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Com Ahed, Salah, Khalida…

Os casos emblemáticos de detenção por Israel demonstram a amplitude do modelo de repressão que o país impõe aos palestinos.

A ativista Khalida Jarrar - Reprodução
A ativista Khalida Jarrar - Reprodução

6742: esse é o número de palestinos e palestinas, de Gaza e Cisjordânia, que foram detidos por Israel, só durante 2017. Alguns casos são particularmente emblemáticos, como os de Khalida Jarrar, Salah Hamouri e Ahed Tamimi.

Desde o final do mês de dezembro, o rosto de Ahed Tamimi deu a volta ao mundo. Esta jovem palestina da aldeia de Nabi Saleh foi vista primeiro em um vídeo que se tornou viral, no qual ela é vista dando uma bofetada em um soldado do exército de ocupação israelense no pátio de sua casa. Em um segundo momento, foram sua detenção e suas primeiras audiências ante a “justiça” israelense amplamente divulgadas.

Cerca de 1.500 meninos e meninas detidos em um ano

Muita gente ficou chocada com a juventude de Ahed Tamimi, que só tem 16 anos. Desgraçadamente, não é uma exceção. Na verdade, segundo as cifras estabelecidas por diferentes associações e ONGs palestinas especializadas na questão dos e das presas e tornadas públicas em 1º de janeiro, são não menos de 1.469 os meninos e meninas detidos pelas forças israelenses em 2017, ou seja, mais de 20% do total de detenções. Uma proporção que se eleva a mais de 30% em Jerusalém, onde cerca de 2.500 detenções foram realizadas em 2017. Cifras que atordoam, regularmente denunciadas pelas ONGs palestinas, israelenses ou internacionais, que dão fé não só da amplitude da repressão mas também do lugar central jogado pelas pessoas mais jovens no protesto contra a ocupação.

450 detenções administrativas

Entre os e as detidas, há também 450 pessoas sob o regime da “detenção administrativa”. Este procedimento permite ao exército manter qualquer um na prisão, por períodos de seis meses renováveis até o infinito, sem acusação concreta e sem que se apresente nenhuma prova. Sob este regime está detido Salah Hamouri desde 23 de agosto passado, sobre a base de um “expediente secreto” ao qual a defesa não tem acesso, indo contra todas as convenções internacionais. Como Ahed Tamimi, Salah não tem na realidade nada para se censurar, a menos que ele não baixou a cabeça frente o regime de opressão colonial, e isto apesar de um primeiro longo encarceramento entre 2005 e 2011. O período de detenção administrativa de Salah irá até 22 de fevereiro, e desgraçadamente pode ser renovado.

Deputados, deputadas e jornalistas encarcerados

Está igualmente detida sob o regime administrativo Khalida Jarrar, eleita para o Conselho Legislativo Palestino nas listas da Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP). Detida em 2 de julho de 2017, se renovou a mesma até o final de dezembro, 6 meses mais. A razão invocada (sem nenhuma prova): seria uma “ameaça” para a segurança de Israel. Khalida esteve encarcerada já entre 2 de abril de 2015 e 3 de junho de 2016 pelo mesmo motivo, e sem nenhum elemento incriminatório. Faz parte da dezena de deputados e deputadas palestinas hoje encarceradas por Israel, que pode também se orgulhar de ter na prisão 22 jornalistas e de ocupar o posto 91 na classificação da RSF de 2017 de liberdade de imprensa. Em outros termos, a “única democracia do Oriente Médio” está indo bem.

Tradução de Marcelo Martino da versão em espanhol disponível no portal Viento Sur.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Neste mês de março, preparamos uma nova edição da Revista Movimento, dedicada especialmente para a reflexão e elaboração política sobre a luta das mulheres. Selecionamos um conjunto de materiais - artigos teóricos, textos políticos, documentos e uma especial entrevista - com o intuito de aprofundar o esforço consciente demonstrado por nossa organização nos últimos anos em avançar na compreensão sobre o tipo de feminismo que defendemos, bem como sobre o papel essencial e a importância estratégica que a luta feminista tem para a construção de um projeto anticapitalista. Um desafio exigido pela atual conjuntura, marcada pela ascensão de governos de extrema-direita no mundo, na qual o movimento feminista tem se apresentado como contraponto e trincheira de resistência fundamental. Por isso, esta edição pretende, antes de mais nada, auxiliar e fortalecer nossas intervenções feministas nesse momento, a começar por duas datas muito significativas que inauguram este mês: o 8 e o 14 de março, dia em que se completará um ano do brutal assassinato de nossa companheira Marielle Franco. Esperamos que seja proveitoso e sirva como instrumento para as nossas batalhas. Boa leitura!

Solzinho

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