmente para todos. Aplica-se com mais força contra alguns. A outros, comprovadamente bandidos, como é o caso de Aécio Neves, o máximo órgão de poder judicial do país – o STF – protege, garantindo-lhe a impunidade como senador. E não precisamos falar de Temer. Não se pode dizer que temos justiça no país quando um presidente é um chefe de quadrilha. E a justiça feita isoladamente não é justiça sistêmica. Seria ingenuidade, ou até um tolice, acreditar nisso. E o caso envolvendo Lula é sistêmico. Por isso, não pode ser avaliado sem contexto, sem definir quem são os interessados em sua condenação e por que a pretendem. É evidente que uma parte dos interessados é justamente uma parte dos donos do capital, representantes deste mesmo sistema que atuou como corruptor no caso da cúpula do PT e que continua tendo em suas mãos os partidos tradicionais, a maioria do Congresso Nacional e até as mais altas cortes de justiça do Brasil. Não são eles que farão justiça para o povo. Por isso, vamos manter a defesa do direito de Lula ser candidato. Ao mesmo tempo, lutaremos para que nosso partido, o PSOL, seja fiel às causas da igualdade e se afirme como um projeto independente, que aposte na organização e na mobilização social pelos interesses populares

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Esta é uma edição especial de nossa Revista Movimento. Como forma de contribuir para os debates que ocorrerão na VI Conferência Nacional de nossa corrente, o Movimento Esquerda Socialista, este volume reúne dois números da revista (7 e 8). Dessa forma, pretendemos oferecer à militância e a nossos aliados e leitores documentos que constam do temário oficial do evento, bem como materiais que possam subsidiar as discussões que se realizarão. Na expectativa de uma VI Conferência de debates proveitosos para nossa corrente, desejamos a todas e todos uma boa leitura deste volume!

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