A Camilo…
Che e Camilo - Reprodução

A Camilo…

Texto escrito pelo Comandante Ernesto Che Guevara, dedicado a seu amigo, companheiro de guerrilha, o Comandante Camilo Cienfuegos.

Ernesto Che Guevara 6 fev 2018, 18:07

A Camilo…

Este trabalho pretende colocar-se sob a invocação de Camilo Cienfuegos, que deveria lê-lo e corrigi-lo, mas cujo destino impediu de realizar esta tarefa. Todas estas linhas e as que seguem podem se considerar como uma homenagem do Exército Rebelde a seu grande Comandante, ao maior chefe de guerrilhas que deu esta revolução, ao revolucionário sem defeitos e ao amigo fraterno.

Camilo foi o companheiro de cem batalhas, o homem de confiança de Fidel nos momentos difíceis de guerra e o lutador abnegado que fez sempre do sacrifício um instrumento para temperar seu caráter e forjar o da tropa. Creio que teria aprovado este manual, produtos da onde se sintetizam nossas experiências guerrilheiras, por que são as mesmas vidas, mas ele deu à armação das palavras aqui exposta a vitalidade essencial de seu temperamento, da sua inteligência e da sua audácia, que só se conseguem em medida tão exata em certos personagens da história.

Porém não há que se ver Camilo como um herói isolado, realizando façanhas maravilhosas ao impulso do seu gênio, e sim como uma parte mesma do povo que o formou, como forma seus heróis, seus mártires ou seus líderes na seleção imensa da luta, com a rigidez das condições sob as quais se efetuou.

Não sei se Camilo conhecia a máxima de Dalton sobre os movimentos revolucionários, “audácia, audácia e mais audácia”; de todas as maneiras, a praticou com sua ação, dando-lhe mais o condimento de outras condições necessárias ao guerrilheiro: a análise precisa e rápida da situação e a meditação antecipada sobre os problemas a resolver o futuro.

Ainda que estas linhas, que servem de homenagem pessoal e de todo um povo a nosso herói, não tenham o objetivo de fazer sua biografia ou de relatar suas piadas, e Camilo era o homem disto, pois com naturalidade criava inúmeras piadas. É que unia à sua desenvoltura e seu apreço pelo povo, sua personalidade; isso que as vezes se esquece ou se desconhece, que imprimia a marca de Camilo em tudo que lhe pertencia; o distintivo precioso, que tão poucos homens conseguem deixar marcado em cada ação. Disse Fidel: “não tinha a cultura dos livros, tinha a inteligência natural do povo, que o havia eleito entre muitos para coloca-lo no lugar privilegiado onde chegou, com golpes de audácia, com coragem, com inteligência e devoção sem pares”.

Camilo praticava a lealdade como uma religião; era devoto dela; tanto da lealdade pessoal para com Fidel, que encarna como ninguém a vontade do povo, como a deste mesmo povo; povo e Fidel marcham unidos, assim como marchavam as devoções do guerrilheiro invicto.

Quem o matou?

Poderíamos perguntar melhor: Quem liquidou com seu ser físico? Por que a vida de homens como ele tem a sua duração no povo; não acaba enquanto este não o ordene.

Foi o inimigo que o matou, porque queria sua morte, o matou porque não há aviões seguros, porque os lotos não podem adquirir toda a experiência necessária, porque sobrecarregado de trabalho, que ria estar em poucas horas em Havana… matou-o seu caráter, Camilo não media o perigo, o utilizava como uma diversão, jogava com ele, toureava-o, o atraía e o manejava; em sua mentalidade de guerrilheiro não podia uma nuvem deter ou torcer uma linha traçada.

Texto publicado no prefácio do livro/manual ” La Guerra de Guerrillas “, La Habana, Cuba-1960. Fonte: http://museuvirtualcheguevara.blogspot.com.br/2012/10/a-camilo.html


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Na 16ª edição, estão disponíveis dois dossiês. No primeiro, sobre o ecossocialismo, podem-se se encontrar as recentes teses de Michael Löwy, além de uma entrevista com o sociólogo e dirigente da IV Internacional. Também publicamos uma entrevista com Zé Rainha, dirigente da FNL, sobre sua trajetória de luta e os desafios dos socialistas no Brasil; uma entrevista com Antônia Cariongo, dirigente quilombola e do PSOL-MA; e artigos de Luiz Fernando Santos, sobre a lógica marxista e a Amazônia, e de Marcela Durante, do Setorial Ecossocialista do PSOL. O segundo dossiê traz algumas análises iniciais sobre a pandemia de coronavírus. Há artigos de Mike Davis e Daniel Tanuro; documentos do MES e do Bureau da IV Internacional; além de uma densa análise de nossas companheiras Evelin Minowa, Joyce Martins, Luana Alves, Natália Peccin Gonçalves, Natalia Pennachioni e Vanessa Couto e de um artigo do camarada Bruno Magalhães. A seção de depoimentos traz um instigante artigo de Pedro Fuentes sobre a história de seu irmão Luis Pujals, o primeiro desaparecido político da história da Argentina. Já a seção internacional traz uma análise do sociólogo William I. Robinson sobre a situação latino-americana.